O muito aguardado pacote de evoluções da Red Bull para o Grande Prémio da Áustria promete agitar a hierarquia da Fórmula 1, numa altura em que o desenvolvimento técnico assume um papel determinante para a luta pelo título. Com a Ferrari a capitalizar as suas melhorias em Barcelona – tradução directa no triunfo de Lewis Hamilton – todas as atenções viram-se agora para o que Max Verstappen e companhia conseguirão extrair das novidades técnicas preparadas em Milton Keynes.
A Red Bull chega à Áustria após uma prestação aquém das expectativas na Catalunha: Verstappen terminou em quarto, a quase 20 segundos de Lando Norris, enquanto Isack Hadjar recuperou até ao sexto posto, mas ambos os pilotos sentiram dificuldades para acompanhar o ritmo da Mercedes, Ferrari e McLaren. Segundo Laurent Mekies, director de equipa, “o panorama da época tem sido moldado por estas variações de performance conforme cada equipa traz o seu pacote de melhorias. A Ferrari deu um salto em frente, e o nosso próximo grande passo é na Áustria. Mas tudo depende do que traduzir em tempo por volta real. Toda a equipa em Milton Keynes trabalhou arduamente para este pacote.”
Este será apenas o segundo grande pacote de evoluções da Red Bull em 2024, depois do já significativo conjunto estreado em Miami, que incluiu um redesenho dos sidepods e uma asa traseira rotativa, inspirada no conceito da Ferrari que Fred Vasseur apelidou de “Macarena”. Ainda não se sabe ao certo que componentes serão revistas agora, mas Mekies mantém cautela: “Não há dúvida de que este pacote austríaco, por si só, não será suficiente. Sabemos que são necessários mais passos. Fundamental é continuarmos na trajectória de encurtar distâncias, como temos feito desde o Japão, e deixarmos de falar em quatro décimos de segundo por volta de diferença, para passarmos a discutir menos do que isso.”
A fasquia está bem definida: quatro décimos de segundo por volta é o que Mekies calcula faltar à Red Bull para igualar os adversários directos. Em Miami, o francês estimou que a primeira ronda de melhorias já tinha reduzido para metade o fosso para os líderes. Um dos ganhos potenciais do pacote austríaco poderá ser a redução de peso, já que o RB22 continua acima do mínimo regulamentar de 768kg. Em Maio, Pierre Wache, director técnico da equipa, revelou o objectivo de alcançar esse valor precisamente com as novidades para a Áustria. No entanto, questionado após a corrida de Barcelona, Mekies preferiu a ironia: “Comer menos. Esse é o meu plano para a Áustria! Espero que fiquemos mais leves. A comida austríaca é boa, eu sei. Mas o plano é pôr o carro a ‘comer’ um pouco menos e entrar em dieta.”
O recente salto qualitativo da Ferrari não passou despercebido. Mekies reconheceu, no rescaldo da prova catalã, a evolução do rival: “A Ferrari deu um passo muito bom. E o facto de terem ganho numa pista como Barcelona diz muito sobre a qualidade do chassis e da unidade motriz. Estamos entre os quatro da frente, a lutar. Nem todos os circuitos permitem disputar pódios, como se viu em Espanha. No Canadá e no Mónaco conseguimos, aqui não foi possível. Mas antes do drama final [com a desistência de Kimi Antonelli], ainda podíamos ter batido um Ferrari e um McLaren. Era o máximo a que podíamos aspirar.”
No que toca à análise, Mekies sublinhou: “Estávamos à espera deste ‘reality check’ em Barcelona, a primeira pista com rectas longas e curvas de média e alta velocidade desde a China e o Japão. Sabíamos que a performance seria diferente de Mónaco, onde até lutámos pela pole. O progresso está à vista – falamos de três ou quatro décimos da pole ou daquilo que é preciso para lutar pela vitória. Ainda há diferença, tanto ao nível do chassis como da unidade motriz. Agora já não basta uma solução isolada, é preciso encontrar desempenho em todos os domínios: curvas de média e alta, recta, etc.”
Com o Grande Prémio da Áustria prestes a arrancar, a pressão está do lado da Red Bull para responder à escalada dos rivais. O próximo capítulo do Mundial promete ser decisivo: se o novo pacote cumprir as expectativas, Verstappen poderá relançar a luta pelo campeonato e inverter a tendência das últimas provas. Caso contrário, Mercedes e Ferrari poderão consolidar a vantagem, tornando ainda mais renhida a batalha pelo topo antes da próxima ronda em Silverstone. O desenrolar da época joga-se agora, volta a volta, décimo a décimo – e a Áustria pode muito bem ser o palco de um novo ponto de viragem.
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