Lewis Hamilton chega ao Grande Prémio de Espanha com um novo foco mediático, não apenas pela sua excelente forma recente, mas também pela sombra de uma “maldição” estatística que ameaça os líderes do campeonato na era moderna da Fórmula 1. Depois do abandono dramático de Charles Leclerc em casa, no Mónaco, todos os olhos voltam-se agora para o britânico da Mercedes, que lidera o ranking de pilotos com mais finais consecutivos nos pontos.
Na última ronda em Monte Carlo, Charles Leclerc viu-se forçado a abandonar a prova na última curva após o recomeço do safety car, devido a um problema nos travões do seu SF-26, como explicou o próprio piloto da Ferrari após o incidente. “Foi um erro nos travões, não tinha qualquer hipótese de controlar o carro naquele momento”, afirmou Leclerc, claramente frustrado, depois de ter sido retirado da corrida que mais desejava vencer. Com este abandono, o monegasco perdeu não só a oportunidade de brilhar perante o seu público, mas também a distinção de piloto com mais provas seguidas a pontuar, um feito que agora pertence a Hamilton.
O Grande Prémio de Espanha, disputado no exigente Circuito de Barcelona-Catalunha, torna-se assim palco de um enredo peculiar. Hamilton, com sete finais consecutivos nos pontos desde Abu Dhabi 2025 até ao Mónaco 2026, ocupa agora o topo desta lista, ultrapassando Leclerc e George Russell, que anteriormente detinham este recorde antes de sucumbirem ambos a abandonos inesperados. No campeonato, Hamilton ascendeu ao segundo lugar, fruto do segundo pódio consecutivo (P2) e de um fim-de-semana desastroso para Leclerc (DNF) e Russell (P12). A diferença para o líder é agora de apenas 19 pontos, alimentando ainda mais a luta pelo título mundial.
A importância desta sequência de resultados não pode ser subestimada, sobretudo numa temporada tão competitiva. O histórico recente mostra que quem atinge o recorde de finais consecutivos nos pontos acaba por ser vítima de um infortúnio logo a seguir: Russell viu a sua série terminar devido a uma falha de bateria no Canadá e Leclerc abandonou em casa na prova seguinte. Esta coincidência alimenta a superstição entre os adeptos e até alguns elementos do paddock, criando um ambiente de expectativa intensificada em torno de Hamilton para Barcelona.
Christian Horner, responsável da Red Bull, comentou antes da prova: “O campeonato está ao rubro e a consistência do Hamilton é impressionante, mas a pressão está sempre presente quando estas estatísticas vêm ao de cima”. Já Hamilton, questionado após o pódio de Monte Carlo sobre a ‘maldição’, respondeu com humor: “Não acredito em maldições, acredito em trabalho árduo e em preparar cada corrida como se fosse a última. O foco está em maximizar o potencial da Mercedes em todas as sessões”. Por seu lado, Frederic Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, apontou: “O azar do Charles foi um duro golpe, mas vamos regressar mais fortes. Estes recordes valem o que valem, o importante é somar pontos regularmente”.
Olhando para o futuro imediato, a próxima ronda em Barcelona promete ser decisiva. Hamilton terá de resistir à pressão estatística e ao desejo das equipas rivais de o verem vacilar, enquanto luta por manter a consistência e aproximar-se ainda mais do líder do campeonato. Para Leclerc, começa uma nova missão: recuperar o ritmo e relançar a sua campanha, agora que perdeu a aura de invencibilidade nas pontuações consecutivas. Russell, por sua vez, procura reencontrar o ritmo perdido e voltar à luta pelos lugares cimeiros.
A temporada de 2026 da Fórmula 1 está a meio, mas cada prova ganha peso extra na luta pelo título e na batalha psicológica entre os protagonistas do pelotão. O Grande Prémio de Espanha poderá ser o palco onde Hamilton prova que as “maldições” são apenas números — ou onde a superstição ganha mais força no imaginário dos adeptos de automobilismo.
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