Ferrari preocupa Mercedes após vitória de Hamilton e melhorias no carro

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O triunfo de Lewis Hamilton no Grande Prémio de Barcelona quebrou a impressionante sequência de vitórias de Andrea Kimi Antonelli e assinalou um momento de viragem no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, colocando, pela primeira vez esta época, a Mercedes sob ameaça directa da Ferrari. A escuderia de Maranello, impulsionada por um pacote de evoluções aerodinâmicas substancial, conseguiu superar a Mercedes numa luta directa, alimentando especulações sobre uma possível reviravolta na corrida pelo título.

No final da prova catalã, Hamilton garantiu a vitória com uma gestão de corrida exemplar, beneficiando das recentes evoluções técnicas implementadas pela Ferrari. O britânico cruzou a meta com uma vantagem sólida, interrompendo a série de cinco triunfos consecutivos de Antonelli, que ainda assim permanece confortável na liderança do campeonato de pilotos, somando agora uma vantagem de 41 pontos sobre Hamilton. No campeonato de construtores, a Mercedes mantém-se na frente, com 72 pontos de avanço sobre a Ferrari, mas a diferença começou finalmente a reduzir-se. Entretanto, a McLaren mantém-se regular, com Lando Norris e Oscar Piastri a garantir presenças frequentes no pódio, embora sem conseguir ainda lutar pela vitória em condições normais de corrida. O segundo lugar de Piastri em Suzuka, apesar de um Safety Car mal cronometrado, foi o melhor resultado da equipa de Woking até ao momento.

A importância das recentes actualizações introduzidas pela Ferrari — incluindo uma nova asa dianteira, fundo, difusor e outras alterações — não passou despercebida aos adversários. Estas modificações, focadas na optimização do controlo dos fluxos de ar e no aumento da carga aerodinâmica, permitiram à Ferrari dar um salto competitivo significativo. James Allison, director técnico da Mercedes, admitiu depois da corrida: “Não tenho a certeza de que a McLaren tenha ressurgido. A Ferrari, por outro lado, trouxe uma evolução bastante significativa para esta corrida e o que se vê é que as regras são muito recentes, e o nosso carro foi lançado com alguma vantagem sobre os outros, vantagem essa que conseguimos manter durante várias provas. Mas o facto de as regras serem tão novas torna relativamente fácil encontrar desempenho. Um pacote de evoluções significativo vale tanto quanto a diferença que tínhamos no início da época. Se a Ferrari traz um pacote destes e nós não respondemos, a diferença diminui e deixa de ser confortável.”

Allison sublinhou ainda a necessidade de manter a cadência de desenvolvimento: “Não estamos desarmados nesta luta e, em breve, o nosso carro também receberá actualizações. Se conseguirmos manter um ritmo de desenvolvimento elevado e implementá-lo nos momentos certos, podemos recuperar a vantagem inicial, se a nossa curva de desenvolvimento acompanhar a dos rivais.” A Mercedes sabe que a ameaça da Ferrari não se limita à aerodinâmica. A Scuderia foi autorizada a utilizar dois períodos de homologação ADUO para evoluir a sua unidade motriz, em virtude do índice de desempenho do motor de combustão interna. A primeira dessas actualizações pode chegar já no próximo Grande Prémio da Áustria, no Red Bull Ring, e promete encurtar o fosso de potência face à Mercedes, que dispõe de apenas um período semelhante este ano.

O planeamento rigoroso da Ferrari para aproveitar ao máximo as oportunidades concedidas pela FIA demonstra ambição e capacidade de resposta. Se a unidade motriz evoluída corresponder às expectativas, o campeonato poderá conhecer um novo equilíbrio de forças na segunda metade da temporada. Reflectindo sobre o arranque do campeonato, marcado pelas longas pausas provocadas pelo cancelamento dos Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita, Allison reconheceu: “É um início promissor para algo que parece mal ter começado. A época termina em Dezembro e ainda estamos muito longe disso, talvez a um terço da distância. É um bom começo, mas nunca se pode considerar o trabalho feito. As regras ainda são jovens e é extremamente fácil tornar os carros mais rápidos neste momento. Qualquer equipa que o ignore irá rapidamente ficar para trás.”

O director técnico da Mercedes acrescentou: “A nossa missão é garantir que continuamos a tornar o carro mais rápido com melhorias de engenharia, que os pilotos tirem o máximo partido dele e eliminar os problemas de fiabilidade que já nos custaram alguns pontos esta época. Só assim poderemos chegar a cada corrida e, até ao final do campeonato, proporcionar um grande espectáculo.” Com a próxima ronda a disputar-se na Áustria, todas as atenções estarão centradas no potencial impacto das novidades técnicas da Ferrari e na resposta da Mercedes. Uma aproximação pontual poderá relançar a luta pelo título, enquanto a McLaren, apesar da consistência, terá de encontrar soluções rápidas para não perder o comboio dos da frente. O Campeonato do Mundo de Fórmula 1 está mais aberto e imprevisível do que nunca, com múltiplas equipas a aspirar à glória máxima numa temporada que promete emoção até à última volta.

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