Toto Wolff questiona ritmo ilimitado de desenvolvimento da Ferrari

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Ferrari voltou a surpreender o paddock da Fórmula 1 com um ritmo de desenvolvimento verdadeiramente impressionante, deixando os principais rivais a questionar a equidade das regras. No rescaldo do Grande Prémio da Áustria, Toto Wolff, director da Mercedes, não escondeu a perplexidade quanto à capacidade da Scuderia para introduzir sucessivas melhorias no monolugar e ainda garantir um novo motor a meio da temporada, algo que os restantes candidatos ao título não conseguiram igualar.

Na classificação final do Grande Prémio da Áustria, Ferrari manteve-se entre os protagonistas, enquanto Mercedes e McLaren apostaram em pacotes de evolução mais espaçados. Na verdade, a Mercedes concentrou todos os esforços num pacote aerodinâmico substancial apresentado no Canadá, com novo aileron dianteiro, alterações na geometria do fundo e actualizações nas suspensões. McLaren e Red Bull seguiram uma estratégia semelhante, focando-se em grandes evoluções isoladas, suplementadas por pequenas peças aqui e ali. Em contraste, Ferrari tem apresentado múltiplos pacotes aerodinâmicos multi-elemento ao longo das últimas rondas, conforme divulgado nos relatórios técnicos da FIA antes de cada fim-de-semana de corrida.

O que verdadeiramente fez soar os alarmes em Brackley foi a estreia de uma nova evolução do motor Ferrari em Spielberg, fruto do regime ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities) implementado para as unidades motrizes rumo a 2026. Segundo dados oficiais, o motor de combustão interna (ICE) da Ferrari estava avaliado mais de quatro por cento abaixo do referencial, permitindo à equipa duas actualizações em pleno campeonato. A primeira já foi estreada na Áustria, estando a segunda ainda prevista para mais adiante na temporada.

Toto Wolff, em declarações à imprensa após a corrida austríaca, foi peremptório ao apontar o dedo à diferença de abordagem: “Os únicos que não estão a abrandar são a Ferrari”, afirmou o responsável austríaco. “Entre McLaren, Red Bull e nós próprios, pode ver-se que tivemos um grande pacote que introduzimos em Montreal, com pequenas peças entre as corridas. Penso que é igual para Red Bull e McLaren. Só a Ferrari parece não ter limites nesse aspecto.” Wolff acrescentou ainda, referindo-se ao novo motor: “E depois disso, estavam à espera do ADUO, mas já chegaram com um motor novo, por isso devem ter começado o desenvolvimento há seis meses. Esperemos que as regras sejam iguais para todos.”

A questão levantada por Wolff vai além da simples inveja competitiva. Num contexto de restrições orçamentais cada vez mais rigorosas e de controlo apertado por parte da FIA, a capacidade da Ferrari para avançar em simultâneo com desenvolvimento de chassis e motor levanta dúvidas legítimas sobre a aplicação uniforme do regulamento financeiro. Caso se confirme que a Scuderia está a operar dentro dos parâmetros estipulados, a sua estrutura técnica e financeira merece reconhecimento pela eficiência e antecipação estratégica.

O campeonato, entretanto, aquece com esta nova dinâmica. Ferrari ganha vantagem ao conseguir manter um fluxo constante de melhorias, enquanto Mercedes e McLaren vêem-se obrigadas a gerir recursos de forma mais cautelosa. Red Bull, apesar de se manter na luta, também não acompanhou o ritmo de evolução dos italianos. Com a segunda vaga de actualizações ADUO ainda por estrear, Ferrari poderá reforçar ainda mais a sua posição, tornando-se um alvo a abater nas próximas rondas.

O próximo capítulo do Mundial de Fórmula 1 será escrito em Silverstone, onde todas as equipas tentarão responder ao desafio lançado pela Scuderia. Os olhos estarão postos não só nos cronómetros, mas também nos bastidores, com a FIA certamente atenta à gestão orçamental de todos os intervenientes. Para já, a Ferrari sai moralizada e com argumentos renovados para lutar pelo campeonato, enquanto Mercedes, McLaren e Red Bull terão de encontrar novas soluções para fazer frente a esta força em ascensão.

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