O ritmo impressionante das actualizações da Ferrari ao SF-26 está a levantar suspeitas no paddock da Fórmula 1, com Toto Wolff, director da Mercedes, a questionar publicamente como é que a Scuderia consegue investir tanto sem ultrapassar o limite orçamental. Após dois grandes pacotes de melhorias — um introduzido em Miami e outro em Barcelona —, a equipa italiana parece determinada a encurtar a distância para os líderes do campeonato, mas poderá estar a aproximar-se perigosamente do tecto financeiro imposto pela FIA.
No Grande Prémio da Áustria, a Ferrari voltou a surpreender com um novo conjunto de evoluções técnicas, enquanto as restantes equipas optaram por pequenas afinações ou melhorias pontuais. Neste momento, todas as formações do pelotão estão sujeitas ao rigoroso limite de 215 milhões de dólares, aplicável a todos os componentes que tenham impacto directo na performance dos monolugares. A Mercedes terminou a prova austríaca à frente da Ferrari, mas a diferença de 98 pontos no Campeonato de Construtores coloca pressão adicional sobre ambas as equipas para maximizar cada euro investido em desenvolvimento.
Toto Wolff não escondeu a sua admiração — e preocupação — com a capacidade da Ferrari para apresentar novidades de forma tão sistemática. Em declarações aos jornalistas, incluindo à Motorsport Week, o dirigente austríaco disse: “No chassis, estamos sempre a trazer pequenas melhorias aqui e ali, porque, sinceramente, ficamos sempre um pouco surpreendidos com o facto de a Ferrari conseguir lançar estas grandes actualizações ao carro com a frequência que faz. Na minha opinião, eles têm de estar quase a ficar sem dinheiro, pelo menos no que toca ao limite orçamental, porque nós não conseguimos fazer isso. Falta-nos margem no tecto de custos para introduzir tantas peças como eles.”
Wolff acrescentou ainda: “Espero que isso mude até ao final da época, quando já não possam trazer mais peças. Pelo menos, essa seria a lógica, e aí poderemos nós apresentar mais novidades.” Estas palavras sublinham a crescente tensão no seio das equipas de topo, que tentam equilibrar o investimento em performance com o respeito pelas regras financeiras, numa altura em que a luta pelo campeonato se intensifica.
A Ferrari, por seu lado, parece imparável no ritmo de desenvolvimento, algo que não passou despercebido ao director da Mercedes. “Os únicos que não mostram sinais de abrandamento são a Ferrari. Entre McLaren, Red Bull e nós, vê-se que trouxemos uma grande evolução em Montreal e pequenas peças entre provas. Penso que o mesmo se aplica à Red Bull e à McLaren. Só a Ferrari é que parece não ter limite nesse aspecto”, afirmou Wolff, sublinhando a diferença de abordagem.
O austríaco destacou ainda a rapidez da Ferrari em responder ao ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities), um mecanismo extraordinário concedido pela FIA a equipas que se encontrem aquém da referência do motor — neste caso, definida pela Mercedes. “Além disso, estavam à espera de um ADUO e já apareceram com um novo motor. Devem ter começado a desenvolver há seis meses. As regras são para todos, espero eu”, concluiu o responsável da Mercedes, deixando no ar a dúvida sobre a justiça e eficácia do actual sistema de controlo de custos.
Com apenas algumas semanas até ao Grande Prémio de Silverstone, o campeonato ganha um novo fôlego. A Ferrari está a reduzir distâncias e coloca pressão sobre a Mercedes, enquanto Lewis Hamilton continua a aproximar-se dos jovens talentos Antonelli e Russell na classificação de pilotos. A próxima ronda pode ser decisiva para clarificar se a Scuderia conseguirá manter o ritmo de desenvolvimento sem infringir o limite orçamental.
O cenário está ao rubro: quem conseguir gerir melhor os recursos financeiros e técnicos irá ganhar vantagem crucial na segunda metade da época. Resta saber se a Ferrari será forçada a abrandar, como prevê Toto Wolff, ou se conseguirá manter-se na perseguição ao título até à última curva do campeonato.
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