Bottas exige à Cadillac soluções de fiabilidade após duplo abandono na áustria

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A frustrante desistência precoce de Valtteri Bottas e Sergio Pérez, ambos com incêndios nos travões, marcou o Grande Prémio da Áustria para a Cadillac, que viu mais uma vez a sua fiabilidade em xeque e a corrida terminar apenas ao fim de duas voltas para ambos os pilotos. Num fim-de-semana onde a expectativa era alta devido às melhorias trazidas no MAC-26, a equipa americana sai de Spielberg sem qualquer ponto e com mais dúvidas do que certezas quanto ao seu futuro imediato na Fórmula 1.

No circuito do Red Bull Ring, palco da 11.ª ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, a Cadillac registou uma das performances mais desapontantes da sua temporada de estreia. Após sessões de treinos livres marcadas por problemas eléctricos no carro de Pérez, Bottas viu o seu monolugar ser obrigado a abandonar devido a um incêndio provocado por uma falha de montagem no tabuleiro do assoalho dianteiro. No domingo, ambos os carros acabaram por abandonar a prova nas primeiras voltas, vítimas de incêndios nos travões dianteiros, precisamente quando a temperatura ambiente se fazia sentir com mais intensidade e o tráfego dificultava a refrigeração dos componentes.

O resultado final: Bottas e Pérez não completaram sequer cinco voltas, deixando a equipa sem dados para avaliar as melhorias que o pacote de evoluções técnicas prometia oferecer. A volta mais rápida do evento ficou nas mãos de Lando Norris, com 1m08.984s, enquanto o vencedor, Max Verstappen, completou as 71 voltas em 1h24m05.647s. A Cadillac, por seu lado, viu-se relegada para o fundo da tabela do campeonato de construtores, com a rivalidade frente à Haas e à Alpine a acentuar-se numa luta cada vez mais difícil pela sobrevivência entre as equipas do pelotão traseiro.

Valtteri Bottas, visivelmente frustrado, explicou no final da corrida: “Sem aviso prévio. Estava tudo sob controlo nos treinos. Fizemos mais de 10 voltas seguidas, normalmente suficiente para atingir a temperatura máxima dos travões logo no início da corrida. Mas hoje, com este ligeiro aumento da temperatura e depois com o efeito do tráfego, as coisas simplesmente incendiaram-se logo na segunda volta. É um grande problema. Obviamente temos de encontrar uma solução.” O piloto finlandês, que já soma três abandonos consecutivos, foi peremptório quanto à prioridade da equipa: “Se não terminarmos as corridas, não conseguimos aprender nada sobre o carro e o pacote. A prioridade está agora bem definida para Silverstone. Temos de terminar a corrida, só aí poderemos aprender.”

O chefe de equipa da Cadillac, também no rescaldo da prova, reiterou a necessidade de uma resposta rápida: “Introduzimos novos componentes de refrigeração para este fim-de-semana, mas claramente não foram suficientes. Encontrámos algum ritmo extra, mas se não terminamos a corrida, de nada serve. Este foi, provavelmente, o fim-de-semana mais decepcionante da época, com ambos os carros fora após poucas voltas. Só podemos trabalhar arduamente como equipa; é a única solução possível para avançarmos.”

O abandono precoce de ambos os carros deixa a Cadillac sem pontos para discutir e com menos quilometragem para validar as recentes evoluções técnicas, num momento crítico do calendário. As implicações para o campeonato são significativas: a equipa perde terreno para a Haas e a Alpine, que conseguiram terminar a prova e somar dados importantes para o desenvolvimento dos seus monolugares. Para Bottas e Pérez, a frustração é acrescida, pois as oportunidades de pontuar e evoluir o MAC-26 ficam mais escassas, numa temporada em que cada volta completada é vital para uma estrutura ainda em fase de aprendizagem.

A próxima paragem será o Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone, uma pista exigente em termos de travagem e refrigeração, onde a Cadillac terá de apresentar soluções imediatas para os seus problemas de fiabilidade. A prioridade para a equipa é clara: terminar a corrida e recolher dados que permitam continuar a evolução do projecto, minimizar erros operacionais e devolver a confiança aos seus pilotos. O campeonato avança, e a Cadillac está numa encruzilhada — ou resolve as fragilidades técnicas já em Silverstone, ou arrisca-se a comprometer toda a sua temporada de estreia na elite do automobilismo mundial.

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