A Ferrari chega ao Grande Prémio do Mónaco com o estatuto de favorita incontestada, num cenário onde a concorrência não esconde o receio perante o potencial da equipa italiana em dominar as ruas estreitas e técnicas de Monte Carlo. Este favoritismo ganhou ainda mais força após a prova no Canadá, onde Lewis Hamilton, apesar da reconhecida desvantagem da Ferrari em velocidade máxima, terminou numa impressionante segunda posição, deixando claro que o Principado pode ser o palco ideal para a Scuderia brilhar.
O próprio sete vezes campeão mundial, Lewis Hamilton, destacou o impacto do resultado canadiano nas expectativas para Mónaco: “Tendo em conta que este é um circuito com grande ênfase na velocidade de ponta e que conseguimos aguentar e obter este resultado, isso dá-me grandes esperanças para o que está para vir. Temos menos potência do que os outros. Mesmo com o modo ultrapassagem, eles ainda têm mais potência nas retas. Mas Monaco deve ser divertido.” Um reconhecimento direto da fraqueza da unidade motriz da Ferrari, que se torna menos penalizadora num traçado onde as retas são escassas e a técnica reina.
Lando Norris, piloto da McLaren, não hesitou em colocar a Ferrari no topo da lista de favoritas para a pole position, reforçando a ideia de que a equipa italiana tem um carro claramente superior para as exigências de Monte Carlo. Esta visão é partilhada por Andrea Stella, chefe da McLaren, que fundamentou a análise com dados precisos de GPS, confirmando a superioridade da Ferrari nas zonas de curva e travagem: “Olhando para os dados de GPS, é claro que a Ferrari é muito competitiva nas curvas. Vimos isso aqui em Montreal no primeiro setor. É também crucial passar bem pelos ressaltos. A Ferrari perde a maior parte do seu tempo nas retas. Mas não há muitas no Mónaco. É por isso que o Lando tem razão em ver a Ferrari como favorita para a pole position.”
Stella destacou ainda um ponto fundamental para a prova no Principado, relacionado com a gestão da energia das unidades motrizes que será crucial na próxima temporada de 2026: “O circuito de Mónaco, com os seus inúmeros pontos de travagem intensa, permitirá ainda aos pilotos recarregar as baterias de forma mais natural, aliviando as críticas à gestão de energia nas novas unidades motrizes de 2026.”
Apesar de reconhecer o favoritismo da Ferrari, Andrea Stella vê potencial de competitividade na McLaren dada a natureza do traçado: “No seu estado atual de desenvolvimento, o monolugar da McLaren é mais adequado para curvas lentas do que para curvas de média e alta velocidade. Vejo a Ferrari como favorita, mas a McLaren também deverá ser competitiva.”
Com a Ferrari a dominar a conversa e as atenções, o GP do Mónaco promete ser uma batalha intensa onde a técnica, habilidade e estratégia podem desequilibrar a balança. Contudo, o favoritismo da Scuderia é agora uma realidade assumida até pelos seus principais adversários, que já preparam uma resposta à altura para contrariar a supremacia italiana nas ruas mais icónicas do calendário da Fórmula 1.




