Ecclestone diz sentir vergonha do GP britânico e critica Silverstone

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Bernie Ecclestone não poupou críticas ao Grande Prémio da Grã-Bretanha em 2004, afirmando publicamente sentir-se envergonhado pelo evento e questionando a sua presença no calendário da Fórmula 1. As palavras do então responsável máximo da modalidade ecoaram de forma contundente, deixando Silverstone numa posição delicada e ameaçada pela exclusão do campeonato.

Na altura, Ecclestone mantinha uma longa disputa com os organizadores de Silverstone, especialmente com a promotora Octagon, subsidiária do Interpublic Group, que detinha os direitos comerciais da prova. Segundo a sua avaliação, as infraestruturas e apresentação geral do circuito ficavam muito aquém do nível exibido por outros traçados mais recentes na Europa e no resto do mundo. O próprio Ecclestone já tinha classificado o Grande Prémio britânico como “uma feira rural disfarçada de evento mundial”, uma crítica particularmente amarga considerando a herança histórica de Silverstone como palco da primeira corrida do campeonato mundial em 1950.

Em 2004, o descontentamento de Ecclestone atingiu o auge. Utilizou os meios de comunicação para reforçar a pressão sobre Silverstone e Octagon, chegando ao ponto de desaconselhar os adeptos a assistir ao evento. “Corri no primeiro Grande Prémio da Grã-Bretanha e não tenho qualquer sentimentalismo em relação a nada”, afirmou Ecclestone. “Se não estiverem à altura, não deviam estar no calendário. Estou envergonhado, é só isso, do Grande Prémio da Grã-Bretanha. Simples. É bonito quando me dizem que querem ir a Silverstone para ver como é, e eu respondo: ‘não vão a Silverstone, vão a Barcelona ou à Alemanha’.” O dirigente sublinhou ainda: “Vê-se como estão a lutar neste momento para trazer os Jogos Olímpicos para a Grã-Bretanha, e com razão; assim deve ser. Outros fazem o mesmo. Mas outros tentam conseguir o evento de F1, que considero igualmente importante. Mas os britânicos parecem pensar que é um direito e que tem de haver um Grande Prémio da Grã-Bretanha.”

As declarações de Ecclestone tiveram impacto imediato. Em setembro de 2004, Jackie Stewart, presidente do BRDC, confirmou que Silverstone não figurava na versão provisória do calendário de 2005. Ao mesmo tempo, a Octagon retirou-se da gestão do circuito, na sequência de dificuldades financeiras do grupo Interpublic, regressando a administração direta ao BRDC. Só em dezembro de 2004 foi alcançado um acordo para manter Silverstone no campeonato até 2009, evidenciando o quão próximo o Grande Prémio esteve do desaparecimento.

O episódio de 2004 destacou as exigências crescentes da Fórmula 1 em termos de qualidade organizativa e infraestruturas, deixando claro que mesmo os circuitos históricos não estavam imunes à pressão por modernização e excelência no panorama internacional da modalidade.

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