Sébastien Ogier voltou a baralhar as contas do Campeonato do Mundo de Ralis de 2026, ao sair vitorioso do desafiante Rali da Acrópole, na Grécia, e reduzir de forma significativa a diferença pontual para Elfyn Evans. O francês da Toyota assinou uma exibição autoritária, ao mesmo tempo que Evans, também em Toyota, não foi além do quinto posto — resultado este que só conseguiu após penalizações tardias infligidas a Josh McErlean e Adrien Fourmaux, que lhe renderam mais quatro pontos cruciais para o campeonato.
Após oito das catorze provas do calendário, Elfyn Evans mantém a liderança do Mundial, somando agora 168 pontos. Takamoto Katsuta ocupa o segundo lugar, onze pontos atrás, enquanto Ogier fecha o pódio do campeonato, já a apenas 37 pontos do topo, depois de ter ganho 24 pontos a Evans apenas nesta ronda grega graças à vitória e ao máximo de pontos na Power Stage. O Rali da Acrópole, conhecido pelas suas especiais duras e traiçoeiras, voltou a mostrar-se decisivo na luta pelo título, nesta que está a ser uma das temporadas mais imprevisíveis dos últimos anos.
O impacto desta vitória de Ogier é imediato e lança uma nova dinâmica na luta pelo título. Recorde-se que, em 2025, o francês — então apenas a participar em provas selecionadas — acabou por se envolver na luta pelo campeonato e, graças a uma aposta estratégica nas rondas finais, sagrou-se campeão mundial pela nona vez. Evans, que perdeu esse título por apenas quatro pontos, mantém-se agora especialmente alerta à ameaça de Ogier, sobretudo quando se perspetiva que o francês possa alinhar nas rondas sul-americanas do Chile e do Paraguai, territórios onde é tradicionalmente forte e onde poderá encurtar ainda mais a distância para o líder.
Depois da prova, Evans não escondeu a consciência da ameaça. “Sabemos que ele é uma ameaça”, afirmou o galês à imprensa, ainda na Grécia. “Bem, já o sabia o ano passado também, mas é claro que todos estamos a lutar para conquistar o máximo de pontos possível. Este fim de semana não foi bom para nós, mas o foco estará sempre em cada rali, à medida que chegam.” O piloto da Toyota mostrou-se pragmático, reforçando que não se deixa distrair pelo desempenho dos rivais: “Não estou a olhar para ninguém”, garantiu. “Tenho de tentar fazer o melhor trabalho possível. É só isso.”
A confiança de Ogier também ficou patente após a vitória. O francês deixou claro que não deita a toalha ao chão e mantém o sonho do décimo título mundial bem vivo. “O campeonato ainda está aberto. Sabemos o que é preciso para estar na luta até ao fim e vamos continuar a dar tudo”, sublinhou Ogier, já a preparar psicologicamente os adversários para o que aí vem.
Com seis provas por disputar, o campeonato permanece em aberto, e a pressão sobre Evans aumenta a cada jornada. A diferença pontual, que já foi confortável, encolheu perigosamente, e qualquer passo em falso poderá ser fatal para o galês, sobretudo se Ogier continuar a alinhar em todas as rondas e a capitalizar nos momentos-chave. A próxima paragem será o sempre imprevisível Rali da Finlândia, onde a velocidade pura e o conhecimento do terreno podem baralhar ainda mais as contas do campeonato.
O duelo Evans-Ogier promete incendiar o Mundial até à última especial da temporada. A consistência de Evans está a ser posta à prova pelo instinto de campeão de Ogier, enquanto Katsuta, numa temporada surpreendente, espreita por uma oportunidade para se intrometer nesta luta a dois. Tudo aponta para um desfecho de campeonato imprevisível, com cada ponto a ganhar peso histórico e emocional. Resta saber quem conseguirá manter a frieza sob pressão e dar o passo decisivo rumo ao título mundial de 2026.
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