Red Bull pondera retirar asa ‘macarena’ após falhas com Verstappen

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A Red Bull enfrenta novo dilema técnico após dois falhanços consecutivos da inovadora asa traseira ‘Macarena’, que culminaram em acidentes de alta velocidade para Max Verstappen em corridas sucessivas. O piloto neerlandês viu as suas hipóteses de lutar pelo topo do campeonato comprometidas depois de sofrer um despiste na última volta lançada da qualificação para o Grande Prémio da Áustria, devido a uma falha no fecho da asa traseira, repetindo-se o cenário em Silverstone, onde seguia em quarto antes de perder o controlo e embater em Copse.

Na qualificação para o Grande Prémio da Áustria, Verstappen registava parciais para disputar a pole position quando a asa traseira da Red Bull RB20 não fechou correctamente, obrigando-o a abandonar a volta rápida. Já em Silverstone, durante a corrida do Grande Prémio da Grã-Bretanha, a história repetiu-se: nova falha no mesmo componente, levando ao despiste e abandono do piloto holandês quando seguia a apenas 1,2 segundos do líder. A Red Bull vê assim a sua consistência técnica abalada, num momento crucial do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, numa altura em que o pelotão se mostra cada vez mais competitivo e a McLaren e a Mercedes ameaçam o domínio recente da equipa austríaca.

Com estes episódios, Verstappen expressou a sua frustração e preocupação com a segurança, afirmando após o acidente de Silverstone: “É super perigoso, porque podemos realmente magoar-nos, duas vezes. Tive sorte na Áustria, tive sorte aqui, mas é por isso que isto começa a cansar.” O chefe de equipa da Red Bull, Laurent Mekies, apresentou-se visivelmente contrito perante os jornalistas, admitindo o desconforto de toda a estrutura: “Ele tem toda a razão em não estar satisfeito. É muito desagradável para qualquer piloto ser traído pelo carro em curvas de alta velocidade em duas corridas consecutivas, seja por razões diferentes ou não. E, numa escala muito menor, também é extremamente desagradável para nós, enquanto grupo, enviar os nossos pilotos para a gravilha. Não tenho dúvidas de que, enquanto equipa, vamos fazer tudo o que for necessário para que isto não volte a acontecer, mesmo que hoje não o tenhamos conseguido evitar. Levamos isto tão a sério quanto possível e, por isso, o mínimo que o Max pode sentir hoje é insatisfação.” Mekies recusou-se a especificar as causas exactas das falhas, mas confirmou que o problema em Silverstone voltou a estar relacionado com o fecho da asa traseira: “Se a falha é diferente ou não, pouco importa – vamos rever toda a área para garantir que não há qualquer hipótese disto voltar a acontecer.”

Questionado sobre a possibilidade de abandonar o conceito da asa traseira invertida – utilizado apenas pela Red Bull e Ferrari, com a McLaren a testar uma versão própria ainda sem estreia em corrida –, Mekies respondeu de forma assertiva: “Vamos fazer o que for necessário para garantir a segurança. Já utilizámos este conceito em várias corridas desde Miami. É cedo para concluir se o problema está no conceito ou noutro aspecto, mas não vamos deixar pedra sobre pedra e todas as opções estão em cima da mesa.”

A Red Bull tem agora até ao próximo dia 17 de Julho para encontrar uma solução, altura em que a Fórmula 1 regressa à pista para o Grande Prémio da Bélgica, em Spa-Francorchamps – um circuito onde as longas rectas e curvas rápidas submetem a asa traseira a esforços extremos. Um novo falhanço poderá não só comprometer as aspirações ao título de Verstappen, como colocar em causa a segurança dos seus pilotos e a reputação técnica da equipa austríaca. Com a aproximação do pelotão e o renascimento competitivo da McLaren e Mercedes, a Red Bull vê-se pressionada a optar entre manter o risco do conceito inovador ou regressar a uma configuração mais convencional, numa altura decisiva do campeonato. A resposta definitiva chegará em Spa, onde todos os olhos estarão postos na fiabilidade da Red Bull e no desfecho deste capítulo técnico que pode marcar o rumo da temporada de 2024.

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