Mercedes rejeita rumores de favorecimento entre Russell e Antonelli

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A polémica envolvendo alegados favoritismos dentro da Mercedes voltou a ganhar força após o Grande Prémio de Barcelona, mas a estrutura de Brackley reagiu com firmeza e clareza. James Allison, diretor técnico da equipa, classificou como “algo completamente alienígena” qualquer insinuação de que a Mercedes privilegia George Russell ou Andrea Kimi Antonelli na luta pelo título mundial de Fórmula 1. O esclarecimento surgiu no mais recente episódio do programa oficial da Mercedes, numa resposta directa à crescente especulação nas redes sociais acerca de possíveis preferências internas.

No rescaldo da prova catalã, George Russell terminou em segundo lugar, com um tempo de 1:32:17.492, a 6,4 segundos de Lewis Hamilton, que venceu pela Ferrari. Antonelli, após uma batalha intensa com Russell que lhes fez perder tempo precioso, cruzou a meta em quarto, a 19,2 segundos do vencedor. Com este resultado, Antonelli mantém a liderança do Mundial de Pilotos, agora com uma vantagem de 41 pontos sobre Hamilton, enquanto Russell segue a apenas nove pontos do britânico da Ferrari. No Campeonato de Construtores, a Mercedes conserva uma margem confortável de 72 pontos sobre a Ferrari, apesar de ter sido apenas a segunda vez em toda a época que não conseguiu somar mais pontos que qualquer outra equipa — a McLaren superou-a por três pontos em Miami.

O ambiente dentro da Mercedes remete inevitavelmente para a era das rivalidades Hamilton-Rosberg, mas Toto Wolff, o chefe de equipa, já garantiu que só recorrerá a ordens de equipa se a luta pelo título com um rival externo assim o exigir. Esta postura foi reiterada após o episódio de Barcelona, onde o duelo fratricida entre Russell e Antonelli permitiu a Hamilton aproximar-se e capitalizar a situação para conquistar a vitória. James Allison explicou: “As pessoas investem muito nos pilotos que apoiam e querem vê-los a triunfar acima de todos os outros. Se alguém quisesse perceber como encaramos o favoritismo, teria de vir trabalhar connosco. Seria imediatamente inundado pela cultura da equipa e perceberia como essa ideia é completamente estranha para nós. Quando ouvimos tais rumores, é como se estivessem a falar noutra língua.”

Allison detalhou ainda a lógica por detrás da postura da Mercedes: “É do nosso interesse que ambos os pilotos prosperem. Queremos sempre um 1-2, independentemente da ordem. Só começamos a ter uma preferência se um dos pilotos já não puder matematicamente lutar pelo título e o outro estiver numa luta directa com um adversário externo. Até lá, queremos ambos na frente em todas as corridas, porque o nosso principal objectivo é o Campeonato de Construtores. Os bónus e prémios são definidos por essa classificação, não pelo resultado individual dos pilotos. O favoritismo simplesmente não faz sentido para nós.”

A reflexão sobre o desaire em Barcelona foi inevitável. Depois de uma série de vitórias consecutivas, a Mercedes viu-se incapaz de igualar o ritmo da Ferrari, com Allison a reconhecer o impacto do novo pacote de atualizações da equipa italiana: “O balanço é de um fim-de-semana desapontante. Conseguimos um pódio forte, mas depois de termos vencido todas as corridas anteriores, sair daqui com um abandono e um segundo lugar não era o objectivo. O início do George foi muito bom, mas perdemos andamento nas fases seguintes, permitindo ao Lewis apostar numa estratégia de três paragens. Não tivemos capacidade para igualar esse ritmo. Se o safety car virtual não tivesse surgido naquele momento, talvez fosse ainda mais difícil para o Lewis ganhar, mas gostaríamos de não depender desses factores externos.”

O diretor técnico da Mercedes elogiou as melhorias da Ferrari e alertou para a importância das próximas actualizações: “A Ferrari trouxe um pacote bastante significativo para esta corrida. Estas regras ainda são jovens e, por isso, há margem para encontrar desempenho. Um pacote de evoluções pode anular a vantagem que tínhamos no início do ano. Se não respondermos com as nossas próprias melhorias, a diferença diminui. Mas também não estamos desarmados. Teremos novidades em breve e, se mantivermos o desenvolvimento ao ritmo certo, podemos recuperar a margem inicial.”

Com a próxima ronda marcada para o Red Bull Ring, a luta pelo campeonato promete novas emoções. Antonelli tentará defender a liderança, Russell procura reduzir a diferença, e a Mercedes sabe que não pode abrandar o desenvolvimento se quiser manter o domínio entre construtores. A rivalidade está ao rubro, mas em Brackley a mensagem é clara: a prioridade é sempre a equipa, e não há espaço para favoritismos internos.

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