Adepto invade pista e aborda Sheldon Creed durante bandeira vermelha na NASCAR (VIDEO)

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A invasão de pista mais insólita dos últimos anos em corridas norte-americanas ocorreu este sábado no Grande Prémio United Rentals Driven to Serve 250, em Naval Base Coronado, quando um adepto, de chinelos calçados, escalou duas vedações de segurança durante a interrupção por bandeira vermelha e dirigiu-se sem hesitação à janela do carro de Sheldon Creed. O episódio, captado em vídeo e rapidamente viralizado nas redes sociais, terminou com a detenção do adepto por agentes federais, numa situação inédita para a história recente da NASCAR.

Durante a paragem prolongada de cerca de 45 minutos, motivada por danos na barreira após um acidente multi-carro protagonizado por Sam Mayer, o insólito visitante atravessou duas barreiras de segurança em plena base militar activa dos Estados Unidos, aproximou-se do Chevrolet Haas nº 00 de Sheldon Creed, encostou-se ao pilar A do carro e tentou iniciar uma conversa com o piloto. Creed, nitidamente surpreendido, relatou o momento pouco depois: “O meu spotter disse-me: ‘Pergunta-lhe pelos danos’, e eu gritei, ‘Como estão os danos?’ Ele olhou e respondeu, ‘Maus!’ e depois disse mais qualquer coisa, mas não percebi. Parecia ter estado a beber um bocado. Depois ainda perguntou: ‘Vocês ainda estão a correr?’ e eu fiquei a olhar para ele, incrédulo.”

Os oficiais da NASCAR questionaram de seguida se o invasor havia tocado no carro. Creed confirmou: “Sim, encostou-se ao pilar A, mas sinceramente não consegui perceber bem o que disse. Acho que estava a aproveitar umas bebidas.” O piloto de San Diego acabou por terminar a prova em terceiro lugar, atrás do vencedor Austin Hill e de Taylor Gray. O próprio Creed fez a comparação inevitável: “Não sabia quem era, mas senti-me como o Matt Kenseth em Watkins Glen, quando um adepto saltou para a pista. Achei piada ao momento, mas sei que estas situações são levadas muito a sério.”

O incidente recordou de imediato o episódio de Watkins Glen em 2007, quando um adepto sem camisa se aproximou de Matt Kenseth durante uma bandeira vermelha, pedindo um autógrafo. Kenseth recusou educadamente, dizendo: “Agora estou um bocado ocupado, amigo.” O adepto foi detido e mais tarde banido do circuito, com outros autódromos a seguir o exemplo. Kenseth, no entanto, viria a enviar-lhe memorabilia autografada por remorso.

No caso de Sheldon Creed, o adepto não pediu autógrafos, mas mostrou-se suficientemente persistente para escalar de novo as vedações e tentar desaparecer na multidão. Não teve, contudo, a mesma sorte: agentes do NCIS (Naval Criminal Investigative Service) detiveram-no de imediato, uma vez que a invasão numa base naval activa constitui crime federal e não apenas local. O jornalista especializado Jordan Bianchi sublinhou essa diferença: “Se não me engano, como isto aconteceu numa instalação militar, o indivíduo enfrenta acusações federais.” O processo foi, por isso, conduzido com máxima celeridade e rigor pelas autoridades federais.

O episódio não passou despercebido entre pilotos e adeptos. Denny Hamlin, figura de destaque na NASCAR, comentou nas redes sociais um detalhe curioso: “A pobre senhora de chapéu teve certamente de ir pagar a fiança deste tipo.” O comentário, acompanhado de imagens da detenção, gerou milhares de reações e memes entre a comunidade motorizada.

Com o terceiro lugar conquistado, Sheldon Creed reforça a sua posição no campeonato, continuando a pressionar os líderes e a alimentar a rivalidade com Austin Hill, que assinalou aqui mais uma vitória importante. A próxima prova do calendário poderá clarificar ainda mais a luta pelos lugares cimeiros, com os pilotos a saberem que cada ponto é precioso nesta fase decisiva. Para Creed, além do pódio, o momento insólito ficará para sempre na memória como “o seu próprio momento Matt Kenseth”, mas com consequências bem mais pesadas para o adepto envolvido.

A temporada continua já na próxima semana, com todos os olhos postos não só nos duelos em pista, mas também na reforçada segurança dentro e fora do circuito, depois de um fim-de-semana que ficará registado não só pelo espetáculo competitivo, mas também pelo episódio que invadiu — literalmente — o centro das atenções.

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