Christian Lundgaard protagonizou uma das recuperações mais impressionantes dos últimos anos na IndyCar, ao conquistar a vitória no XPEL Grande Prémio de Road America depois de ter caído para o fundo do pelotão logo na primeira volta. O piloto dinamarquês da Arrow McLaren aproveitou o infortúnio de Marcus Armstrong, quando o Honda nº 66 da Meyer Shank Racing cedeu a poucas voltas do fim, e rubricou uma prestação para a história ao cruzar a meta em primeiro lugar após 55 voltas intensas.
O desfecho dramático ficou selado a quatro voltas do fim, quando Armstrong, que liderava com autoridade e parecia encaminhar-se para a sua primeira vitória na IndyCar, foi forçado a abandonar devido a uma avaria mecânica, com fumo e óleo a deitar por terra as suas aspirações. Lundgaard, que já tinha ultrapassado o neozelandês antes da bandeira amarela, ficou assim na frente para o derradeiro recomeço, numa corrida que terminou sob bandeiras amarela e axadrezada após um toque entre Will Power e Graham Rahal na última volta. Lundgaard terminou com o seu Chevrolet nº 7 apenas 0,624 segundos à frente de David Malukas (nº 12, Team Penske), enquanto Will Power, ao volante do Honda nº 26 da Andretti Global, garantiu o último lugar do pódio.
Este resultado tem implicações importantes no campeonato, especialmente porque Malukas ascende ao segundo lugar da classificação geral, agora a 62 pontos do líder Alex Palou, que terminou apenas em quinto após uma penalização por excesso de velocidade na via das boxes. Kyle Kirkwood (Andretti Global) ocupa o terceiro posto, com 64 pontos de atraso, enquanto Lundgaard aproxima-se do trio da frente, a 79 pontos de Palou, relançando a luta pelo título num campeonato que tem sido marcado pela inconstância e surpresas a cada prova.
No final, as emoções estavam à flor da pele e as declarações ilustram bem o ambiente vivido em Road America. Christian Lundgaard, visivelmente incrédulo com o feito, afirmou no pódio: “Como é que fizemos isto? Esta é a história do fim de semana, conseguir fazer resultar uma situação que parecia perdida. Obrigado, equipa.” Tony Kanaan, director da Arrow McLaren, revelou o nervosismo sentido: “A Gabby (namorada de Lundgaard) foi testemunha, dei-lhe um discurso na grelha a dizer que tudo seria mais fácil se partisse da frente, mas nunca conheci alguém que conseguisse ultrapassar tanta gente como ele. Trabalho incrível. Estou feliz pelo Christian, mas podia ter poupado o meu coração e o da Gabby se não tivesse ficado a uma volta de atraso logo na primeira volta.”
Malukas, que voltou a assegurar o segundo lugar – o terceiro da época –, mostrou-se satisfeito mas ambiciona mais: “Somos os campeões do segundo lugar, homem. Tenho de analisar o meu ritmo de corrida, ver o que posso fazer de diferente. Foi tudo uma questão de estratégia e tenho de agradecer ao Travis Law e a toda a equipa pelo trabalho excecional.” Já Marcus Armstrong, visivelmente desolado, explicou: “Estava tudo a correr bem, saí da Curva 6 e o motor começou a engasgar-se como se estivesse sem combustível, o que não era o caso, e depois simplesmente morreu. Não sei, temos de falar com a Honda para perceber o que aconteceu. Não havia qualquer indicação de problema. Estou orgulhoso de toda a equipa do 66, tínhamos o carro mais rápido hoje. Cada pit stop foi perfeito e pensava que esta vitória era nossa. Estou devastado.”
Na luta pelo top 5, Kyffin Simpson (Chip Ganassi Racing) rubricou um sólido quarto lugar, logo seguido por Alex Palou, que liderou durante 13 voltas mas viu a sua prova comprometida pela penalização. A corrida ficou ainda marcada por números impressionantes: 240 ultrapassagens e seis mudanças de líder entre cinco pilotos distintos, atestando o espetáculo e a competitividade que o traçado de Road America proporciona.
O campeonato segue agora para a próxima ronda, com os pilotos e equipas a prepararem-se para mais uma batalha, sabendo que cada ponto se pode revelar decisivo na luta pelo título. Lundgaard sai de Road America moralizado, Palou mantém a liderança mas com os adversários a aproximarem-se, e Armstrong terá de recuperar do desaire para voltar à luta. A incerteza e o drama prometem continuar a marcar esta temporada apaixonante da IndyCar.
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