A Racing Bulls é a única equipa a somar pontos com ambos os pilotos nas últimas cinco provas do Mundial de Fórmula 1, um feito que a coloca lado a lado com a Alpine na luta pelo estatuto de melhor do resto no campeonato de construtores deste ano. Em termos de andamento, a formação italiana tem estado claramente acima da equipa de Enstone nas últimas corridas.
A consistência tem sido uma das principais armas da equipa anteriormente conhecida como Minardi, Toro Rosso e AlphaTauri, graças ao desenvolvimento de monolugares equilibrados que oferecem uma plataforma estável aos pilotos. Yuki Tsunoda chegou a confessar que, ao transferir-se para a Red Bull, lamentou ter de abdicar do chassis VCARB 02, no qual se sentia claramente confortável. Embora se possa argumentar que esta abordagem impede a Racing Bulls de entrar regularmente no top 5, o objectivo da equipa passa mais pela solidez do que pelo risco. Apesar de operar de forma independente, a Racing Bulls recorre a alguns componentes transferidos da equipa-mãe, como a suspensão, mantendo por vezes soluções de anos anteriores para garantir consistência.
A mudança para as novas instalações em Milton Keynes não alterou o facto de a Racing Bulls ser, em termos funcionais, mais pequena do que a sua homóloga campeã do mundo, mas nem por isso deixou de surpreender e de chamar a atenção da Red Bull, que já recrutou alguns engenheiros da estrutura italiana. Andrea Landi, por exemplo, só teve de cumprir três meses de período de “gardening leave” antes de assumir o cargo de chefe de performance na Red Bull, enquanto a McLaren terá de esperar até 2028 para poder contar com Gianpiero Lambiase.
Apesar dos 69 pontos que separam a Red Bull da Racing Bulls e da superioridade do RB22 face ao VCARB 03, há vários aspectos onde a equipa satélite se tem destacado. O principal reside na performance em curvas lentas, onde o RB22 consegue velocidades mínimas superiores. Isto ficou patente em Silverstone, onde Isack Hadjar ganhou quatro décimos a Liam Lawson e Arvid Lindblad apenas entre as curvas Luffield e Club. De resto, os dois monolugares estavam bastante equilibrados no primeiro sector, como demonstram os dados de GPS das melhores voltas em qualificação.
No que toca à velocidade em recta, ambas as equipas se encontram praticamente ao mesmo nível, com diferenças dentro dos 2 km/h na maioria das sessões de qualificação. Contudo, a Racing Bulls tem sabido extrair o máximo do que tem à disposição em termos de gestão de energia e utilização do powertrain, apesar de ainda faltar algum apoio aerodinâmico face à Red Bull.
A evolução contínua tem sido outro trunfo da Racing Bulls: o novo fundo introduzido em Montreal, seguido de melhorias no difusor e na geometria das extremidades em Barcelona, Áustria e Silverstone, permitiram à equipa manter-se na dianteira do pelotão intermédio. Como salientou Liam Lawson após o Grande Prémio da Grã-Bretanha, “tem estado a funcionar muito bem ultimamente. Tudo o que trazemos para o carro tem sido positivo e está a funcionar. Cada fim de semana conseguimos encontrar pequenos ganhos de tempo por volta. Este foi pequeno, mas tudo está a ir na direcção certa. Já tínhamos um carro rápido na Áustria, isto só ajuda a construir ainda mais. Acho que o principal é começarmos logo fortes desde o FP1. Não temos precisado de mudar grande coisa, tem sido apenas pequenos ajustes. No geral, tornou o carro muito mais rápido em corrida.”
Este comentário de Lawson sublinha a diferença fundamental entre as duas operações Red Bull. Enquanto a Red Bull tem, por vezes, dificuldades nas sextas-feiras e recorre ao simulador para encontrar soluções durante a noite, a Racing Bulls consegue colocar o carro numa janela de performance sólida desde o início do fim de semana, algo que tem sido vital na luta do meio do pelotão.
Outro ponto forte da Racing Bulls tem sido os arranques, como Lindblad demonstrou na Austrália com uma primeira volta impressionante. Desde então, Lawson tem ganho posições na largada em todas as provas, excepto em Barcelona, onde manteve o oitavo lugar. Alan Permane, chefe de equipa, explicou na Áustria: “Usamos a mesma unidade motriz, a mesma caixa de velocidades e, na maioria das vezes, arrancamos com o mesmo pneu. Os três principais componentes do arranque são os mesmos. Os arranques são difíceis com estes motores, os pilotos têm de trabalhar bastante e nós temos de os manter calmos, porque às vezes fazemos um arranque na volta de formação e parece não haver potência. Depois vão a pensar o pior, mas dizemos: 'Não te preocupes! As temperaturas não estavam na janela certa, mas vai correr tudo bem.' Até agora, e espero não estar a trazer azar, tem corrido razoavelmente bem para nós.”
Com vários pontos operacionais onde a Red Bull parece estar a falhar, talvez valha a pena observar o método da Racing Bulls para optimizar recursos. Para a equipa italiana, o maior desafio poderá mesmo ser evitar perder mais talentos para a estrutura principal.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)

