Adrian Newey revela problemas de saúde após assumir liderança da Aston Martin

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Adrian Newey revelou finalmente os problemas de saúde que o mantiveram afastado de quatro Grandes Prémios nesta temporada, numa altura em que a Aston Martin atravessa uma das fases mais delicadas da sua história recente na Fórmula 1. O lendário engenheiro britânico, que chegou à equipa de Silverstone em Março de 2025 com a esperança de a conduzir ao topo, confessou ter enfrentado dificuldades físicas desde a última época, obrigando-o a gerir com pinças o equilíbrio entre a exigência do cargo e a sua própria recuperação.

O resultado do mais recente Grande Prémio da Áustria foi mais um duro golpe para a Aston Martin: Lance Stroll abandonou a corrida e Fernando Alonso terminou em 18.º, a três voltas do vencedor, George Russell (Mercedes). Após oito provas disputadas no Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2026, a equipa britânica conta apenas com um ponto, conquistado por Alonso no Mónaco, e luta com a Cadillac para evitar o último lugar do pelotão. O carro apresenta excesso de peso, a unidade motriz Honda tem-se revelado lenta e pouco fiável, e todas as expectativas de lutar com as equipas da frente caíram por terra logo nas primeiras corridas.

A saída de Newey da Red Bull, ao fim de 18 anos e de uma colecção de títulos, foi vista como o início de uma nova era para a Aston Martin. Assumiu o cargo de director de equipa no final de 2025, mas, logo após a estreia desta temporada em Melbourne, ausentou-se por motivos de saúde. Só voltou ao comando no Mónaco, onde a equipa conseguiu o seu único resultado pontuável. Esta ausência gerou especulações sobre o ambiente interno e a moral da equipa, mas Newey fez questão de esclarecer o contexto difícil que atravessou.

Depois do Grande Prémio de Mónaco, Newey abriu o jogo numa entrevista exclusiva ao canal oficial da Aston Martin: “Estou bem agora, mas foi um período complicado. Como já disse anteriormente, quando chove, molha sempre tudo. Na verdade, no ano passado já não estava a cem por cento. Tive de equilibrar muito melhor a saúde e o trabalho.” O britânico sublinhou ainda a capacidade de resposta da estrutura: “A equipa lidou incrivelmente bem. Mantive uma relação muito próxima com os engenheiros e não sinto que tenha causado grande perturbação. Isso é o melhor testemunho da capacidade de adaptação e do apoio que todos aqui demonstram.”

No rescaldo de mais um fim-de-semana difícil, Newey garante que o espírito de sacrifício está mais forte do que nunca em Silverstone. “Assim que todos ultrapassámos o choque inicial de perceber onde estávamos, a reacção foi muito positiva, e isso é o que mais me marca. O grupo uniu-se em torno de duas prioridades claras: primeiro, tirar-nos deste buraco com uma grande atualização antes da pausa de Agosto; segundo, construir as bases certas para o futuro.” O director de equipa acrescentou: “Cada um de nós deve sentir orgulho na forma como nos unimos. Anda-se pelo Campus Tecnológico da AMR à noite e as luzes continuam acesas. Há muitas noites longas, muita motivação e uma determinação real em provar que conseguimos dar a volta. Temos as instalações, temos as pessoas, temos talento. Falta fazer tudo funcionar em conjunto – e, até certo ponto, aliviar a pressão para podermos respirar e focarmo-nos em projectos de médio e longo prazo, não apenas na próxima corrida.”

A luta da Aston Martin centra-se agora em fazer chegar uma atualização significativa ao AMR26 antes da pausa estival, de modo a evitar que 2026 fique para a história como um dos anos mais negros da estrutura britânica. Com apenas um ponto e a moral abalada, qualquer evolução será fundamental para recuperar terreno face à concorrência, não só para sair do fundo da tabela, mas também para manter pilotos e engenheiros motivados num projeto que prometia muito mais. O próximo desafio será o Grande Prémio da Hungria, onde a equipa espera já apresentar algumas melhorias técnicas. Perante a pressão dos adeptos e dos patrocinadores, Newey terá de conjugar a exigência de resultados imediatos com a necessidade de reconstruir uma base sólida para que a Aston Martin volte, a médio prazo, a ombrear com os melhores da Fórmula 1.

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