Leclerc reencontra-se e vence após deixar de imitar Hamilton

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Charles Leclerc quebrou um longo jejum de vitórias ao triunfar no Grande Prémio da Grã-Bretanha, apenas 24 horas depois de garantir o segundo lugar na qualificação – terminando à frente do seu colega de equipa na Ferrari, Lewis Hamilton. O piloto monegasco, que não vencia há 624 dias, surpreendeu tudo e todos com uma exibição brilhante, depois de um período em que o seu rendimento em pista se tinha deteriorado de forma preocupante.

Após anunciar a renovação do seu contrato com a Ferrari no seu Grande Prémio caseiro, Leclerc sofreu duas desistências consecutivas, primeiro no Mónaco e depois em Barcelona, precisamente quando Hamilton conquistou o seu primeiro triunfo com a equipa italiana. Seguiram-se resultados modestos: oitavo lugar na Áustria e um sexto posto pouco impressionante na Sprint de Silverstone, enquanto Hamilton acumulava pontos importantes e se destacava como candidato ao título, em confronto direto com os Mercedes de Kimi Antonelli e George Russell.

Leclerc, pressionado pelo sucesso do seu colega de equipa, tentou aprender com Hamilton, chegando mesmo a adotar o fornecedor de travões utilizado pelo britânico, em detrimento da marca que sempre tinha preferido ao longo da carreira. No entanto, estas mudanças não resultaram e, como alertou Jenson Button antes da nona ronda do campeonato em Silverstone, “copiar o setup do piloto do outro lado da garagem não funciona se se tem um estilo de condução diferente”.

Depois da Sprint de Silverstone, Leclerc anunciou uma alteração significativa para a qualificação, prometendo manter a aposta se os resultados fossem positivos – e assim foi. O chefe de equipa da Ferrari, Fred Vasseur, revelou à comunicação social após a qualificação que “não foi magia” o que permitiu ao monegasco inverter o rumo dos acontecimentos antes da corrida principal.

No rescaldo da vitória, Leclerc explicou ao jornal italiano La Gazzetta Dello Sport: “Estava a seguir as instruções do Lewis, mas a certa altura percebi que não estavam a funcionar para mim. Arrisquei; juntamente com os engenheiros, tentei aplicar ao carro aquilo que sempre funcionou para o meu estilo de condução. Não tinha a certeza de que iria resultar, mas correu bem e de repente voltei a sentir aquilo que procurava.”

Na conferência de imprensa pós-corrida, Leclerc detalhou o momento decisivo: “Quando digo filosófico, é mais sobre pequenos detalhes que assentam melhor no meu estilo de condução numa fase específica da curva. Não quero entrar em grandes detalhes, mas são pequenas coisas que vi nos dados na sexta-feira à noite e pensei: ‘Ok, isto pode ser algo que não encaixa com o meu estilo’. Mudámos esses detalhes da Sprint para a qualificação e ficou muito melhor. Fiquei muito orgulhoso do trabalho feito, porque este tipo de mudança não é preto no branco. Não basta olhar para os dados e pensar: ‘Meu Deus, é isto que temos de mudar’. É intuição misturada com sensações. Arriscámos e foi uma direção muito bem-sucedida para mim. Fiquei muito feliz.”

Com este resultado, Leclerc deu provas da sua capacidade de se reinventar, recuperando a confiança e colocando-se novamente entre os protagonistas da temporada. A Ferrari volta a contar com dois pilotos capazes de lutar por vitórias, colocando fim a um período de seca em Maranello e relançando as ambições da equipa para o resto do campeonato.

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