Verstappen e Hamilton alertam para falha crítica de energia em Silverstone

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Max Verstappen e Lewis Hamilton soaram o alerta antes do Grande Prémio da Grã-Bretanha, sublinhando que o traçado de Silverstone poderá evidenciar uma das maiores limitações dos actuais sistemas híbridos de recuperação de energia na Fórmula 1. Com a aproximação de uma das provas mais emblemáticas do calendário, cresce a preocupação entre pilotos e equipas sobre o impacto que a gestão da energia eléctrica poderá ter no desempenho ao longo das rápidas rectas e curvas lendárias do circuito britânico.

Após garantir o segundo lugar no Grande Prémio da Áustria, Max Verstappen confessou, em conversa com jornalistas, ter ficado surpreendido com o desafio que o circuito de Silverstone apresenta em termos energéticos. “Silverstone, adoro o traçado, mas fiz algumas voltas no simulador e comecei a rir-me”, admitiu o piloto da Red Bull. “Parecia-me uma pista completamente diferente, para ser sincero. Mal se tem bateria disponível ao longo da volta. Está-se constantemente a fundo. Vai ser muito diferente do que estamos habituados em Silverstone devido ao layout. Aqui [Red Bull Ring] há longas rectas e grandes zonas de travagem, o que permite carregar a bateria. Lá, as rectas acabam em curvas rápidas, por isso não se consegue carregar as baterias, e depois, na recta seguinte, já não há muito para gastar. Vai ser complicado.”

A preocupação não é infundada: Silverstone, com troços icónicos como Maggots, Becketts e Chapel, desafia as equipas porque as zonas de travagem intensa, essenciais para recarregar o sistema MGU-K, são breves e pouco frequentes. Ao contrário de circuitos como o Red Bull Ring, onde travagens prolongadas em curvas lentas facilitam a recuperação e reutilização de energia, Silverstone obriga a uma gestão ainda mais criteriosa, pois a relação entre energia recuperada e energia gasta torna-se menos favorável. O fenómeno conhecido como “super clipping”, onde se tenta extrair o máximo de energia do motor de combustão, é limitado e não compensa a escassez de oportunidades para recuperar energia. Tudo isto obriga as equipas a afinar ao milímetro a estratégia de utilização da potência eléctrica, sob pena de perderem rendimento nas zonas decisivas.

Lewis Hamilton, da Mercedes, corroborou as palavras de Verstappen, reconhecendo que a exigência energética de Silverstone é peculiar: “Há muitas rectas em Silverstone, muitos momentos de aceleração e poucos sítios onde se possa recuperar energia”, afirmou o heptacampeão mundial. “Talvez o défice não seja tão grande como noutros circuitos, não sei, mas há muito mais rectas, por isso é difícil dizer. Espero que estejamos melhor. Espero que, pelo simples facto de estarmos em casa e com o apoio dos adeptos, consigamos um extra de desempenho.” As declarações de Hamilton reflectem a expectativa generalizada de que a gestão de energia poderá ser um factor decisivo não só para o tempo por volta, mas também para as oportunidades de ultrapassagem e defesa em pista.

Do ponto de vista do campeonato, Silverstone representa um verdadeiro teste ao equilíbrio entre eficiência aerodinâmica, conservação de pneus e, acima de tudo, capacidade de gerir os limites dos sistemas híbridos. Equipas como Red Bull, Mercedes e Ferrari sabem que cada décimo pode ser crucial num fim-de-semana onde a diferença entre vitória e derrota poderá residir na forma como conseguem optimizar o uso da energia eléctrica em pleno andamento. Verstappen salientou ainda, após a corrida na Áustria, que a evolução da Red Bull é evidente, mesmo reconhecendo fragilidades: “Temos ainda áreas que queremos melhorar no carro. Passei metade da corrida com o carro longe do ideal e os travões não estavam a funcionar tão bem como no resto do fim-de-semana. É algo que vamos analisar, mas já demos um passo grande em frente face às últimas corridas. Olhem para a corrida anterior: estava sozinho, sem desafio. Numa pista onde os pneus se degradam, isto é um bom sinal.”

Para as próximas provas, a gestão energética vai permanecer no topo das prioridades técnicas e estratégicas das equipas. O desafio de Silverstone poderá ditar mexidas na tabela do Mundial, especialmente se algumas equipas conseguirem encontrar soluções criativas para contornar as limitações do sistema híbrido. Com Verstappen a manter a liderança do campeonato, Hamilton à procura de um resultado de sonho em casa e a Ferrari atenta às oportunidades, a luta promete ser feroz. O próximo capítulo será escrito nas rápidas curvas de Silverstone, onde a inteligência técnica e a frieza dos pilotos poderão fazer toda a diferença na definição dos novos protagonistas do Mundial de Fórmula 1.

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