Kimi Antonelli voltou a mostrar porque é considerado o homem a bater no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, ao liderar de forma autoritária as duas sessões de treinos livres de sexta-feira no Grande Prémio da Áustria. O jovem piloto da Mercedes não só foi o mais rápido em ambas as sessões, como ainda dominou os long runs, deixando claro que a equipa alemã parte no topo das expectativas para a corrida em Spielberg.
Nos treinos da tarde, tradicionalmente dedicados à simulação de ritmo de corrida e análise da degradação dos pneus com depósito cheio, Antonelli estabeleceu um ritmo médio 0,06 segundos por volta mais rápido do que o seu companheiro de equipa, George Russell, depois de corrigidas as diferenças de compostos e duração dos stints. A McLaren apresentou-se como a segunda força nos long runs, mas já a 0,21s por volta da Mercedes, com problemas evidentes de degradação dos pneus a condicionar o desempenho de Oscar Piastri e Lando Norris. O campeão em título, Max Verstappen, e a Red Bull, surgiram logo atrás, com um défice de 0,27s por volta, também a braços com desgaste excessivo dos pneus e dificuldades em acompanhar o ritmo dos homens da frente em todos os sectores do traçado austríaco.
A Ferrari, que chegou a Spielberg embalada pelo triunfo em Espanha e apostada em dar mais um passo em frente com um novo chassis e novidades na unidade motriz, foi a grande desilusão do dia. Lewis Hamilton terminou a segunda sessão de treinos livres a 0,597s de Antonelli, enquanto no ritmo de corrida a diferença aumentou para 0,51s por volta. Charles Leclerc, que cedeu o seu monolugar ao rookie Dino Beganovic na primeira sessão, nunca conseguiu encontrar o ritmo, ficando a 0,841s de Antonelli na simulação de qualificação e a 0,97s por volta nos long runs. Grande parte do tempo perdido para a Mercedes registou-se nos sectores mais técnicos do Red Bull Ring, com a Scuderia a mostrar claras dificuldades em maximizar as melhorias introduzidas.
No final do dia, Mattia Binotto, responsável técnico da Ferrari, não escondeu a frustração: “Tínhamos grandes expectativas para este fim-de-semana, mas os dados recolhidos não correspondem ao que vimos no simulador. Precisamos de analisar em detalhe e perceber onde estamos a perder rendimento, especialmente nos sectores mais lentos.” Leclerc, visivelmente desapontado, reforçou: “Não conseguimos encontrar tração e o equilíbrio não está onde deveria. Sabemos que temos potencial, mas o ritmo da Mercedes está fora do nosso alcance por agora.” Hamilton, por sua vez, foi pragmático: “É claro que esperávamos mais, mas esta pista parece expor algumas das nossas fraquezas. Vamos trabalhar durante a noite para tentar recuperar terreno.”
A McLaren repetiu em Spielberg os problemas que já se tinham manifestado em Barcelona. Piastri foi eficaz numa volta rápida, ficando a apenas 0,237s de Antonelli, com Norris logo atrás a 0,325s, mas em ritmo de corrida o cenário mudou radicalmente. Piastri sofreu com degradação acentuada dos pneus e acabou com um défice de 0,50s por volta para a Mercedes, cerca de três décimos mais lento que Norris. Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, explicou: “O nosso carro continua competitivo em ritmo puro, mas ainda não conseguimos gerir os pneus como a Mercedes. Se não resolvermos isso, vai ser difícil lutar pelo pódio.” Piastri acrescentou: “Temos de perceber porque é que os pneus se degradam tão depressa. A estratégia vai ser fundamental.”
A Red Bull, com o segundo grande pacote de evoluções da época, não conseguiu ainda dar o salto desejado para o topo. Verstappen terminou a simulação de qualificação a 0,550s de Antonelli e nos long runs ficou a 0,27s por volta da melhor Mercedes. O neerlandês admitiu, após a sessão: “Esperávamos estar mais próximos, mas ainda não conseguimos encontrar o ponto ideal do setup. Precisamos de trabalhar no equilíbrio e na gestão dos pneus.” Christian Horner, diretor da equipa, reforçou: “A evolução trouxe melhorias, mas não o suficiente para lutar pela pole position. Vamos analisar os dados e tentar afinar tudo para sábado.”
No pelotão intermédio, a Audi voltou a destacar-se com Nico Hülkenberg, que ficou a apenas 0,80s da Mercedes nos long runs, reforçando as boas indicações recentes da marca alemã. Alpine (+0,83s) e Racing Bulls (+0,94s) mostraram-se sólidos, enquanto Haas, tradicionalmente forte neste circuito, ficou aquém, com 1,27s de atraso por volta. Williams (+1,82s) e Aston Martin (+3,03s) mostraram-se completamente fora do ritmo, sendo que a Cadillac não conseguiu realizar qualquer simulação longa devido a problemas técnicos.
A onda de calor que se faz sentir na Europa chegou também à Áustria e promete baralhar as contas estratégicas da corrida. Com temperaturas elevadas, a degradação média dos pneus cifrou-se em 0,164s por volta, tornando realisticamente possível uma estratégia de três paragens, semelhante à de Barcelona. Dario Marrafuschi, responsável máximo da Pirelli no desporto automóvel, explicou à Sky: “Não estávamos à espera deste calor. Trouxemos os três compostos mais macios e a degradação é superior ao previsto. Antes do fim-de-semana contávamos com uma ou duas paragens, mas agora creio que o mais provável são duas ou três.” O aumento da aderência ao longo do fim-de-semana poderá aliviar um pouco o desgaste, mas a gestão dos pneus será decisiva.
Com a qualificação marcada para sábado, a Mercedes surge como clara favorita ao domínio, enquanto McLaren e Red Bull tentam afinar os seus monolugares para reduzir distâncias. Ferrari, obrigada a reagir, terá de encontrar respostas rápidas se quiser evitar perder terreno na luta pelo campeonato. O Grande Prémio da Áustria promete decisões estratégicas cruciais e potencial para surpresas numa grelha cada vez mais competitiva. A próxima corrida poderá ser determinante para as aspirações das equipas e pilotos em 2024, com o campeonato ao rubro e cada ponto a ganhar importância nas contas finais.
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