A Ferrari chega ao Grande Prémio de Espanha em Barcelona embalada por sinais positivos registados nas últimas duas provas, mas consciente de que o Circuito de Barcelona-Catalunha será um teste muito mais rigoroso ao verdadeiro potencial do seu SF-26. O segundo lugar conquistado por Lewis Hamilton nas ruas estreitas do Mónaco soube a pouco à Scuderia de Maranello, numa pista onde as limitações do monolugar podiam ser disfarçadas. Agora, perante um traçado técnico e completo, a fasquia está mais elevada e as expectativas são maiores.
O Grande Prémio de Barcelona, sétima ronda do Mundial de Fórmula 1, assume particular importância para a Ferrari. Na última corrida em Monte Carlo, Hamilton cruzou a meta a 3,2 segundos do vencedor, enquanto Charles Leclerc terminou em quarto a menos de 10 segundos do colega de equipa. No Canadá, ambos os pilotos conseguiram também pontuar, com tempos de volta competitivos, especialmente em contexto de pista seca, onde o SF-26 demonstrou capacidade para se intrometer entre Red Bull e Mercedes. Agora, em Barcelona, a Ferrari enfrenta um circuito com curvas rápidas como a 3 e a 9, zonas de travagem intensa e um longo recta onde a potência do motor é decisiva. É neste contexto que Frederic Vasseur, director de equipa, sublinha: “Chegamos a Barcelona após dois fins-de-semana nos quais mostrámos sinais encorajadores em termos de competitividade. Em Mónaco e no Canadá obtivemos bons resultados, mas sabemos que ainda há muito trabalho pela frente e que temos de continuar a concentrar-nos em nós próprios. Como sempre, o nosso objectivo será maximizar o potencial e continuar a progredir”, afirmou o francês, em antevisão à prova catalã.
Esta etapa no calendário é vista como um barómetro para todas as equipas, já que a combinação de curvas de diferentes velocidades e zonas de aceleração prolongada expõe as virtudes e fraquezas de cada monolugar. Nos últimos anos, a Ferrari tem sentido dificuldades no traçado espanhol, muitas vezes perdendo terreno para Mercedes e Red Bull. Com a Mercedes apontada como favorita esta semana – graças à sua recente evolução aerodinâmica e ao ritmo demonstrado em simulações de corrida – a equipa italiana procura consolidar os avanços feitos ao nível do equilíbrio e da entrega de potência do SF-26. Para Vasseur, “o importante é manter o foco interno, sem nos deixarmos distrair pelas expectativas externas. Estamos a trabalhar para reduzir o fosso para os nossos principais rivais e temos consciência de que Barcelona irá mostrar-nos exactamente onde estamos”.
A rivalidade com a Mercedes, que ocupa o topo da tabela de construtores, intensifica-se com a aproximação do meio da temporada. A Ferrari, actualmente terceira no campeonato de construtores, pode aqui encurtar distâncias, especialmente se conseguir capitalizar eventuais erros da concorrência e explorar ao máximo as actualizações introduzidas no monolugar. Em declarações após a qualificação no Canadá, Hamilton referiu: “O progresso é notório, mas só faz sentido se conseguirmos transformar este ritmo em resultados consistentes. O trabalho no simulador e nas boxes tem sido exaustivo”. Já Charles Leclerc acrescentou: “Barcelona é sempre um desafio. Queremos mostrar que somos capazes de lutar pela vitória em qualquer tipo de circuito”.
A expectativa para a corrida de domingo é elevada, não só pela luta directa entre Ferrari, Mercedes e Red Bull, mas também pelo impacto que este resultado pode ter na dinâmica do campeonato. A Ferrari prepara-se para introduzir novos componentes aerodinâmicos já em Barcelona, antes de uma possível estreia da unidade motriz actualizada na Áustria, dois Grandes Prémios depois. Para Vasseur, este é “um momento-chave da temporada, onde cada ponto poderá fazer a diferença na luta pelo título”.
Após Barcelona, o campeonato segue para a Áustria, onde a Ferrari espera consolidar o progresso e talvez dar o salto necessário para se colocar na luta directa pelas vitórias. Uma boa prestação em solo espanhol será fundamental para manter a moral elevada dentro do plantel de Maranello e alimentar a esperança dos tifosi num regresso ao topo do pódio, numa temporada onde cada décimo e cada decisão estratégica podem ser determinantes no desfecho do Mundial de Fórmula 1.
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