A Red Bull assume, sem rodeios, que o aguardado pacote de evoluções para o seu monolugar não será suficiente para anular por completo a diferença para as três equipas da frente. O próximo grande conjunto de novidades técnicas será estreado já no próximo fim de semana, no Grande Prémio da Áustria, uma prova com enorme significado para a equipa de Milton Keynes, por ser a sua “casa”. Depois de sete rondas disputadas, a equipa campeã do mundo continua presa ao quarto lugar do campeonato de construtores, com um fosso considerável para Ferrari, Mercedes e McLaren, e uma confortável distância para o pelotão intermédio.
Olhando para os resultados recentes, Max Verstappen tem conseguido extrair o máximo do RB22 sobretudo em circuitos de travagens fortes e acelerações curtas, como se viu no Canadá e no Mónaco, onde andou verdadeiramente a par dos líderes. No entanto, em pistas mais convencionais, como o Circuit de Barcelona-Catalunya, a diferença acentuou-se novamente, com o neerlandês isolado num solitário quarto posto, longe do pódio e sem pressão dos perseguidores. O seu companheiro de equipa, Sergio Pérez, tem sentido ainda mais dificuldades, raramente conseguindo desafiar o top-5. Verstappen foi claro no final da corrida em Barcelona: “Estamos presos ao quarto lugar. Só vamos sair daqui quando conseguirmos trazer peças novas para o carro; precisamos urgentemente destas evoluções.”
A verdade é que esta época, marcada pela introdução do novo regulamento técnico, está a ser um verdadeiro jogo de gato e rato entre as equipas, todas à procura do próximo grande salto em performance. No entanto, Laurent Mekies, director de equipa da Red Bull, não esconde que as melhorias previstas para a Áustria não vão operar milagres. “O retrato desta temporada são estas variações de rendimento, muito dependentes das equipas que conseguem trazer evoluções. A Ferrari deu um passo em frente muito importante”, afirmou Mekies numa conferência com vários órgãos de comunicação. “Obviamente, o nosso próximo grande pacote chega na Áustria, mas vai valer apenas aquilo que mostrar em pista em termos de tempo por volta. Toda a gente em Milton Keynes tem trabalhado arduamente neste conjunto de peças, mas está claro que esta atualização, por si só, não chega. Sabemos que vamos precisar de mais passos a seguir, mas o importante é mantermos esta tendência de fechar a diferença desde o Japão. Temos de continuar a aproximar-nos, para que deixemos de falar em quatro décimos de desvantagem e possamos falar de muito menos.”
Estas declarações confirmam que a Red Bull encara 2024 como um verdadeiro teste à sua capacidade de desenvolvimento e resposta à pressão. A equipa que dominou a era anterior está agora obrigada a inovar e a reagir, numa luta direta com rivais que parecem, para já, ter conseguido interpretar melhor o novo regulamento. O pacote de evoluções para o Red Bull RB22 será, assim, uma etapa intermédia num plano mais alargado, que promete novas peças nas provas seguintes.
Olhando para o campeonato, a Red Bull mantém-se firme no quarto posto, mas sente cada vez mais a necessidade de recuperar terreno antes do verão, para não comprometer a luta por pódios e, eventualmente, vitórias. A rivalidade com a Ferrari reacendeu-se, com a marca italiana a subir claramente de rendimento. A McLaren e a Mercedes continuam a ser adversários diretos, pelo que cada décimo ganho pode fazer a diferença entre lutar pelos lugares do pódio ou resignar-se a um papel secundário.
Com o Grande Prémio da Áustria a aproximar-se, a expectativa é elevada: será o novo pacote suficiente para aproximar Verstappen e Pérez dos lugares cimeiros? Conseguirá a Red Bull inverter a dinâmica e relançar a luta pelo topo? Certo é que, após a Áustria, o calendário prossegue com Silverstone, uma pista rápida e exigente, onde todas as equipas pretendem chegar com respostas e ambições renovadas. Para já, a Red Bull joga em casa, mas sabe que só a evolução contínua poderá recolocá-la na discussão pelas vitórias.
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