O segundo lugar de Lewis Hamilton no Grande Prémio do Mónaco, atrás de Kimi Antonelli, levantou questões inesperadas dentro da Ferrari, com o piloto britânico a admitir surpresa pelo facto de a equipa italiana não ter seguido o exemplo dos seus principais rivais no que toca à configuração da asa traseira. Apesar de Hamilton ter garantido o terceiro tempo na qualificação e um sólido pódio no domingo, nunca pareceu verdadeiramente capaz de desafiar o ritmo imposto por Antonelli, o que reacendeu o debate sobre as opções técnicas da Ferrari no traçado monegasco.
O Grande Prémio do Mónaco, oitava ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2024, ficou marcado por uma verdadeira batalha táctica entre as equipas de topo. Mercedes, Red Bull e McLaren apresentaram soluções inovadoras nas suas asas traseiras, incluindo a adição de apêndices aerodinâmicos destinados a maximizar o apoio em curva, na sequência da proibição do modo Straight Line pela FIA. Hamilton cruzou a meta a 7,2 segundos de Antonelli, enquanto Leclerc fechou o pódio a 12,4 segundos do líder. O britânico assinou a volta mais rápida da corrida em 1:15.982, mostrando que não lhe faltava ritmo puro, mas faltou-lhe o equilíbrio aerodinâmico para lutar pela vitória.
Esta decisão técnica revelou-se decisiva num circuito onde a tracção e a confiança são vitais. O facto de McLaren, Racing Bulls, Haas, Audi e Cadillac também terem actualizado as suas asas traseiras para este fim-de-semana reforçou o sentimento de que a Ferrari, ao não o fazer, poderá ter desperdiçado uma oportunidade única de se aproximar da concorrência. A ausência de soluções semelhantes em Maranello levanta dúvidas sobre o grau de agressividade e inovação que a equipa está disposta a adoptar para encurtar distâncias no campeonato. Hamilton, agora segundo no Mundial de Pilotos com 132 pontos, reduziu ligeiramente a desvantagem para Antonelli, que lidera com 198, mas reconhece que cada detalhe pode ser determinante na luta pelo título.
No rescaldo da prova, Hamilton foi claro ao abordar a falta de apoio aerodinâmico sentido ao longo do fim-de-semana. “Durante todo o fim-de-semana, para nós, além de querermos mais apoio aerodinâmico globalmente, quando chegámos na quinta-feira vimos que outros, aqueles tipos, tinham truques nas asas traseiras e nós não tínhamos isso, o que foi um pouco surpreendente”, explicou o piloto da Ferrari aos jornalistas presentes no paddock de Monte Carlo. “Mas o nosso ritmo parecia promissor. No geral, para sermos mais rápidos, precisávamos de mais apoio no eixo dianteiro. Chegámos à qualificação e tínhamos muito apoio à frente, e tive de retirar cerca de dez furos da asa dianteira por alguma razão.”
Hamilton detalhou ainda a evolução da configuração do seu monolugar ao longo da sessão decisiva: “Assim que retirei os dez furos, o carro ficou um pouco mais equilibrado na minha última volta em Q3. Mas precisava desse equilíbrio logo no início da Q1 para conseguir construir confiança, porque aqui tudo depende disso. Perdi completamente essa confiança na Q1 e depois tentei recuperar o máximo possível.” Estas declarações evidenciam a frustração, mas também a determinação do campeão mundial em extrair o máximo do Ferrari SF-24.
O desempenho de Hamilton no Mónaco, somado ao segundo lugar conquistado no Canadá, confirma o seu melhor momento desde que ingressou na Scuderia no início da temporada passada. “Sinto-me muito bem com o carro”, afirmou depois da corrida. “Estou numa óptima fase com a equipa, e vê-se que ainda tenho ritmo. Não me falta velocidade, o que me deixa bastante satisfeito, independentemente dos comentários negativos que foram feitos ao longo do tempo. O importante é continuar a trabalhar e a aparecer, a entregar resultados.” O britânico não esconde a confiança para o que resta da temporada, sublinhando a sua motivação renovada.
Quanto ao futuro, Hamilton foi questionado sobre se o recente anúncio da renovação de Charles Leclerc para 2027 alteraria a sua posição na Ferrari. O piloto desvalorizou o tema: “Não, não altera. Ainda falta muito tempo. Tenho bastante margem.” Acrescentou ainda: “Não é um pensamento, não é uma conversa, é mais um compromisso.” Estas palavras sugerem que a continuidade do britânico em Maranello está praticamente assegurada, faltando apenas oficializar o acordo.
Com a próxima paragem marcada para o Grande Prémio da Áustria, no Red Bull Ring, as atenções viram-se agora para as estratégias que cada equipa irá adoptar numa pista de características opostas a Monte Carlo. Hamilton procura manter a pressão sobre Antonelli, enquanto a Ferrari é forçada a reflectir sobre a sua abordagem ao desenvolvimento técnico. A luta pelo campeonato está longe de estar decidida, e cada decisão a nível de afinações e actualizações poderá ser crucial para o desfecho de 2024. O paddock aguarda ansiosamente para ver se a Ferrari irá responder com maior agressividade, ou se continuará a perder terreno para os seus rivais mais directos na Fórmula 1 moderna.
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