Um erro grave na asa traseira do Red Bull RB22 de Max Verstappen ditou o fim prematuro da corrida do tetracampeão no Grande Prémio da Grã-Bretanha de 2026. O neerlandês, que lutava pelo pódio em Silverstone, perdeu o controlo do monolugar ao entrar na curva Stowe e foi projectado para a escapatória de gravilha, forçando o abandono e deixando o piloto da Red Bull visivelmente frustrado.
Verstappen partiu da terceira posição e mostrava ritmo competitivo, mesmo com um carro manifestamente instável. Até ao incidente na volta 39, conseguiu manter-se à frente dos Mercedes de Lewis Hamilton e George Russell, beneficiando de uma penalização a Hamilton, de um furo lento de Russell e de problemas mecânicos no Ferrari de Kimi Antonelli. O acidente de Verstappen ocorreu precisamente uma semana após um episódio semelhante na qualificação para o Grande Prémio da Áustria, também devido a falhas na gestão da asa traseira. O britânico Lando Norris (McLaren) acabou por vencer a prova, seguido de Charles Leclerc (Ferrari) e Oscar Piastri (McLaren), enquanto Verstappen abandonou sem pontos, numa corrida em que a melhor volta pertenceu a Leclerc, com 1:28.417.
Com este resultado, Verstappen compromete a sua luta pelo quinto título mundial. O abandono em Silverstone surge no pior momento possível, depois de um início de época marcado por oscilações na performance do RB22. Lando Norris reforçou a liderança no Campeonato do Mundo de Pilotos, aumentando a diferença para Verstappen, enquanto a Ferrari se aproxima da Red Bull no Mundial de Construtores. A rivalidade entre Norris e Verstappen intensifica-se, e as sucessivas falhas técnicas da Red Bull aumentam a pressão sobre a estrutura de Milton Keynes. O recorde de vitórias consecutivas de Verstappen, estabelecido nas épocas anteriores, está agora em risco.
Depois da corrida, Verstappen não escondeu o desagrado com a situação. O neerlandês explicou: “Foi como na Áustria. Um problema diferente, digamos, mas o mesmo desfecho. Ao virar para a curva, a asa traseira não estava totalmente fechada. Perde-se imensa carga aerodinâmica e acabamos por sair da pista. É super perigoso, porque podemos magoar-nos, duas vezes. Tive sorte na Áustria, tive sorte aqui, mas é por isso que isto já irrita.” Antes disso, Verstappen já tinha referido problemas persistentes no RB22: “Todo o fim-de-semana tive um equilíbrio terrível, sem velocidade de ponta em comparação com o outro carro da garagem. E depois a corrida foi exactamente igual, como já tinha previsto.” Questionado sobre porque não optou por partir da via das boxes após os problemas detectados no sábado, Verstappen respondeu: “Tem de perguntar à equipa. Eu preferia ter arrancado das boxes porque a corrida foi igual. Disse-lhes: ‘Vamos ver exactamente o mesmo problema na corrida’. E foi precisamente o que aconteceu, tal como na qualificação.”
O director de equipa da Red Bull, Christian Horner, escusou-se a comentar em detalhe, mas admitiu que “é imperativo identificar rapidamente a origem destas falhas para garantir a segurança dos nossos pilotos e a competitividade da equipa”. A frustração do campeão é partilhada internamente, num momento em que a Red Bull vê a concorrência aproximar-se perigosamente.
Na abordagem à próxima ronda do campeonato, o Grande Prémio da Hungria, a pressão está no máximo para a Red Bull dar resposta aos problemas técnicos e para Verstappen recuperar pontos num circuito onde historicamente já brilhou. A luta pelo título reaquece com Norris a capitalizar o infortúnio do rival directo, enquanto Ferrari e Mercedes se mantêm à espreita de qualquer deslize adicional. O abandono em Silverstone não só abala a confiança de Verstappen, como obriga a equipa a acelerar soluções técnicas para evitar novo desaire e manter a esperança de revalidação do título mundial.
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