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Como é que um Ferrari criticado na Europa esgotou na China?

Publicado a 30 de Junho de 2026, 16h00  ·  Atualizado a 7 de Setembro de 2026, 13h41  ·  2 min de leitura

Quando a Ferrari revelou o Luce, poucos imaginavam que o modelo pudesse tornar-se um sucesso comercial. O design polémico e a estreia da marca italiana no segmento dos desportivos elétricos dividiram opiniões, sobretudo na Europa. No entanto, na China, a história está a ser bem diferente.

Segundo o CarNewsChina, os 88 exemplares destinados ao mercado chinês foram vendidos poucos dias após a apresentação oficial do modelo em Xangai, demonstrando que o primeiro elétrico da Ferrari encontrou um público disposto a apostar nesta nova proposta da marca de Maranello.

O sucesso torna-se ainda mais surpreendente porque o Luce foi alvo de críticas praticamente desde a sua apresentação. Além do visual pouco consensual, até Luca di Montezemolo, antigo presidente da Ferrari, manifestou publicamente reservas em relação ao modelo, considerando que a marca corre o risco de se afastar da identidade que a tornou uma referência mundial.

Apesar disso, os clientes chineses parecem ter visto potencial onde muitos apenas viram controvérsia.

Na China, o Luce é comercializado por 3,98 milhões de yuans, o equivalente a cerca de 515 mil euros, um valor aproximadamente 7% inferior ao praticado na Europa, onde o preço ronda os 550 mil euros.

Mas o preço poderá não ser o principal motivo para a boa receção. De acordo com o CarNewsChina, este modelo foi desenvolvido a pensar nas exigências do mercado chinês, onde a Ferrari tem perdido terreno nos últimos anos. Em 2022, a marca vendeu cerca de 1.500 automóveis no país, representando quase 12% das vendas globais. Em 2025, esse número terá caído para cerca de 900 unidades.

Parte desta quebra explica-se pela forte carga fiscal aplicada aos automóveis com motor de combustão, enquanto os veículos elétricos beneficiam de incentivos e de uma tributação significativamente mais favorável.

Outro fator que poderá ter contribuído para o interesse dos clientes é o facto de o Luce ter sido desenvolvido de raiz como um automóvel elétrico, sem recorrer à adaptação de uma plataforma existente. Para muitos compradores chineses, isso representa uma abordagem mais moderna e tecnologicamente avançada.

Além disso, o mercado de luxo na China continua a valorizar fortemente a exclusividade. Citando meios locais, o CarNewsChina refere que os clientes de elevado poder de compra procuram automóveis capazes de simbolizar estatuto e diferenciação, e o Luce encaixa perfeitamente nessa filosofia, tornando-se, nas palavras de um dos meios chineses, “quatro milhões de yuans sobre rodas”.

Se na Europa continua a dividir opiniões, na China a Ferrari Luce já demonstrou que o design polémico nem sempre é um obstáculo ao sucesso comercial.

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Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  455 artigos

Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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