O duplo abandono de Lando Norris em Montreal e no Mónaco acabou por expor as maiores fragilidades da McLaren nesta fase do Campeonato do Mundo de Fórmula 1: a falta de fiabilidade e a ausência de ritmo puro para lutar com os da frente. Depois de um promissor pódio duplo em Miami, a formação de Woking deparou-se com um duro reality check nos dois últimos Grandes Prémios, ficando fora das posições cimeiras e a sentir na pele as limitações do seu pacote técnico.
No Grande Prémio do Mónaco, Oscar Piastri foi o melhor representante da McLaren, terminando num modesto 4.º lugar, a 12,7 segundos do vencedor Charles Leclerc (Ferrari). Norris, condicionado por problemas de caixa de velocidades e unidade motriz ao longo do fim de semana, acabou por abandonar, tal como já tinha acontecido no Canadá. O domínio de Leclerc, que conquistou a pole position e liderou de fio a pavio, deixou a McLaren a mais de meio segundo por volta do ritmo da frente, numa pista que expõe ao máximo as limitações aerodinâmicas e a capacidade de tração dos monolugares.
Estes resultados têm influência direta na luta pelo campeonato. A McLaren, que parecia pronta para desafiar Ferrari e Red Bull no início da temporada, viu a diferença pontual crescer para os rivais diretos no Mundial de Construtores. A falta de consistência nos resultados e a sucessão de problemas técnicos começam a pesar, especialmente numa fase em que cada ponto pode ser decisivo para os objetivos finais da época. Andrea Stella, chefe de equipa, reconheceu sem rodeios que o momento é de alerta: “Há, claramente, um importante reality check que resulta do Canadá e do Mónaco. E esse reality check obriga-nos, antes de mais, a olhar para os factos. Não fomos suficientemente rápidos, especialmente em ritmo de corrida. Em ambos os circuitos, não fomos também suficientemente fiáveis”, afirmou Stella, após o desaire no Principado.
O responsável máximo da McLaren foi taxativo ao detalhar as áreas críticas a resolver: “Quando falamos em fiabilidade, temos tido problemas praticamente em todas as áreas do carro. Não se trata apenas de um componente específico. Hoje foi a unidade motriz, mas já tivemos outros incidentes relacionados com a unidade motriz. Diria que esta tem sido a área mais importante a nível da fiabilidade, mas, para o Lando no Canadá, foi a caixa de velocidades.” Perante esta sucessão de incidentes, Stella sublinhou que a cooperação com a Mercedes HPP, fornecedora das unidades motrizes, é fundamental para reverter a situação.
No capítulo do desempenho puro, a McLaren reconhece as limitações do seu chassis em contextos de elevado apoio aerodinâmico, como Mónaco e Montreal. Stella explicou: “Do ponto de vista da performance, já disse ontem, é muito claro que não temos apoio aerodinâmico suficiente. Falta-nos carga aerodinâmica e isso significa que não conseguimos fazer funcionar os pneus na janela ideal, sobretudo em pistas como esta ou no Canadá, onde o asfalto é extremamente liso e os pneus trabalham num regime muito específico.” Esta dificuldade é agravada pela nova geração de pneus Pirelli, mais rígidos e exigentes em termos de temperatura.
Stella acrescentou que os problemas de adaptação aos pneus não são exclusivos da McLaren, mas os efeitos são mais visíveis nas equipas com menor carga aerodinâmica: “Este ano, os pneus são relativamente rígidos e precisam de temperatura para funcionar bem. Por isso, temos uma longa lista de aspetos a melhorar, tanto na performance como na fiabilidade. Mantemos, obviamente, a mentalidade de que este pode ser mais um 2024 em termos de recuperação. Mas, em 2024, a nossa trajetória, em termos de fiabilidade e performance, era mais convincente. Se queremos continuar a lutar pelo campeonato, precisamos de um turnaround urgente.”
Com o Grande Prémio de Espanha já à porta, o foco da McLaren está em introduzir soluções que permitam recuperar terreno, tanto na fiabilidade como no desempenho puro. Barcelona será mais uma pista de elevado apoio aerodinâmico, o que representa novo teste ao pacote técnico de Woking. A pressão está do lado da McLaren, que precisa de respostas rápidas para não perder definitivamente o comboio da frente, numa temporada onde a luta pelo segundo lugar entre Ferrari, Red Bull e McLaren promete ser renhida até ao fim. Para Norris e Piastri, cada ponto pode ser decisivo, e a próxima ronda em solo espanhol será crucial para perceber se a equipa conseguiu, ou não, dar a volta ao texto.
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