A desilusão marcou o fim de semana de Alex Albon e da Williams em Barcelona, com o piloto a expressar sérias preocupações quanto à competitividade do FW47 antes do Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1. A equipa britânica continua a enfrentar um início de temporada frustrante em 2026, incapaz de replicar os modestos progressos do ano anterior, e vê-se agora a braços com um monolugar que se revela particularmente vulnerável nas curvas de alta velocidade.
Na Catalunha, as fragilidades do FW47 ficaram expostas de forma inequívoca. Carlos Sainz terminou fora dos pontos, em 12.º lugar, enquanto Albon, atormentado por uma avaria técnica que obrigou a uma longa paragem para reparar uma câmara solta, terminou 12 voltas atrás do vencedor. O britânico-tailandês chegou a estar a lutar por posições a meio da tabela, mas a fiabilidade voltou a ser um calcanhar de Aquiles para a Williams. A falta de ritmo em setores rápidos tornou-se demasiado evidente, o que faz soar os alarmes para o Red Bull Ring, circuito austríaco famoso pelos seus setores 2 e 3, onde a velocidade em curva é determinante para um bom resultado.
O próprio Albon não escondeu a apreensão quanto ao que a equipa poderá esperar no próximo fim de semana: “Se olharmos para o nosso desempenho em alta velocidade em comparação com os nossos rivais do meio do pelotão, estamos a perder bastante tempo”, admitiu o piloto, sublinhando as dificuldades acrescidas que o aguardam na Áustria. “O Red Bull Ring, setor dois e setor três, é tudo alta velocidade, por isso temos de ver o que conseguimos fazer. Mas não podemos esquecer, o Carlos qualificou-se a um segundo e meio do [Liam] Lawson, por isso temos muito trabalho pela frente.”
A corrida em Barcelona foi, para Albon, um compêndio de problemas. Antes mesmo da paragem prolongada nas boxes, o piloto já sentia que algo estava seriamente errado com o comportamento do carro. “Detectámos um problema [mecânico] no carro depois da qualificação, mas não o podíamos alterar por causa das regras do parque fechado. Aproveitámos o tempo na garagem para tentar remediar a situação, sem conseguir corrigir totalmente, mas pelo menos conseguimos atenuar”, revelou Albon, que reforçou a necessidade urgente de encontrar uma solução: “Temos de perceber o que se passa. Vê-se claramente que o carro não está a comportar-se como deve, e precisamos de o corrigir.”
A falta de confiança no monolugar foi um dos maiores obstáculos para Albon, como explicou: “Isso explica porque é que eu não sabia com o que podia contar na qualificação. De uma curva para a outra, não fazia ideia do que o carro ia fazer. Se calhar, até dá algum alívio perceber que havia de facto um problema, mas quero garantir que isso não volta a acontecer na Áustria.” O piloto reconheceu ainda os desafios acrescidos impostos pela natureza cada vez mais complexa dos carros modernos: “As viaturas são tão recentes que percebemos que não é só a fiabilidade das unidades motrizes que conta, há também questões de fiabilidade menos visíveis, mas que afectam o desempenho. Estamos a passar por um processo de garantir que as peças estão a funcionar como devem. Não é uma questão de sorte, temos simplesmente de melhorar e fazer melhor.”
Este cenário obriga a Williams a repensar as suas aspirações para a próxima ronda do Mundial de Fórmula 1. A equipa chega ao Red Bull Ring numa posição delicada no Campeonato de Construtores, cada vez mais afastada dos lugares pontuáveis e com os rivais diretos a afastarem-se. A consistência e a fiabilidade são agora prioridades absolutas, numa altura em que qualquer ponto conquistado pode ser crucial para o balanço final da época.
O Grande Prémio da Áustria será, assim, mais uma dura prova para Albon e Sainz, que procuram inverter a tendência negativa e tirar partido de eventuais imprevistos para recuperar terreno. Com os adversários do pelotão intermédio a mostrarem sinais de evolução, a Williams sabe que tem de encontrar rapidamente soluções técnicas e estratégicas para evitar uma temporada verdadeiramente penosa. O campeonato segue cada vez mais competitivo, e a margem de erro é mínima para quem quer continuar a lutar por lugares relevantes na tabela.
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