Sébastien Ogier bateu finalmente o azar e conquistou a vitória no Rali da Acrópole, na Grécia, após um duelo intenso com Thierry Neuville, decidido por um duplo furo do belga na penúltima especial. Esta foi a primeira vitória de Ogier neste mítico evento desde 2011, colocando um ponto final numa espera de 13 anos e relançando a emoção no Campeonato do Mundo de Ralis.
Ogier, ao volante do Toyota GR Yaris Rally1, completou o rali com uma vantagem confortável de 32,6 segundos sobre Neuville, que liderara a prova durante grande parte do fim de semana. O francês assumiu a liderança na manhã de domingo, depois de passar a atacar o campeão do mundo de 2024 durante o sábado, reduzindo diferença especial após especial. No entanto, foi a segunda passagem pelos Aghii Theodori que decidiu tudo: Neuville viu-se forçado a parar devido a dois furos nos pneus traseiros, perdendo mais de um minuto e qualquer hipótese realista de lutar pela vitória até ao fim. O pódio ficou completo com Takamoto Katsuta, que garantiu o terceiro lugar, a 1m16s do vencedor, apesar de ter sido o segundo carro em pista na sexta-feira e de um problema com a delaminação de um pneu na SS4.
O resultado tem impacto imediato na luta pelo título. Elfyn Evans, líder do campeonato, teve um rali para esquecer na Grécia: apenas sétimo classificado e um único ponto extra conquistado na powerstage, vê a sua vantagem reduzida para apenas sete pontos sobre Katsuta. Ogier sobe ao terceiro lugar do campeonato, ficando agora a 33 pontos do topo, enquanto Sami Pajari ocupa a quarta posição, a 44 pontos de Evans. Adrien Fourmaux, que sofreu quatro furos ao longo do rali e terminou em sexto, é o melhor Hyundai, 61 pontos atrás do líder e apenas dois à frente de Neuville.
No final, Thierry Neuville mostrou-se resignado, mas valorizou a competitividade do Hyundai i20 N Rally1: “Dissemos antes, faz parte da lotaria em algumas secções”, confessou o belga à chegada. “Estava a tentar fazer o que podia, passámos por algumas pedras mas, honestamente, com estas tão pequenas, não há muito a fazer.” Já no final do rali, manteve a postura desportiva: “Estou entre a desilusão e alguma alegria, porque voltámos a ter um carro com bom desempenho e senti-me confortável. São sentimentos mistos. Dou os parabéns ao Ogier, fez uma corrida incrível, foi muito renhido. Em Portugal beneficiámos do furo dele e agora ele beneficiou do nosso, faz parte dos ralis.”
Sébastien Ogier, visivelmente emocionado, dedicou a vitória à sua persistência: “Finalmente, os deuses gregos estão do meu lado!”, exclamou o francês na meta. “Foi um fim de semana longo. Sabíamos que não podíamos relaxar até à powerstage, que estava muito dura. Não pude forçar, limitei-me a conduzir o mais suavemente possível, a sentir cada pedra. É uma pequena vingança pelo que perdemos em Portugal.”
Takamoto Katsuta, satisfeito com o quarto pódio da época, explicou: “Foi bastante difícil no início, mas sabíamos ao que íamos. Tentámos gerir da melhor forma e correu muito bem. Só queria evitar o risco de furos e, felizmente, conseguimos. Foi uma verdadeira lotaria, mas sobrevivemos.”
Josh McErlean conseguiu o melhor resultado da carreira, terminando em quarto depois de escapar a um susto na penúltima especial, onde ficou atolado fora de estrada mas conseguiu regressar à pista, perdendo quase um minuto mas segurando o posto frente a Pajari e Fourmaux. O irlandês agradeceu: “Não tornámos as coisas fáceis para nós próprios na especial anterior. Um enorme obrigado a toda a equipa e a todos os que acreditaram em nós, pois tem sido um início de ano muito difícil.”
Adrien Fourmaux, que chegou a discutir o pódio mas foi travado por dois furos no domingo, lamentou: “Tenho de agradecer à equipa, tivemos provavelmente o melhor carro para lutar pela vitória. Estou confiante para os próximos ralis de terra, foi apenas uma pena o que aconteceu este fim de semana.”
Destaque ainda para Robert Virves, que somou a segunda vitória consecutiva em WRC2, após superar o colega de equipa Andreas Mikkelsen, penalizado por um furo que o obrigou a parar. Alejandro Cachón fechou o pódio da categoria, beneficiando do azar de Jan Solans, forçado a abandonar antes da powerstage.
Com a próxima ronda marcada para a Estónia, o campeonato fica totalmente relançado. Evans vê a liderança ameaçada, Katsuta e Ogier ganham novo fôlego, e a Hyundai promete voltar à luta após o desempenho competitivo na Grécia. O Rali da Acrópole demonstrou, mais uma vez, que os ralis continuam imprevisíveis e só terminam mesmo na última especial – cada pedra pode decidir o desfecho do campeonato.
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