Decisão polémica em Monaco preocupa os pilotos e pode criar precedente

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Quase três semanas após o Grande Prémio do Mónaco, o resultado oficial da prova continua por confirmar, devido ao prolongado impasse provocado pelos recursos apresentados pela McLaren e pela Red Bull. Pierre Gasly, da Alpine, terminou a corrida em terceiro lugar, mas foi inicialmente relegado para sétimo após receber duas penalizações de cinco segundos por excesso de velocidade na via das boxes. No entanto, a Alpine utilizou o Direito de Revisão, sendo-lhe dada razão quando se apurou que a Fórmula 1 Management, responsável pela cronometragem, cometeu um erro no cálculo da distância dos sensores de entrada da via das boxes. Com isto, as penalizações foram anuladas e Gasly recuperou o terceiro lugar, os 15 pontos e o troféu, que tinham sido atribuídos provisoriamente a Isack Hadjar, da Red Bull.

O caso, longe de se encerrar, escalou ainda mais quando McLaren e Red Bull decidiram recorrer da decisão dos comissários, argumentando que outros pilotos – incluindo Oscar Piastri – cumpriram penalizações semelhantes durante a corrida. Três semanas passadas sobre a bandeira de xadrez no Mónaco, os resultados da prova continuam por oficializar, numa situação inédita e que lança dúvidas sobre a consistência dos regulamentos.

Oscar Piastri, piloto da McLaren, mostrou-se particularmente crítico quanto ao precedente criado. Durante a conferência de imprensa da FIA na Áustria, Piastri comentou: “A lição mais óbvia é garantir que a via das boxes está medida corretamente, esse é um bom ponto de partida.” O australiano acrescentou que “o que torna isto complicado é que a Alpine contestou a penalização, toda a gente questionou as penalizações. Nunca vi uma corrida assim, com tantas penalizações por excesso de velocidade na via das boxes, e no meu caso específico sabia que não estava a exceder o limite”.

O piloto sublinhou ainda que a abordagem habitual é aceitar a penalização sem contestação, o que em 99% dos casos é positivo. Contudo, alertou para o risco de, sempre que uma equipa ou piloto considerar uma penalização injusta – ou acreditar que pode reverter a decisão –, se abrir o precedente de prolongar indefinidamente o resultado das corridas: “Corremos o risco de as equipas deixarem de cumprir as penalizações na esperança de as contestar depois, o que pode deixar a classificação em suspenso durante semanas. Ninguém quer isso”, referiu Piastri, deixando claro o desconforto com a incerteza instalada.

Já anteriormente, Piastri classificara a decisão como “muito, muito nebulosa”, admitindo que ficou “perplexo” por o Direito de Revisão da Alpine ter tido seguimento: “Já disse o que tinha a dizer. Obviamente estamos a recorrer, mas não é nada contra o Pierre ou a Alpine. Simplesmente, se soubéssemos que certas situações se iam desenrolar assim, teríamos tomado decisões diferentes em pista, e não achamos isso correto. Agora, resta esperar para ver o que sai daqui”, explicou o australiano.

A polémica reacendeu as discussões sobre a precisão dos sistemas de cronometragem e a clareza dos regulamentos, ao mesmo tempo que alimenta a rivalidade entre Alpine, McLaren e Red Bull, todas envolvidas na luta pelo pódio em Mónaco e, por consequência, por pontos cruciais para o Campeonato do Mundo de Fórmula 1. A incerteza quanto à classificação da corrida afecta directamente a tabela de pilotos e construtores, podendo alterar não só a distribuição de pontos, mas também o moral das equipas e a estratégia para as próximas provas.

Com a próxima ronda marcada para o Red Bull Ring, na Áustria, a expectativa cresce quanto à resolução definitiva deste imbróglio. Caso a decisão final mantenha a penalização anulada, a Alpine reforça a sua posição no campeonato, enquanto McLaren e Red Bull sairão prejudicadas na luta direta pelos lugares do pódio. Por outro lado, uma reversão poderá não só retirar a Gasly o terceiro posto, como lançar dúvidas sobre a segurança jurídica das decisões dos comissários em provas futuras.

Enquanto o pelotão se prepara para a prova austríaca, o caso do Mónaco serve de aviso para a necessidade de regras claras, sistemas de medição sem falhas e decisões rápidas, sob pena de se minar a confiança dos adeptos e a integridade do campeonato. O desfecho do recurso poderá definir não só o resultado de uma das corridas mais emblemáticas do calendário, mas também os procedimentos em casos polémicos daqui para a frente.

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