FIA aprova nova regra de motores F1 com mais potência a combustão em 2027

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O futuro das unidades motrizes da Fórmula 1 ficou finalmente definido após a confirmação oficial da FIA: o equilíbrio entre motor de combustão interna (ICE) e sistema híbrido será alterado para 60/40 a favor do ICE, mas a transição será feita de forma faseada até 2028. Esta decisão, aguardada com expectativa por equipas, pilotos e adeptos, promete devolver maior protagonismo à condução pura e à agressividade em pista, reduzindo a dependência da gestão de energia elétrica que tem marcado as mais recentes temporadas.

A primeira alteração surge já em 2027, com a proporção a passar para 58% ICE e 42% híbrido, antes de atingir o patamar definitivo de 60/40 em 2028. Esta mudança será acompanhada por um aumento gradual do fluxo de combustível, da potência máxima, do modo de ultrapassagem e da capacidade de recuperação de energia. As alterações fazem parte das novas regras técnicas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, e aplicam-se a todos os fabricantes de unidades motrizes. A FIA, juntamente com a FOM, as equipas, os construtores (OEMs) e os fabricantes de unidades motrizes (PUMs), chegou a acordo quanto ao calendário e aos detalhes técnicos, estando o processo de aprovação formal a ser acelerado para garantir tempo suficiente para o desenvolvimento das novas soluções.

A importância desta decisão é enorme para o campeonato. O equilíbrio técnico entre combustão e energia elétrica tem sido um dos grandes temas de discussão, com muitos pilotos – sobretudo os mais vocais como Max Verstappen – a defenderem que o atual modelo de 50/50 obriga a estilos de condução artificiais, com demasiada “lift and coast” (levantar o pé e rolar), e limita a capacidade de atacar e lutar em pista. O aumento do contributo do ICE, cerca de mais 50 kW (68 cv), representa uma aposta clara em devolver emoção e imprevisibilidade às corridas, ao mesmo tempo que permite manter a componente híbrida indispensável para os objetivos de sustentabilidade da disciplina.

Max Verstappen, piloto da Red Bull, expressou a sua satisfação logo após o anúncio das alterações: “É fundamental que voltemos a ter corridas em que o piloto faz a diferença. O equilíbrio atual obriga-nos a pensar demasiado na gestão da bateria, o que retira espetáculo e torna a condução menos natural. Com esta mudança, acredito que todos beneficiam: pilotos, equipas e, claro, os adeptos.” A posição de Verstappen foi partilhada por vários colegas de grelha, que desde o início da época vinham a pedir à FIA uma revisão urgente dos regulamentos das unidades motrizes.

No entanto, nem todos estavam de acordo com a rapidez da transição. A Audi, que se prepara para entrar a tempo inteiro na Fórmula 1, foi a voz mais cautelosa durante as negociações, alertando para os custos e complexidade técnica que uma mudança tão brusca pode acarretar. Segundo responsáveis da marca de Ingolstadt, “uma evolução faseada permite maior estabilidade e garante que todos os fabricantes têm tempo para desenvolver soluções competitivas e fiáveis”. Foi precisamente esta posição que conduziu ao compromisso agora oficializado: uma progressão em duas etapas, culminando em 2028, para evitar desequilíbrios técnicos e financeiros entre as equipas.

Com a aprovação formal agendada para 23 de junho, em Macau, a expectativa é que as equipas acelerem já os projetos das futuras unidades motrizes, sabendo de antemão o quadro regulamentar a que terão de responder. As alterações não só vão moldar a grelha de 2027 e 2028, como podem influenciar decisões de pilotos e patrocinadores, numa altura em que a competição se prepara para receber novos construtores e reforçar a aposta na inovação tecnológica.

Até lá, as atenções viram-se para a próxima ronda do campeonato, com as equipas já a equacionar como as futuras regras podem impactar o desenvolvimento dos monolugares e das estratégias de corrida. A confirmação deste acordo representa um passo crucial para o equilíbrio entre sustentabilidade, espetáculo e competitividade, prometendo uma Fórmula 1 mais emocionante e próxima dos adeptos portugueses e de todo o mundo.

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