Isack Hadjar voltou a surpreender o paddock ao bater Max Verstappen na qualificação do Grande Prémio do Canadá, igualando uma proeza que poucos conseguiram desde que o neerlandês se tornou a referência absoluta da Red Bull Racing. Com 1:12.382, Hadjar garantiu o quarto lugar na grelha, superando Verstappen por apenas 0,08 segundos, enquanto ambos se preparavam para uma corrida onde a luta interna da equipa promete continuar a dar que falar.
Na corrida, Verstappen recuperou a habitual supremacia, terminando em segundo lugar a apenas 2,1 segundos de Lando Norris, vencedor da prova. Hadjar, por seu lado, cruzou a meta em quarto, a 4,8 segundos do compatriota Charles Leclerc, consolidando a melhor série de resultados da sua ainda curta carreira na Fórmula 1. Este desempenho coloca Hadjar no sexto lugar do Mundial de Pilotos, com 52 pontos, apenas dois atrás de Carlos Sainz, e reforça a vantagem da Red Bull no Mundial de Construtores, agora com 35 pontos sobre a McLaren.
A ascensão meteórica de Hadjar não passou despercebida, sobretudo quando comparada com os desempenhos de antigos companheiros de Verstappen, como Sergio Pérez, Liam Lawson ou Yuki Tsunoda – todos incapazes de ameaçar verdadeiramente o domínio do campeão. Hadjar já conseguiu superar Verstappen em duas qualificações esta temporada e, noutras quatro ocasiões, ficou a menos de 0,12 segundos do neerlandês, sinal claro de que a luta interna na Red Bull está mais acesa do que nunca. Para Hadjar, cada volta é uma prova de fogo: “Não há tempo para preguiça, sinceramente. Sempre que vou para a pista, ele faz uma volta e é o nível mais alto que já vi. É como pensar: ‘Ok, tenho de dar um grande passo aqui’ – e exige muito para sequer conseguir igualar ou aproximar-me disso”, explicou o jovem francês após a qualificação em Montreal.
Questionado sobre a relação com Verstappen e se existe partilha de conselhos, Hadjar foi perentório. “Ele definitivamente não me pede conselhos, mas se eu lhe perguntar algo, responde. Se preciso de informação, ele é muito aberto, muito simpático. Não esconde nada, porque sabe que é forte”, afirmou, deixando claro que, apesar da rivalidade, existe respeito e uma saudável troca de experiências dentro da equipa. Para Hadjar, o verdadeiro desafio é lidar com a pressão de ter um tricampeão mundial como referência: “Sempre que estou em pista, sei que preciso de ir buscar tudo o que tenho, porque é incrivelmente impressionante”.
Naturalmente, o processo de adaptação ao topo da Fórmula 1 não tem sido isento de erros. Em Miami, Hadjar despistou-se e abandonou a corrida, enquanto em Monte Carlo tocou nos rails durante os treinos livres. No entanto, o próprio piloto encara estes percalços com maturidade: “Idealmente, não repetes os erros. Esse é o objetivo. Não é sempre fácil, mas não me preocupo muito. Sou jovem, é o meu segundo ano, cometo os erros agora. Quando tiver um carro para ser campeão do mundo, já não os cometo. Essa é a ideia. Neste momento estou mais focado na minha própria performance. Posso comparar-me com o melhor do pelotão, e é nisso que coloco o meu foco”, afirmou Hadjar, mostrando ambição e confiança num futuro promissor.
A próxima ronda será o histórico Grande Prémio de Silverstone, onde a Red Bull espera consolidar a liderança e Hadjar tentará, uma vez mais, desafiar Verstappen no confronto direto. Com o campeonato a meio e a luta interna cada vez mais renhida, a pressão aumenta para ambos os pilotos. Hadjar já provou que não está apenas a aprender – está a ameaçar o estatuto do líder. A intriga está lançada: poderá o jovem francês forçar uma mudança de hierarquia na Red Bull e baralhar as contas do título? O duelo continua já no próximo fim de semana, com toda a atenção centrada na box da equipa de Milton Keynes.
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