No rasto da polémica corrida do Grande Prémio do Canadá, novas imagens de rádio da equipa McLaren, nunca antes transmitidas, revelam pormenores cruciais que explicam o dramático desfecho de Oscar Piastri em Montreal. Momentos antes da colisão com Alex Albon, o jovem piloto australiano recebeu alertas sobre temperaturas elevadíssimas nos travões traseiros, um sinal de alerta que prenunciava o caos que viria a seguir.
A estratégia da McLaren falhou redondamente: tanto Piastri como Lando Norris começaram a prova com pneus intermédios num asfalto a secar, obrigando a paragens prematuras para trocar os compostos. Norris acabou por abandonar devido a problemas na caixa de velocidades, enquanto Piastri, já a duas voltas do pelotão, viu-se envolvido num incidente que o forçou a trocar a asa dianteira e lhe valeu uma penalização de 10 segundos, por causar a saída de Albon da corrida.
A rádio da equipa, agora revelada, mostra a tensão crescente. O engenheiro de pista Tom Stallard alertava Piastri para a gestão das temperaturas nos travões traseiros, um desafio habitual em Montreal dada a exigência das zonas de travagem. Na saída da chicane das curvas 8 e 9, Piastri queixava-se de dificuldades na mudança de velocidades: “Shifts are still quite bad”, confessou. Stallard respondeu: “Copy. We are managing brake temperatures at the back.” Poucos segundos depois, no hairpin da curva 10, Piastri bloqueou as rodas e, ao tentar ultrapassar Oliver Bearman, acabou por colidir com o Williams de Albon.
O drama não ficou por aqui. No rádio da equipa de Albon, o engenheiro James Urwin revelou-se perdido: “I’m blind on an onboard here.” O próprio piloto foi quem anunciou o impacto: “I got hit.” Sem certezas, Urwin questionou: “By a McLaren?” e Albon respondeu resignado: “I don’t know, I’m out.”
Após a corrida, Piastri mostrou arrependimento e humildade. “Não estava a tentar ultrapassar o Alex – apenas bloqueei as rodas e aconteceu. Sinto muito por ele e pela Williams,” afirmou o australiano, reconhecendo a dificuldade da corrida: “O nível de aderência era algo que nunca tinha experimentado antes. Achei que um bom resultado ainda era possível, mas acabou por ser um dia complicado.”
Também Albon partilhou a sua visão: “Estávamos rodeados de carros com intermédios, o que nos atrasou nas primeiras voltas. Depois, fomos ultrapassando um a um até quase alcançarmos o Pierre Gasly. Só restavam o Franco Colapinto e o Liam Lawson à nossa frente, mas infelizmente o Oscar tentou acompanhar-me na manobra e acabou por errar.”
Este episódio vem sublinhar a exigência extrema do circuito de Montreal e os riscos inerentes a decisões estratégicas arriscadas. Para Piastri, a corrida canadiana ficará certamente marcada como uma lição dura, mas essencial para o desenvolvimento do piloto que promete ser uma das grandes estrelas da Fórmula 1. A McLaren, por sua vez, terá de afinar a estratégia para evitar erros que custam pontos preciosos num campeonato que se joga ao milésimo.




