O abandono do Ferrari #50 da categoria Hypercar nas 24 Horas de Le Mans deixou a equipa italiana em choque e alterou de imediato o rumo da lendária prova de resistência. Miguel Molina viu-se forçado a encostar o protótipo vermelho pouco antes da curva Tertre Rouge, já na manhã de domingo, devido a uma avaria grave no sistema híbrido do carro.
Até ao momento do abandono, o Ferrari #50 – tripulado por Miguel Molina, Antonio Fuoco e Nicklas Nielsen – estava a lutar pelo pódio numa das edições mais competitivas dos últimos anos. O infortúnio aconteceu durante um prolongado período de safety car, provocado pelo embate de um LMGT3 nas barreiras, que obrigou a reparações extensas e neutralizou a corrida durante vários minutos. Com 15 horas de prova já cumpridas, e apesar das instruções transmitidas via rádio na tentativa de reiniciar o sistema híbrido, Molina não conseguiu recuperar o funcionamento do veículo. Os comissários acabaram por empurrar o Ferrari #50 para fora da pista, ditando o fim da participação de um dos favoritos.
Este abandono deixa apenas dois Ferrari na luta: o #83 da AF Corse, atualmente em quinto lugar, e o #51 da Ferrari oficial, em sexto. A liderança pertence agora ao BMW #20, que exibe um ritmo consistente e seguro, seguido pelo Cadillac #12. Logo atrás alinham-se os Toyota #7 e #8, embora o #8 tenha sido prejudicado por problemas nos travões, incluindo uma troca de disco durante a manhã que comprometeu o seu andamento. A diferença entre os três primeiros mantém-se abaixo dos 40 segundos, com as voltas rápidas a rondar 3m29s, num ritmo impressionante para as condições do circuito de La Sarthe.
Para a Ferrari, este revés representa um golpe duro nas aspirações a renovar o triunfo absoluto em Le Mans, depois da vitória histórica do ano passado. O abandono do #50 retira importantes pontos para o Campeonato do Mundo de Resistência (WEC) e deixa a marca italiana dependente do desempenho dos restantes carros. As rivalidades com Toyota, BMW e Cadillac intensificam-se, numa fase decisiva em que cada erro pode custar o título. Recorde-se que, além do prestígio, Le Mans é determinante para a atribuição de pontos extra no WEC, sendo crucial para as contas finais do campeonato.
Miguel Molina, visivelmente desapontado, explicou após o incidente: “Recebi instruções da equipa para tentar reiniciar o sistema híbrido, mas simplesmente não consegui reativar o carro. É uma sensação de impotência, principalmente numa prova como Le Mans, onde tudo pode mudar de um momento para o outro.” Antonello Coletta, responsável pelo projecto de resistência da Ferrari, declarou: “É frustrante perder um carro por um problema técnico quando estávamos na luta. Vamos analisar detalhadamente o que sucedeu para evitar situações semelhantes no futuro.” Já Frédéric Vasseur, chefe de equipa, destacou: “Sabíamos que a fiabilidade seria posta à prova este ano. Não podemos baixar os braços, ainda temos dois carros a lutar.”
Com a saída do Ferrari #50, a pressão recai agora sobre o #51, pilotado por Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi, e sobre o #83 da AF Corse, alinhado por Robert Kubica, Robert Shwartzman e Yifei Ye. Ambos mantêm aspirações a um lugar no pódio, mas enfrentam forte oposição dos protótipos da BMW, Toyota e Cadillac, que se têm mostrado particularmente competitivos na zona rápida das Hunaudières. O próximo desafio é resistir à pressão nas horas finais da prova, onde a gestão do tráfego e a estratégia nos reabastecimentos serão determinantes.
A próxima ronda do WEC será disputada em São Paulo, com grelha cheia e o campeonato ao rubro. A Ferrari terá de reagir rapidamente para não perder terreno nas contas do Mundial, enquanto BMW, Toyota e Cadillac procuram capitalizar o ímpeto ganho em Le Mans. Entre vitórias e desilusões, a resistência mostra, mais uma vez, porque é a disciplina rainha do automobilismo mundial.
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