Red Bull retém troféu de Gasly enquanto avalia recurso ao pódio de Hadjar

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Pierre Gasly recuperou o troféu de terceiro lugar do Grande Prémio do Mónaco, mas a Red Bull mantém-no sob sua posse enquanto pondera avançar com um recurso contra a decisão que retirou o pódio a Isack Hadjar. Numa reviravolta polémica, o resultado da prova foi alterado após a Alpine demonstrar que Gasly não cometeu infrações de velocidade na via das boxes devido a um erro de cronometragem da organização.

Gasly, ao volante do Alpine, terminou originalmente em terceiro no circuito citadino do Mónaco, mas viu-se penalizado com duas infrações por excesso de velocidade na via das boxes, o que o relegou para fora do pódio. No entanto, após uma audiência de direito de revisão durante o fim-de-semana do Grande Prémio de Espanha, a FIA reconheceu que a distância utilizada pela Formula One Management para calcular a velocidade não correspondia à distância real, permitindo à Alpine provar que o francês nunca excedeu o limite imposto. Assim, Gasly voltou a garantir o terceiro lugar, empurrando Hadjar (Red Bull) para a quarta posição. O tempo de volta rápida da prova manteve-se inalterado, mas a diferença para o vencedor e para o segundo classificado ficou novamente reduzida, e o pódio voltou a ter os três pilotos que cruzaram a meta nas posições cimeiras.

Esta alteração de resultados causou desconforto entre várias equipas, nomeadamente McLaren e Red Bull, que notificaram a FIA da sua intenção de recorrer da decisão dos comissários. Ambas as formações têm até terça-feira para decidir se avançam formalmente com o apelo. A Red Bull defende que o seu protesto se baseia num princípio fundamental: considera que as equipas sempre tiveram de lidar com sistemas de medição de velocidade na via das boxes que nunca são 100% exactos, e que a consistência é crucial para a integridade do desporto. Curiosamente, ao contrário do habitual quando há alterações de resultados após a corrida, a Red Bull ainda não entregou o troféu de terceiro lugar a Gasly ou à Alpine, mantendo-se alguma incerteza quanto ao paradeiro do prémio – não se sabe se viajou directamente para Barcelona ou se permanece noutro local após a prova no Mónaco.

Laurent Mekies, director da equipa Red Bull, explicou a posição do construtor austríaco: “Pensamos que é, acima de tudo, uma questão de princípio para o bem do desporto, garantir clareza sobre como lidamos com penalizações não apeláveis durante a corrida e garantir que os resultados finais são correctos”, afirmou Mekies após o anúncio da FIA. “Nenhum sistema de medição é perfeito. Não existe uma única forma de medir a velocidade, e todos têm imprecisões. No entanto, temos trabalhado com este sistema há muitos anos, foi igual no dia anterior à corrida, igual na sexta-feira e nas épocas anteriores. Adaptámo-nos todos, e 17 ou 18 carros conseguiram cumprir o regulamento. Por isso, precisamos garantir que, enquanto desporto, temos uma abordagem suficientemente robusta para que, no futuro, haja paridade para os adeptos e para os concorrentes.”

A controvérsia alastrou-se a outras equipas. A Mercedes também se juntou às movimentações, ao apresentar um pedido de direito de revisão sobre a classificação revista da FIA. George Russell, que chegou a rodar em terceiro no Mónaco, foi penalizado por excesso de velocidade na via das boxes e, ao não cumprir a penalização num período de safety car, recebeu um drive through suplementar que o afastou dos pontos. Toto Wolff, director da Mercedes, justificou a acção da equipa: “Pedimos o direito de revisão porque queremos estar presentes à mesa quando as decisões são tomadas”, declarou. Interrogado sobre as hipóteses de sucesso em ver Russell reconduzido a uma posição de pódio, Wolff mostrou-se realista: “Acho que continua a ser pouco provável”, reconheceu.

O desfecho deste caso poderá ter impacto directo na luta pelo campeonato, especialmente na batalha pelo terceiro lugar entre Alpine, Red Bull e Mercedes. Uma eventual reclassificação influenciará não só a moral das equipas, mas também a distribuição de pontos e prémios ao longo da temporada. O circo da Fórmula 1 segue agora para o Grande Prémio do Canadá, onde as equipas procuram respostas rápidas e clarificação total das regras de cronometragem, antecipando discussões intensas nos bastidores enquanto aguardam a decisão final da FIA sobre o recurso. Até lá, a expectativa mantém-se elevada, com as rivalidades a acirrar e cada ponto a valer ouro na classificação dos construtores e pilotos.

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