A expectativa de ver a McLaren a lançar a sua inovadora asa traseira tipo ‘Macarena’ na Áustria caiu por terra, depois de Oscar Piastri confirmar que a solução não será utilizada na qualificação nem na corrida deste fim-de-semana. Apesar da especulação em torno do potencial desta tecnologia, a equipa de Woking optou por adiar a estreia competitiva do novo componente, limitando-se a recolher dados durante as sessões de treinos livres no Red Bull Ring.
Nos treinos livres do Grande Prémio da Áustria, em Spielberg, a McLaren equipou o MCL40 de Lando Norris com a versão experimental da asa traseira rotativa, sistema que foi inicialmente introduzido pela Ferrari nos testes de pré-época e posteriormente adaptado pela Red Bull em Miami. Este mecanismo permite ao elemento superior da asa traseira rodar sobre o seu eixo, optimizando a eficiência aerodinâmica em recta – conhecido como ‘Straight Mode’. Contudo, a equipa britânica esclareceu que, apesar de o dispositivo ter estado em pista, não será utilizado em condições de qualificação e corrida, com Piastri a indicar: “Não, não vamos correr com ela”, afirmou o australiano aos media no paddock austríaco. “Acredito que está no carro do Lando [nos treinos]. É apenas para testar, ainda não está pronta para competir. Obviamente, já vimos algumas soluções criativas, mas não vêm sem desafios, claramente. Não será usada em corrida, mas é útil experimentá-la.”
Após uma série de resultados menos expressivos, a McLaren encontra-se actualmente a tentar recuperar terreno face a rivais directos, como a Ferrari, que emergiu como principal ameaça à liderança da Mercedes nas últimas corridas. Em Barcelona, a Ferrari apresentou várias evoluções significativas, enquanto a Mercedes mantém-se como referência, embora a distância para os perseguidores tenha encurtado. Piastri reconhece as dificuldades do momento e o carácter volátil do desenvolvimento técnico nesta fase do campeonato: “Acho que vai ser difícil”, comentou sobre as perspectivas na Áustria. “A Ferrari trouxe bastantes melhorias em Barcelona. A Mercedes continua a ser o ponto de referência, talvez não tão à frente nestas condições. As coisas mudam muito rapidamente. Todos estão a aprender muito sobre os seus carros a cada saída para a pista. Mudam muito os carros, por isso é difícil prever. Talvez consigamos aproximar-nos, mas, para já, dependemos um pouco dos outros cometerem erros ou as coisas correrem-nos de feição, em vez de sermos nós a ditar o ritmo.”
O Grande Prémio da Áustria representa a 11.ª ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2024. Com a McLaren a tentar regressar aos lugares do pódio e a Ferrari a pressionar a Mercedes, o equilíbrio de forças está longe de ser definitivo. O programa de treinos livres de Norris, equipado com a inovadora asa traseira, servirá para recolher dados cruciais que poderão ser fundamentais para futuras evoluções do MCL40. Entretanto, Piastri e a equipa técnica mantêm o foco na fiabilidade e no ritmo de corrida, apostando num compromisso que permita maximizar resultados, mesmo sem recorrer a componentes experimentais.
A abordagem conservadora da McLaren pode revelar-se estratégica a médio prazo, ao evitar riscos desnecessários numa fase em que cada ponto é precioso. O pelotão da frente está mais competitivo do que nunca, com Mercedes, Ferrari e McLaren separados por margens cada vez mais reduzidas. Após a prova austríaca, a Fórmula 1 ruma a Silverstone, onde a McLaren espera apresentar-se mais forte, eventualmente já com a nova asa traseira homologada para competição. O desfecho na Áustria poderá influenciar as decisões técnicas e estratégicas para o resto da temporada, num campeonato onde a inovação e a capacidade de adaptação continuam a ser decisivas.
Os adeptos portugueses poderão esperar um fim-de-semana repleto de incerteza e emoção, com a McLaren a tentar surpreender na luta pelas melhores posições e a manter-se vigilante face às evoluções dos seus principais adversários. O desenvolvimento tecnológico e a gestão das novidades aerodinâmicas serão temas centrais, garantindo que o Grande Prémio da Áustria terá impacto directo na evolução do campeonato e nas aspirações de cada equipa.
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