Pierre Gasly viu escapar-lhe um dos momentos mais especiais da carreira em Monte Carlo, depois de cruzar a meta em posição de pódio, apenas para ser penalizado e atirado para fora dos três primeiros no Grande Prémio do Mónaco de Fórmula 1. O francês da Alpine, que tinha terminado a corrida em terceiro lugar, ficou devastado com a decisão dos comissários, como ficou patente nas imagens a bordo divulgadas após a corrida, onde, já na volta de desaceleração, reagiu com ironia ao feito que acabara de lhe ser retirado.
No final da prova, disputada no icónico Circuito de Monte Carlo, Gasly ficou classificado fora do pódio depois de receber duas penalizações por excesso de velocidade na via das boxes. A sua volta mais rápida ficou em 1:16.893, a apenas dois décimos do melhor tempo da corrida, enquanto Charles Leclerc (Ferrari) venceu de forma dominante, seguido de Oscar Piastri (McLaren) e Lewis Hamilton (Mercedes), que acabou por herdar o terceiro lugar devido à penalização atribuída a Gasly. A diferença de Gasly para o vencedor cifrou-se em 15,2 segundos após a aplicação das penalizações.
A decisão dos comissários foi motivada por duas infrações distintas cometidas durante períodos de Safety Car, quando vários pilotos passaram pela via das boxes devido a acidentes de Lance Stroll (Aston Martin) e Charles Leclerc, ambos provocados por detritos de asfalto solto entre a Rascasse e Anthony Noghes. Gasly foi apanhado a circular acima do limite de 60 km/h, sendo-lhe inicialmente atribuída uma penalização de cinco segundos, à qual se juntou uma segunda infração, penalizando-o em mais cinco segundos e arruinando a hipótese de subir ao pódio numa das provas mais prestigiadas do calendário.
O engenheiro de corrida da Alpine, Josh Peckett, confirmou a segunda penalização pelo rádio, ainda durante a corrida: “Ok, Pierre, fomos apanhados outra vez a exceder o limite de velocidade. Passa pela via das boxes, por favor, e mantém-te bem abaixo do limite, especialmente na entrada. Não sei o que se passa, não é só connosco, há vários carros a serem penalizados.” A frustração de Gasly ficou patente na resposta: “P3, f***ing P3, honestamente”, lamentou o piloto, expressando toda a sua desilusão no imediato pós-corrida.
Após a prova, a Alpine não ficou indiferente à controvérsia e apresentou oficialmente um pedido de revisão à FIA, alegando que as penalizações foram aplicadas de forma incorreta e que existiam dúvidas sobre a fiabilidade do sistema de controlo de velocidade na via das boxes. O director desportivo da equipa afirmou: “Estamos convencidos de que houve inconsistências nos dados do sistema de medição. Isto afetou não só os nossos pilotos, mas também vários outros. Acreditamos que é imperativo garantir justiça e clareza nestas decisões, sobretudo numa corrida como o Mónaco, onde tudo se decide em detalhes.”
Gasly foi ainda mais emotivo nas redes sociais, escrevendo que estava “de coração partido” com o desfecho. Em declarações à imprensa após a corrida, o francês confessou: “Não creio que haja algo que me pudesse magoar mais neste momento. São 10 anos de trabalho árduo para viver momentos como este, e hoje fizemos tudo bem. Estar naquele pódio, em frente a todos os adeptos, é o tipo de momento que pode ser-nos tirado por razões injustas. O que está a acontecer não é correcto. Espero sinceramente que tomem as decisões certas.”
Com este resultado, Leclerc reforçou a liderança no Campeonato do Mundo de Pilotos e deixou a Ferrari a ganhar terreno à Red Bull na classificação de Equipas. Gasly, por sua vez, perdeu uma oportunidade única de conquistar um pódio em território monegasco e de dar um impulso à Alpine numa época marcada por dificuldades. A polémica em torno das penalizações promete aquecer os bastidores da Fórmula 1 nas próximas semanas, com a decisão da FIA sobre o pedido de revisão a ser aguardada com expectativa.
A próxima ronda do campeonato terá lugar no Circuito da Catalunha, em Barcelona, onde se espera que a Alpine procure recuperar terreno e que Gasly tente canalizar a frustração deste desaire para uma prestação de destaque. O ambiente no seio da equipa francesa será de união em torno do seu piloto, enquanto a luta pelos lugares cimeiros promete continuar ao rubro, com Leclerc, Verstappen, Hamilton e Piastri a entrarem em Barcelona separados por poucos pontos. O desfecho do caso Gasly poderá ainda ter repercussões importantes na gestão das corridas e no clima de confiança entre pilotos, equipas e direção de prova, num campeonato que já se está a revelar imprevisível e emocionalmente intenso.
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