Adrian Newey esclarece saúde e define prioridade da Aston Martin para 2027

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Adrian Newey quebrou finalmente o silêncio e confirmou que atravessou recentemente problemas de saúde, ao mesmo tempo que revelou um dos grandes objetivos da Aston Martin para a temporada de 2027 da Fórmula 1. O conceituado diretor técnico, figura central do projeto da marca britânica, garantiu que está recuperado, após um início de época desafiante, tanto para si como para a equipa, que enfrenta dificuldades notórias com o monolugar AMR26.

O Grande Prémio da Hungria será o próximo teste para a Aston Martin, que ocupa atualmente as últimas posições do Mundial de Construtores de 2024, longe das expectativas geradas pela chegada de Newey e dos investimentos realizados em Silverstone. A equipa viu-se relegada para o fundo da grelha, com constantes problemas de fiabilidade e falta de competitividade, em particular relacionados com a unidade motriz Honda. O AMR26 tem sido incapaz de lutar pelos pontos, com tempos de volta significativamente atrás dos rivais directos: em Barcelona, por exemplo, Fernando Alonso ficou a mais de 1,2 segundos do tempo da pole position, não indo além do 14.º lugar na grelha, enquanto Lance Stroll também não passou à Q3.

Newey, ausente em várias corridas deste início de campeonato — após liderar a equipa em Melbourne, só voltou a ser visto no paddock em Monte Carlo —, explicou agora as razões dessas ausências. “Estou melhor agora, mas foi um período difícil. Como disse anteriormente, quando chove, é sempre a potes”, começou por referir, em declarações ao site oficial da Aston Martin. “Na verdade, no ano passado já não estava a cem por cento. Tive de equilibrar muito melhor a saúde e o trabalho. A equipa geriu tudo de forma incrível. Mantive uma excelente relação com os engenheiros e não sinto que tenha havido grandes quebras. Isso é um testemunho da capacidade de adaptação e do apoio de todos aqui”, sublinhou o engenheiro britânico, de 67 anos.

No plano desportivo, Newey detalhou o impacto que o desenvolvimento tardio do AMR26 teve no rendimento da equipa esta época, forçando todo o departamento técnico a correr atrás do prejuízo perante adversários mais preparados. “Estamos, de facto, numa fase prematura de investigação para o carro de 2027. Agora, tratam-se de decisões estruturais: onde posicionar o motor na distância entre eixos, como colocar o chassis e quais as escolhas fundamentais que influenciam componentes de desenvolvimento mais demorado”, explicou Newey, clarificando que a Aston Martin já está focada na próxima geração de monolugares. “Estamos a analisar conceitos de suspensão dianteira e traseira, o formato da caixa de velocidades — tudo aquilo que tem forte impacto na aerodinâmica. Um dos grandes objetivos é lançar o carro de 2027 para produção muito mais cedo, para não colocarmos todos sob a mesma pressão que vivemos este ano. Assim, poderemos optimizar peso, rigidez e detalhes de forma muito mais eficaz.”

A liderança técnica de Newey, aliada à aposta em recursos humanos experientes e a um investimento contínuo nas infraestruturas de Silverstone, fazem acreditar que os erros de 2024 não se vão repetir. O próprio reconhece a importância de iniciar o desenvolvimento do próximo monolugar com uma base sólida, apostando numa arquitetura que permita explorar ao máximo as novas regras técnicas previstas para 2026 e 2027.

Com novas evoluções anunciadas para o Grande Prémio da Hungria, a Aston Martin prepara-se para mais um teste crucial, na esperança de inverter o ciclo negativo e amealhar pontos importantes. No entanto, a luta pelo topo do campeonato parece já fora de alcance este ano, pelo que as atenções estão claramente voltadas para 2025 e sobretudo para o revolucionário carro de 2027. O trabalho de Newey poderá ser determinante para devolver a equipa à luta pelas vitórias, algo que os adeptos britânicos e Fernando Alonso, em particular, desejam há muito tempo.

A próxima ronda em Hungaroring será decisiva para avaliar as melhorias introduzidas e perceber se a Aston Martin consegue aproximar-se do pelotão intermédio. A rivalidade com McLaren, Mercedes e Ferrari continua acesa, mas para já, o foco está em recuperar a confiança interna e preparar o futuro. O campeonato segue, mas para a equipa de Silverstone, o verdadeiro desafio já começou nos bastidores, com o desenvolvimento do AMR de 2027 a ganhar cada vez mais protagonismo.

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