O Ferrari AF Corse está a enfrentar o maior teste dos últimos anos nas 24 Horas de Le Mans, depois de uma preparação marcada por dificuldades técnicas e forte oposição das equipas rivais. A icónica equipa italiana, que procura conquistar a quarta vitória consecutiva na lendária prova de resistência, reconhece que 2024 representa o maior desafio desde o regresso da marca à categoria Hypercar.
Na sessão de Test Day, que antecedeu a mítica corrida no Circuito de La Sarthe, os Ferrari 499P não conseguiram impor o ritmo que os consagrou em edições anteriores. O melhor registo da AF Corse situou-se a mais de meio segundo dos mais rápidos, ficando atrás dos Toyota, Porsche e Cadillac, que demonstraram um andamento superior. As voltas cronometradas reflectiram a competitividade extrema do campeonato FIA WEC este ano, com diferenças mínimas entre os principais construtores. Após as sessões de qualificação, o Ferrari #51, guiado por James Calado, Alessandro Pier Guidi e Antonio Giovinazzi, garantiu apenas a sexta posição da grelha, com um tempo de 3m25.781s — cerca de sete décimos mais lento do que a pole position conquistada pelo Porsche Penske #6.
A pressão para manter a hegemonia em Le Mans é enorme, não só pela história da Ferrari na prova, mas também pela evolução das rivais. Em 2024, o equilíbrio de prestações (BoP) foi ajustado e muitos especialistas apontam para um ligeiro desvantagem do 499P face aos adversários. O diretor de equipa, Antonello Coletta, não esconde as dificuldades: “Sabíamos que este ano seria mais duro. As equipas rivais evoluíram muito e o equilíbrio está mais apertado do que nunca. Se conseguirmos vencer, será sem dúvida a conquista mais difícil desta era.” Já James Calado, após o Test Day, sublinhou: “O ritmo de corrida ainda não está no ponto, mas a fiabilidade e a estratégia vão ser decisivas em 24 horas. Nunca baixamos os braços, sabemos o que é preciso para ganhar aqui.” Por seu lado, Alessandro Pier Guidi, também piloto do #51, admitiu: “Estamos a trabalhar arduamente para extrair cada décimo. Não partimos favoritos, mas a Ferrari nunca desiste.”
A luta pelo título mundial de resistência está igualmente ao rubro. Com a vitória em Le Mans a valer pontos duplos, qualquer deslize pode custar caro. A Porsche lidera atualmente o campeonato, mas uma vitória da Ferrari permitiria recuperar terreno e relançar a disputa. A Toyota, motivada pelo regresso às vitórias em Spa, surge também como forte candidata, ao passo que a Cadillac e a Peugeot prometem baralhar as contas. O histórico da AF Corse em La Sarthe, com três triunfos consecutivos, coloca ainda mais pressão interna, enquanto os rivais procuram quebrar a sequência italiana.
No paddock, o ambiente é de expectativa máxima. O responsável técnico, Ferdinando Cannizzo, destacou antes da corrida: “A fiabilidade será crucial. Sabemos que a nossa performance em stint longo é competitiva, mas não podemos cometer erros. O objectivo é manter-nos na luta até ao fim.” Os engenheiros italianos apostaram em pequenas evoluções aerodinâmicas e num trabalho minucioso de setup, esperando que a consistência dos pilotos faça a diferença nas horas decisivas.
O próximo grande momento do campeonato será precisamente a resistência das 24 Horas de Le Mans, onde tudo pode acontecer. Uma vitória da Ferrari relançaria totalmente a luta pelo título e confirmaria um domínio histórico, mas uma derrota abriria a porta a uma nova ordem no WEC. Quem sai vencedor de La Sarthe ganha um ímpeto fundamental para as últimas rondas do mundial, enquanto eventuais problemas técnicos ou erros estratégicos podem deitar por terra meses de preparação. Para já, todos os olhos estão postos nos Ferrari 499P, que tentam escrever mais uma página dourada no livro de Le Mans – desta vez, sob a mais feroz oposição dos últimos anos.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
