O regresso de Liam Lawson à Racing Bulls, após um curto e polémico período na Red Bull, marcou um dos momentos mais debatidos da época. O piloto neozelandês viu-se afastado da equipa principal depois de apenas dois fins-de-semana ao volante do RB21, numa decisão rodeada de justificações sobre alegadas dificuldades mentais, mas que Lawson faz questão de refutar de forma veemente.
Na temporada de 2026 da Fórmula 1, Lawson foi chamado à Red Bull para substituir temporariamente Max Verstappen, após uma fase de testes promissora na equipa-satélite. No entanto, a sua passagem pela equipa de Milton Keynes ficou-se por apenas duas corridas, ambas em circunstâncias complicadas. Na qualificação para o Grande Prémio da Austrália, Lawson arrancou da 18.ª posição, acabando por partir da via das boxes devido a alterações de última hora no RB21, após problemas identificados em parque fechado. Numa corrida marcada por seis acidentes, Lawson foi um dos pilotos envolvidos, não conseguindo terminar. O segundo fim-de-semana, na China, começou com o último lugar na qualificação da Sprint, mas o neozelandês recuperou para terminar em 14.º na corrida curta. Na qualificação para o Grande Prémio, voltou a ser 20.º, aumentando a pressão sobre o seu desempenho.
Apesar das dificuldades, Lawson acredita que esteve longe de ser justamente avaliado. “Tínhamos falado sobre tentar algo bastante radical no carro, não só para me dar mais conforto, mas porque a equipa, colectivamente, não estava satisfeita, nem o Max. Decidimos arriscar, mudar completamente o carro e arrancar da via das boxes. Foi uma alteração enorme, algo que nunca se faz num fim-de-semana de corrida”, explicou Lawson no podcast High Performance. O piloto defende que o “tiro no escuro” não resultou, mas compreendeu-se o motivo da aposta. “Depois fui para o Reino Unido, para o simulador, e na segunda-feira ligam-me a dizer ‘vamos trocar-te’. Usaram essa prestação contra mim, mas não aceito que me julguem só por essas duas corridas, em circuitos novos para mim e numa situação tão atípica. É um desporto de equipa, todos trabalham juntos, e não senti isso naquele momento”, acrescentou Lawson.
A decisão da Red Bull foi comunicada oficialmente pelo então chefe de equipa, Christian Horner, que justificou a troca como uma medida de “protecção” do piloto, sublinhando alegadas dificuldades mentais. “Com tudo o que vimos na Austrália e na China, percebeu-se que estava a afectar o Liam bastante. Talvez, com mais meio ano, ele chegasse lá, mas não temos esse tempo. Foi algo muito claro para o lado da engenharia, o quanto o Liam estava a sofrer com tudo isto”, afirmou Horner à Sky Sports. Horner reiterou que, apesar de ser uma decisão dura, “às vezes é preciso ser cruel para ser bondoso”, sublinhando que não seria o fim da linha para Lawson.
Lawson, por seu lado, rejeita categoricamente esta narrativa. “Toda a situação foi retratada como se eu estivesse a passar por dificuldades mentais e que me estavam a proteger, mas nada podia estar mais longe da verdade. Na altura, já se falava que estava a ter um momento difícil, que devia estar a sofrer mentalmente, mas preferi assumir responsabilidade e dizer que podia fazer melhor, em vez de me pôr a desmentir tudo. Após cada corrida, tentei mostrar gratidão e reconhecer que precisava de fazer melhor, mas isso foi usado para criar a história de que estava a ter dificuldades mentais”, clarificou Lawson. O neozelandês revelou ainda que optou por silenciar todas as contas de Fórmula 1 nas redes sociais devido à onda de especulação e comentários negativos. “Há tanto disso na Fórmula 1 que, ao início, custa, mas com o tempo deixa-se de ligar. Se dermos atenção a todos os rumores, acabamos por enlouquecer”, rematou.
O episódio não travou a ascensão de Lawson na Racing Bulls, onde rapidamente se afirmou como o piloto principal da equipa em 2026, somando 28 pontos contra os 13 do seu colega Arvid Lindblad, e colocando a formação na 6.ª posição do Mundial de Construtores. A consistência e maturidade demonstradas em pista silenciaram muitos críticos, relançando o seu nome na lista de potenciais candidatos a lugares de topo para a próxima temporada.
Segue-se agora o Grande Prémio dos Países Baixos, onde Lawson terá nova oportunidade para consolidar o seu estatuto e continuar a somar pontos importantes tanto para a equipa como para a sua carreira. A luta interna com Lindblad promete animar as próximas provas, enquanto o mercado de pilotos para 2027 começa já a agitar-se nos bastidores. A Red Bull, por seu lado, terá de justificar as suas opções perante a crescente pressão mediática e os desempenhos consistentes do seu ex-piloto, que não esconde o desejo de regressar ao topo. O campeonato está ao rubro, e a história de Liam Lawson promete continuar a dar que falar no circo da Fórmula 1.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
