Toto Wolff alerta para riscos de travão total após exigência de Zak Brown

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O debate em torno da propriedade múltipla de equipas em Fórmula 1 voltou ao centro das atenções após Zak Brown, diretor executivo da McLaren, ter pressionado publicamente a FIA para adoptar medidas mais restritivas face ao modelo de “equipas A/B”, com especial enfoque na ligação entre a Red Bull Racing e a Racing Bulls. Toto Wolff, chefe da Mercedes, veio agora pedir cautela, rejeitando um “travão de mão total” sobre as equipas clientes e sublinhando a importância de regras claras e justas para todos os intervenientes do paddock.

No mais recente Grande Prémio, realizado no circuito de Spa-Francorchamps, a polémica reacendeu-se depois de Laurent Mekies, até então chefe de equipa da Racing Bulls, ter passado imediatamente para a Red Bull Racing para substituir Christian Horner, despedido em Julho de 2025. Esta transferência imediata, sem qualquer período de “gardening leave”, levantou preocupações sobre a partilha de informação estratégica entre equipas sob o mesmo controlo acionista, numa altura em que a McLaren luta por diminuir a diferença para as duas estruturas da Red Bull. Zak Brown expôs estas preocupações numa carta formal ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, questionando se a Fórmula 1 está a assegurar a integridade desportiva perante um cenário de propriedade cruzada cada vez mais visível.

A ligação entre a Red Bull Racing e a Racing Bulls (anteriormente Toro Rosso e AlphaTauri) remonta a 2006, quando Dietrich Mateschitz adquiriu a antiga Minardi. Esta relação tem sido alvo de críticas, sobretudo porque, noutras modalidades, como o futebol, a UEFA proíbe a participação de clubes do mesmo grupo acionista nas mesmas competições europeias, tendo inclusive rebaixado o Crystal Palace para a Conference League devido à ligação acionista com o Lyon.

Confrontado pela comunicação social sobre a carta de Zak Brown, Toto Wolff defendeu uma abordagem equilibrada: “Acho que todas as posições filosóficas em relação a essa questão são compreensíveis”, referiu o chefe da Mercedes. “O Gene Haas não teria conseguido entrar na Fórmula 1 se não tivesse um acordo com a Ferrari, porque uma equipa pequena não consegue fabricar o seu próprio motor, caixa de velocidades, hidráulicos, sistema de refrigeração, etc. Numa altura em que era muito difícil encontrar equipas dispostas a competir na Fórmula 1 devido aos custos exorbitantes antes do tecto orçamental, esta era a solução óptima.”

Wolff prosseguiu, reconhecendo as dúvidas legítimas de Brown: “Haverá sempre a posição do Zak, que é perguntar: ‘Como colaboram estas equipas? Haverá vantagem em termos de desenvolvimento, por exemplo, ao usar o mesmo túnel de vento?’ Penso que as regras são suficientemente rigorosas para ninguém as violar, mas é um argumento válido questionar se existe vantagem quando se movimentam pessoas de uma equipa para outra, o que ainda é possível.”

O responsável máximo da Mercedes apontou ainda para situações recentes que alimentam o debate: “Tivemos uma corrida em Miami onde houve uma ultrapassagem facilitada. Isto teria acontecido entre equipas sem o mesmo controlo acionista? Talvez sim, talvez não. Precisamos de regras que definam de forma rigorosa as colaborações em termos de desenvolvimento e do ponto de vista desportivo.”

Wolff concluiu, rejeitando a proposta de um corte radical nas parcerias técnicas e comerciais: “Se dissermos ‘travão de mão total’, queremos 11 construtores, cada um a trazer o seu motor, as suas caixas de velocidades, traseiras, etc. Isso seria o nirvana, mas como é que uma equipa pequena como a Haas conseguiria isso hoje? Não é possível. Por isso, temos de permitir espaço para todas as posições. O único desfecho correcto deve ser regras que clarifiquem ainda mais o que é permitido e o que não é.”

Esta discussão promete marcar a segunda metade do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, numa altura em que a luta pelo título permanece intensa e as equipas médias tentam consolidar o seu espaço entre os construtores de topo. A próxima ronda, marcada para o circuito de Zandvoort, poderá oferecer novo palco a este debate, com os regulamentos sob escrutínio e possíveis ajustamentos à vista para 2026. Os bastidores do campeonato fervilham, e a FIA terá de equilibrar interesses desportivos, técnicos e financeiros para garantir que a grelha mantém a competitividade e a integridade que os adeptos exigem.

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