Red Bull pondera retirar asa ‘macarena’ após falhas com Verstappen
NORTHAMPTON, ENGLAND - JULY 05: Max Verstappen of the Netherlands driving the (3) Oracle Red Bull Racing RB22 Red Bull Ford on track during the F1 Grand Prix of Great Britain at Silverstone Circuit on July 05, 2026 in Northampton, England. (Photo by Clive Mason/Getty Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202607050388 // Usage for editorial use only //
A Red Bull enfrenta novo dilema técnico após dois falhanços consecutivos da inovadora asa traseira ‘Macarena’, que culminaram em acidentes de alta velocidade para Max Verstappen em corridas sucessivas. O piloto neerlandês viu as suas hipóteses de lutar pelo topo do campeonato comprometidas depois de sofrer um despiste na última volta lançada da qualificação para o Grande Prémio da Áustria, devido a uma falha no fecho da asa traseira, repetindo-se o cenário em Silverstone, onde seguia em quarto antes de perder o controlo e embater em Copse.
Na qualificação para o Grande Prémio da Áustria, Verstappen registava parciais para disputar a pole position quando a asa traseira da Red Bull RB20 não fechou correctamente, obrigando-o a abandonar a volta rápida. Já em Silverstone, durante a corrida do Grande Prémio da Grã-Bretanha, a história repetiu-se: nova falha no mesmo componente, levando ao despiste e abandono do piloto holandês quando seguia a apenas 1,2 segundos do líder. A Red Bull vê assim a sua consistência técnica abalada, num momento crucial do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, numa altura em que o pelotão se mostra cada vez mais competitivo e a McLaren e a Mercedes ameaçam o domínio recente da equipa austríaca.
Com estes episódios, Verstappen expressou a sua frustração e preocupação com a segurança, afirmando após o acidente de Silverstone: “É super perigoso, porque podemos realmente magoar-nos, duas vezes. Tive sorte na Áustria, tive sorte aqui, mas é por isso que isto começa a cansar.” O chefe de equipa da Red Bull, Laurent Mekies, apresentou-se visivelmente contrito perante os jornalistas, admitindo o desconforto de toda a estrutura: “Ele tem toda a razão em não estar satisfeito. É muito desagradável para qualquer piloto ser traído pelo carro em curvas de alta velocidade em duas corridas consecutivas, seja por razões diferentes ou não. E, numa escala muito menor, também é extremamente desagradável para nós, enquanto grupo, enviar os nossos pilotos para a gravilha. Não tenho dúvidas de que, enquanto equipa, vamos fazer tudo o que for necessário para que isto não volte a acontecer, mesmo que hoje não o tenhamos conseguido evitar. Levamos isto tão a sério quanto possível e, por isso, o mínimo que o Max pode sentir hoje é insatisfação.” Mekies recusou-se a especificar as causas exactas das falhas, mas confirmou que o problema em Silverstone voltou a estar relacionado com o fecho da asa traseira: “Se a falha é diferente ou não, pouco importa – vamos rever toda a área para garantir que não há qualquer hipótese disto voltar a acontecer.”
Questionado sobre a possibilidade de abandonar o conceito da asa traseira invertida – utilizado apenas pela Red Bull e Ferrari, com a McLaren a testar uma versão própria ainda sem estreia em corrida –, Mekies respondeu de forma assertiva: “Vamos fazer o que for necessário para garantir a segurança. Já utilizámos este conceito em várias corridas desde Miami. É cedo para concluir se o problema está no conceito ou noutro aspecto, mas não vamos deixar pedra sobre pedra e todas as opções estão em cima da mesa.”
A Red Bull tem agora até ao próximo dia 17 de Julho para encontrar uma solução, altura em que a Fórmula 1 regressa à pista para o Grande Prémio da Bélgica, em Spa-Francorchamps – um circuito onde as longas rectas e curvas rápidas submetem a asa traseira a esforços extremos. Um novo falhanço poderá não só comprometer as aspirações ao título de Verstappen, como colocar em causa a segurança dos seus pilotos e a reputação técnica da equipa austríaca. Com a aproximação do pelotão e o renascimento competitivo da McLaren e Mercedes, a Red Bull vê-se pressionada a optar entre manter o risco do conceito inovador ou regressar a uma configuração mais convencional, numa altura decisiva do campeonato. A resposta definitiva chegará em Spa, onde todos os olhos estarão postos na fiabilidade da Red Bull e no desfecho deste capítulo técnico que pode marcar o rumo da temporada de 2024.
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A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.