Toto Wolff lança alerta sobre orçamento da Ferrari com constantes melhorias

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O comentário mordaz de Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, lançou o tema quente do fim-de-semana no paddock da Fórmula 1: a Ferrari continua a apresentar evoluções significativas ao seu SF-26, ao ponto de Wolff questionar se os italianos “não estarão prestes a ficar sem dinheiro” devido ao limite orçamental. As palavras do austríaco reacenderam o debate sobre a gestão dos recursos financeiros na era do tecto de custos e colocaram a pressão sobre a Scuderia, que tem sido a equipa mais agressiva na introdução de melhorias técnicas esta temporada.

No Grande Prémio da Áustria, os olhares voltaram-se para a Ferrari, que já trouxe duas grandes evoluções ao carro – a primeira em Miami e a segunda em Barcelona – enquanto outras equipas como a Mercedes, Red Bull e McLaren optaram por actualizar de forma mais faseada. O regulamento impõe um limite de 215 milhões de dólares para 2026, abrangendo todas as áreas de impacto directo na performance. Wolff explicou aos jornalistas: “No chassis, estamos sempre a trazer pequenos melhoramentos aqui e ali, mas ficamos sempre um pouco surpreendidos pela capacidade da Ferrari de lançar estas grandes actualizações de uma só vez. Na minha opinião, devem estar prestes a esgotar o orçamento do tecto de custos, porque nós não conseguimos fazer o mesmo, simplesmente não temos margem para trazer tantas peças dessa forma.”

O responsável máximo da Mercedes acredita que a Ferrari pode ter de abrandar o ritmo de desenvolvimento na segunda metade da época. “Esperemos que isso mude até ao final da temporada, quando já não possam trazer mais peças. Pelo menos a lógica é essa, e aí poderemos nós apresentar mais novidades”, acrescentou, com um claro subtexto de que a equipa alemã está a gerir o seu orçamento de forma mais conservadora, apostando tudo numa fase final mais forte.

Wolff foi ainda mais longe ao referir que “os únicos que não estão a abrandar são a Ferrari”. Em comparação, detalhou: “Entre McLaren, Red Bull e nós, cada um teve uma grande evolução – no nosso caso em Montreal – e depois apenas pequenas peças entre provas. Penso que é o mesmo para a Red Bull e para a McLaren. Só a Ferrari parece não ter limites nesse aspecto. E, além disso, estavam à espera do benefício do ADUO e já apareceram com um novo motor, por isso devem ter começado a desenvolver há seis meses. São as mesmas regras para todos, espero eu.”

A questão do cumprimento do tecto orçamental é sensível, sobretudo depois da polémica que envolveu a Red Bull em 2021, altura em que a equipa de Milton Keynes excedeu o limite em cerca de 1,86 milhões de libras e foi penalizada com sete milhões de dólares e uma redução de 10% no tempo de desenvolvimento em túnel de vento e CFD. Aston Martin, Honda e Alpine também incorreram em infracções, mas apenas de carácter processual, o que resultou em multas financeiras ou sem quaisquer sanções desportivas.

No contexto do campeonato, esta agressividade da Ferrari nas evoluções pode ser decisiva na luta pelo título de construtores e poderá baralhar as contas para Mercedes, McLaren e Red Bull, que preferem uma abordagem mais calculada. Se a Scuderia conseguir manter o ritmo sem ultrapassar o orçamento, poderá voltar a ameaçar a hegemonia dos rivais; caso contrário, arrisca-se a ficar sem margem de manobra para o final da época, quando as decisões se tomam no detalhe.

Em termos de próximos passos, as atenções viram-se já para o próximo Grande Prémio, onde se espera que a gestão dos recursos e eventuais novos desenvolvimentos possam alterar as dinâmicas no topo da classificação. A Mercedes e a McLaren prometem intensificar a sua resposta, enquanto a Red Bull, atenta ao passado recente, não deverá correr riscos desnecessários. O campeonato entra agora numa fase crucial, onde o equilíbrio entre evolução técnica e contenção financeira pode ser o factor que decide quem levanta o troféu no final da temporada.

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