Mercedes e Ferrari apostam em estratégias ousadas para a corrida na áustria

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O calor sufocante e o asfalto abrasivo do Red Bull Ring prometem uma das corridas mais imprevisíveis do calendário, com a luta estratégica entre Mercedes e Ferrari a dominar as atenções no Grande Prémio da Áustria. As duas Ferrari arrancam cercadas pelas Mercedes, com Russell e Antonelli a pressionar Leclerc e Sainz, numa grelha que deixa antever múltiplos cenários táticos, onde a gestão dos pneus poderá decidir o desfecho da prova.

Segundo a Pirelli, uma única paragem nas boxes está praticamente descartada devido ao elevado desgaste térmico dos pneus, provocado por temperaturas acima de 50°C no asfalto de Spielberg. Simone Berra, engenheiro-chefe da Pirelli, afirmou: “Os desgastes são mais elevados do que prevíamos antes do evento. À partida, a estratégia de apenas uma paragem parecia viável, sendo apenas 3 a 4 segundos mais lenta, mas agora acreditamos que as duas paragens são a opção mais rápida.” Berra explicou ainda que partir com pneus médios e alternar para dois jogos de duros, ou mesmo seguir a sequência médio-duro-médio, são as alternativas de eleição. Curiosamente, as principais equipas dividiram-se entre reservar dois jogos de duros e dois médios, com Max Verstappen, da Red Bull, a manter ambos para maximizar a flexibilidade estratégica.

O papel da borracha mais macia, a soft, também não está fora de equação. “Sobre o composto soft, abre-se um capítulo interessante. Sabemos que as equipas hesitam por experiências passadas, mas aqui vimos uma utilização mais frequente. Pode garantir vantagem nos primeiros 3-4 giros, com um desgaste alinhado aos outros compostos”, sublinhou Berra. Recorde-se que em Barcelona foi Lewis Hamilton a arriscar partir com soft, estratégia que poderá ser replicada por alguns em Spielberg para tentar ganhar posições cruciais logo no arranque, especialmente devido à importância de rodar em ar limpo e ao impacto do tráfego no desgaste dos pneus.

As semelhanças com o traçado catalão são evidentes, embora existam nuances. O asfalto austríaco, envelhecido e de elevada rugosidade, potencia a geração de calor e degradação, sobretudo no eixo traseiro devido às frequentes zonas de tração a baixa velocidade. “Aqui, a gestão das temperaturas nos pneus traseiros é fundamental para garantir um bom ritmo de corrida”, explicou ainda o engenheiro da Pirelli. Tal como em Espanha, existe a possibilidade de alguns pilotos mais agressivos optarem por três paragens — uma estratégia que só fará sentido para quem conseguir evitar o tráfego e regressar sempre à pista em condições de ar limpo.

O contexto do campeonato adensa ainda mais a pressão sobre Mercedes e Ferrari. A luta pelo segundo lugar no Mundial de Construtores está ao rubro, com a Ferrari a tentar recuperar terreno à Red Bull, enquanto a Mercedes procura afirmar-se como a segunda força do pelotão após os primeiros sinais de recuperação nas últimas corridas. George Russell e Andrea Kimi Antonelli têm a missão de contrariar o poderio das Ferrari, que partem motivadas depois de sinais positivos na qualificação. O próprio Verstappen, apesar de não arrancar da pole position, não pode ser descartado, dada a flexibilidade estratégica da Red Bull e a sua capacidade de adaptação.

Após a sessão de qualificação, Charles Leclerc mostrou-se cauteloso mas otimista: “Sabemos que a degradação dos pneus vai ser o maior desafio. Trabalhámos muito na gestão do ritmo para a corrida e penso que podemos lutar pela vitória se acertarmos na estratégia.” Por seu lado, George Russell sublinhou: “A Mercedes está a dar passos consistentes em termos de performance e temos opções estratégicas para atacar amanhã.” Simone Berra, da Pirelli, concluiu: “Espero que alguém arrisque com a soft no início, pode ser decisivo para fugir ao tráfego.”

Olhando para o que se segue, o desfecho deste Grande Prémio poderá provocar mudanças importantes na hierarquia do campeonato, especialmente entre Ferrari e Mercedes. Com Silverstone já no horizonte, cada ponto conquistado na Áustria será crucial para consolidar posições ou recuperar terreno perdido. O paddock prepara-se para uma corrida onde a estratégia será a palavra-chave e onde quem melhor souber ler a evolução dos pneus poderá sair de Spielberg com vantagem moral e pontual para o resto da temporada.

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