Peugeot critica organização do WEC após fiasco na qualificação de Le Mans

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O choque instalou-se nas boxes da Peugeot após ambos os 9X8 ficarem arredados da fase decisiva da qualificação para as 24 Horas de Le Mans. A marca francesa, que vinha de desempenhos impressionantes nas rondas anteriores do Campeonato do Mundo de Resistência (WEC), não conseguiu sequer colocar um carro entre os quinze primeiros, ficando-se pelos 16.º e 18.º lugares da grelha e deixando o construtor fora da Hyperpole pela primeira vez esta época.

O contraste com as provas anteriores é gritante: em Imola, a Peugeot garantiu o quarto posto da grelha, a meros 0,073 segundos da pole position, enquanto em Spa-Francorchamps rubricaram mesmo o tempo mais rápido na qualificação. No entanto, em Le Mans – palco maior do endurance mundial –, os 9X8 perderam competitividade e terminaram a sessão a mais de dois segundos do tempo de corte, sem hipótese de discutir a luta pela pole. O melhor dos Peugeot, o #93, ficou-se pela 16.ª posição, com o #94 logo atrás em 18.º, numa sessão dominada por rivais como a Ferrari, Toyota e Porsche, que continuam a ditar o ritmo nesta edição das 24 Horas.

Este resultado compromete desde já as ambições da Peugeot numa das provas rainhas do mundo motorizado. A ausência da Hyperpole retira à equipa a possibilidade de lutar por posições dianteiras na grelha, elemento fundamental numa corrida onde o tráfego e a estratégia desempenham papéis cruciais. Recorde-se que, nas duas últimas provas do WEC, a Peugeot foi uma das protagonistas, recuperando parte do prestígio perdido em anos anteriores. Agora, vê-se obrigada a repensar a abordagem para as 24 Horas de Le Mans, onde um bom arranque pode fazer toda a diferença face à concorrência de Ferrari, Toyota, Porsche e Cadillac.

O ambiente na boxe francesa era de frustração, patente nas declarações do director de equipa, Emmanuel Esnault, proferidas após a sessão: “Estamos no WEC, não estamos numa competição regional. O nível de exigência é extremo e sabemos disso, mas é difícil perceber como passámos de pole position em Spa para fora dos quinze primeiros em Le Mans. Sentimos que não tivemos oportunidade de mostrar o nosso verdadeiro ritmo – e isso é difícil de aceitar.” Esnault reforçou: “A equipa está unida, mas sente-se desiludida. Vamos analisar tudo ao detalhe para perceber o que falhou. Esta é uma corrida especial e não podemos vacilar.” O responsável deixou ainda um apelo à FIA e à organização do campeonato: “Esperamos critérios de equilíbrio mais claros e consistentes. O público e as equipas merecem-no.”

Os pilotos partilharam a incredulidade da equipa perante a quebra de performance. Paul Di Resta, ao volante do Peugeot #93, confessou no final: “O carro não estava simplesmente lá. Demos tudo, mas faltou aderência, especialmente no segundo sector. É frustrante porque vínhamos de duas boas qualificações e aqui não conseguimos sequer entrar na Hyperpole.” Já Loïc Duval, do #94, acrescentou: “Sabíamos que seria difícil, mas não esperávamos um desfecho assim. Vamos dar a volta, a corrida é longa e tudo pode acontecer nas 24 Horas.”

Olhando para o futuro imediato, a Peugeot enfrenta agora uma tarefa hercúlea para recuperar terreno durante a corrida, numa grelha onde a competitividade entre construtores nunca foi tão elevada. A estratégia e a fiabilidade serão determinantes para tentar chegar aos lugares do pódio, sabendo que a partida da segunda metade do pelotão implica riscos acrescidos em termos de tráfego e incidentes nas primeiras horas. No campeonato, este revés pode comprometer as aspirações da equipa francesa a um lugar honroso nos construtores, sobretudo face ao ímpeto dos rivais directos. A próxima ronda do WEC, após Le Mans, será crucial para avaliar se a Peugeot consegue inverter esta tendência negativa ou se arrisca a perder definitivamente o comboio da frente na luta pelo título de 2024.

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