Fernando Alonso aponta nova fraqueza crónica do Aston Martin após mónaco

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Fernando Alonso alcançou finalmente o primeiro ponto da temporada para a Aston Martin no Grande Prémio do Mónaco, mas a prestação da equipa britânica ficou marcada por mais uma revelação amarga: o AMR24 continua a expor fraquezas crónicas em cada circuito, agora agravadas por um grave problema de subviragem em baixa velocidade, totalmente inesperado na pista de Monte Carlo.

A classificação final viu Alonso terminar em 10.º lugar, após a penalização imposta a Sergio Pérez por estar fora da posição correta na grelha, garantindo assim o primeiro ponto da Aston Martin em 2026. Lance Stroll, apesar dos esforços, não conseguiu pontuar, sublinhando as dificuldades sentidas pelo duo ao longo do fim de semana. Alonso qualificou-se na última linha da grelha e, mesmo a forçar o andamento e a tirar o máximo partido das oportunidades em corrida, o melhor que conseguiu foi ganhar apenas algumas posições, terminando a mais de 60 segundos do vencedor e sem nunca ameaçar os lugares cimeiros. O Grande Prémio do Mónaco, conhecido pelo seu traçado sinuoso e pela escassa dependência da potência do motor, foi palco da oitava ronda do mundial de Fórmula 1 de 2026, acentuando as debilidades do monolugar da Aston Martin num contexto em que se esperava um desempenho mais competitivo.

A expectativa da equipa passava por um resultado positivo, dadas as características do circuito citadino, menos penalizadoras para as limitações do motor Honda. No entanto, a realidade foi bem diferente: problemas recorrentes de desaceleração da caixa de velocidades, comportamento imprevisível do chassis e dificuldades na afinação do carro deixaram a Aston Martin a lutar no fundo da tabela. Este resultado levanta sérias dúvidas sobre a capacidade da equipa para inverter o rumo do campeonato, numa altura em que rivais diretos como Alpine e Williams demonstram melhorias claras. O próprio Alonso não escondeu a frustração: “Zero aspectos positivos deste fim de semana”, afirmou o bicampeão mundial, em declarações antes de ser oficializada a penalização a Pérez. “Temos andado a correr em circuitos muito diferentes este ano e todos eles expuseram debilidades claras do nosso carro. Na Austrália, o motor estava em défice; na China, a energia esteve em baixa; no Mónaco, o chassis está aquém do esperado; em Miami, a caixa de velocidades revelou-se muito má. Cada circuito expôs fraquezas diferentes do nosso monolugar. A única nota positiva é percebermos exatamente onde temos de intervir.”

Pedro de la Rosa, embaixador da Aston Martin, reforçou o diagnóstico após a análise do comportamento do carro durante o fim de semana monegasco. “Esperávamos estar melhor aqui, mas deparámo-nos com um subviragem severíssimo a meio da curva, nas zonas de baixa velocidade”, admitiu o espanhol. “A equipa tentou corrigir o problema, fez todas as alterações possíveis na afinação, mas percebeu-se rapidamente que a questão é mais profunda, estrutural mesmo, e não apenas de set-up. Nunca tínhamos sentido este nível de subviragem noutra pista, o que nos apanhou completamente desprevenidos.” De la Rosa manifestou alguma esperança de que esta limitação esteja ligada às particularidades do traçado do Mónaco e aos pneus escolhidos para esta edição, sublinhando: “Como não vimos este problema noutros circuitos, mantemos alguma confiança de que não voltará a acontecer. Ainda assim, a análise dos dados será fundamental. Se o problema aparecer de novo, teremos mais ferramentas para o resolver. Ficaria surpreendido se encontrássemos este nível de subviragem crónica noutro circuito, porque não há pistas como o Mónaco e este ano até o composto mais macio tem-se revelado bastante duro para este asfalto.”

A Aston Martin optou por adiar a introdução de grandes evoluções até o parceiro Honda estar pronto a fornecer melhorias significativas ao nível da unidade motriz. Alonso revelou que a equipa está a trabalhar afincadamente em todas as áreas fragilizadas, mas apelou à paciência: “Para a segunda metade do ano, vamos tentar trazer um pacote de evoluções que ataque cada um destes problemas. Tenho total confiança na equipa. A nossa impressão é que o novo carro vai mudar radicalmente o cenário atual, mas precisamos de esperar mais quatro ou cinco corridas de resultados difíceis.” De la Rosa partilha do otimismo cauteloso: “Esperamos ter mais aderência e mais potência. A Fórmula 1 é física, não é assim tão complicada de perceber – o difícil é conseguir, mas saber o que falta é simples.”

O próximo embate do campeonato será no Canadá, no Circuito Gilles Villeneuve, uma pista menos exigente em termos de carga aerodinâmica, mas bastante penalizadora para carros com problemas de tração e equilíbrio em travagem – duas áreas críticas para a Aston Martin neste momento. Se as debilidades de chassis e caixa de velocidades não forem mitigadas, a tarefa de somar mais pontos será hercúlea. O ponto conquistado no Mónaco pouco altera a posição da equipa no campeonato de construtores, mantendo-se na luta pelo quinto posto, mas o atraso para rivais diretos começa a ser preocupante. O relógio não pára e a pressão para apresentar resultados concretos aumenta a cada fim de semana, colocando Alonso e Stroll perante um desafio de superação que só um pacote técnico renovado poderá verdadeiramente resolver.

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