A Jaguar Land Rover está a redefinir a sua estratégia global e os Estados Unidos surgem agora como a grande prioridade para o futuro da empresa. Com a procura por automóveis premium a abrandar na China, o grupo britânico pretende reforçar a sua presença na América do Norte, um mercado onde vê um enorme potencial de crescimento para as marcas Land Rover, Range Rover, Defender e Jaguar.
Durante o Investor Day da empresa, o diretor executivo PB Balaji explicou que o objetivo passa por expandir significativamente as operações nos EUA, transformando a região num dos pilares centrais do negócio. A aposta faz sentido: os Estados Unidos continuam a ser o maior mercado mundial para veículos de luxo e concentram uma elevada percentagem dos consumidores com maior poder de compra.
Os números ajudam a explicar esta mudança de foco. Atualmente, cerca de 44% dos automóveis vendidos nos EUA têm um preço superior a 50 mil dólares, enquanto mais de um milhão de unidades por ano pertencem ao segmento acima dos 80 mil dólares. Não surpreende, por isso, que a América do Norte tenha sido o principal mercado da JLR no primeiro trimestre do ano, representando cerca de 30% das vendas globais.
Uma das novidades mais interessantes reveladas pela marca passa pela parceria recentemente estabelecida com a Stellantis. Embora os detalhes ainda sejam escassos, a colaboração deverá abrir caminho ao desenvolvimento de novos modelos Defender especificamente pensados para o mercado norte-americano.
Tudo indica que a produção poderá vir a ser realizada em fábricas da Stellantis localizadas nos Estados Unidos, permitindo à JLR contornar os direitos aduaneiros aplicados aos veículos importados da Europa. Atualmente, o Defender é produzido na Eslováquia, mas o aumento das tarifas de importação tornou a produção local uma solução cada vez mais atrativa.
Ao mesmo tempo, a Jaguar Land Rover está também a ajustar a sua estratégia de eletrificação. Apesar de continuar comprometida com a mobilidade elétrica, a marca decidiu prolongar a vida dos motores de combustão e das versões híbridas, sobretudo para responder às particularidades do mercado norte-americano.
A futura plataforma EMA, inicialmente desenvolvida para veículos exclusivamente elétricos, passará agora a suportar também motorizações híbridas. O primeiro modelo a utilizar esta arquitetura será um novo Range Rover previsto para o final do ano, apontado como o sucessor espiritual do Velar.
Mais tarde chegará também um Defender de dimensões mais compactas, disponível tanto em versão elétrica como híbrida, alargando a oferta da marca num dos segmentos que mais cresce a nível global.
Já a Jaguar continuará o seu percurso rumo a uma gama totalmente elétrica. O primeiro capítulo desta nova era será escrito pelo Type 01, uma berlina elétrica que deverá ser apresentada ainda antes do final do ano.
Com os Estados Unidos a assumirem um papel cada vez mais relevante, a Jaguar Land Rover prepara-se para uma profunda transformação, apostando numa combinação de eletrificação, produção local e novos produtos para garantir o crescimento da marca na próxima década.

