Laurent Mekies alerta que melhorias da Red Bull na áustria não chegam para liderar

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O muito aguardado pacote de evoluções da Red Bull para o Grande Prémio da Áustria promete trazer novidades ao RB22, mas Laurent Mekies já veio travar o entusiasmo, afirmando que estas melhorias, por si só, não serão suficientes para colocar a equipa na luta direta pelo topo da classificação com Ferrari, McLaren e Mercedes. Depois de um quarto lugar algo solitário de Max Verstappen em Barcelona, a escuderia austríaca chega à sua prova “caseira” com a pressão de apresentar resultados que justifiquem o trabalho intenso desenvolvido em Milton Keynes.

Na última ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, no Circuito de Barcelona-Catalunha, Verstappen terminou a 25,2 segundos do vencedor, Lewis Hamilton, que deu à Mercedes a primeira vitória da temporada. Charles Leclerc e Lando Norris completaram o pódio, ambos a mostrarem um andamento superior ao Red Bull. O RB22 viu-se especialmente penalizado nas curvas de média e alta velocidade, onde a diferença para a frente rondou os “três a quatro décimos por volta”, segundo Mekies, um valor que, apesar de representar um progresso face ao início da época, continua a ser uma barreira significativa na luta pelas vitórias.

A importância deste pacote de evoluções na Áustria não se esgota apenas no resultado imediato. A Red Bull procura, com estes desenvolvimentos, manter-se na trajetória de aproximação aos líderes, numa fase em que a gestão estratégica dos upgrades pode ditar o sucesso ou o fracasso do campeonato. Ferrari, por exemplo, apresentou em Barcelona um conjunto de melhorias substancial — nova asa dianteira, fundo, difusor e alterações ao fluxo de ar — que se traduziram num claro salto competitivo. “O panorama da temporada define-se pelas oscilações de performance consoante as equipas trazem as suas evoluções”, sublinhou Mekies no rescaldo da prova espanhola.

Em declarações aos jornalistas após o Grande Prémio de Espanha, Mekies explicou: “Ainda existe uma diferença, não há dúvida, tanto do lado do motor como do chassis, e é isso que temos de combater a seguir. Já não se trata de um único aspecto; é preciso encontrar pequenos ganhos nas curvas médias, rápidas, nas retas, etc.”. Quando questionado sobre as expectativas em relação ao novo pacote, foi perentório: “Só o tempo por volta responderá realmente às vossas perguntas. Toda a gente em Milton Keynes trabalhou arduamente neste pacote, mas não há dúvida de que só por si não chegará. Sabemos que serão necessários mais passos, mas o importante é manter o rumo de redução de diferença que temos desde o pós-Japão, continuar a aproximar-nos e deixar de falar em quatro décimos, mas sim, esperamos, em muito menos.”

O responsável da Red Bull abordou ainda os esforços para retirar peso ao RB22, que começou a temporada cerca de 10 kg acima do limite mínimo de 768 kg: “Comer menos! Esse é o meu plano para a Áustria”, brincou, acrescentando: “O objetivo é pôr o carro a fazer dieta e ficar mais leve já nesta prova”.

Além das evoluções no chassis, a Red Bull enfrenta desafios com a sua unidade motriz RBPT DM01, considerada referência pela FIA no processo de benchmarking, mas que ainda revela pontos fracos nos arranques — algo sentido tanto por Verstappen como por Isack Hadjar, que em Barcelona caiu de sexto para 14.º na partida. “Temos tido arranques fracos até agora”, reconheceu Mekies. “É parte do primeiro ano enquanto construtor de motores; aprendemos que há muito a melhorar e a afinar entre o chassis e a unidade motriz. É um PU com uma janela muito estreita, o que pode complicar a vida em certas áreas. Faz parte do processo de aprendizagem deste primeiro ano.”

Com o campeonato a entrar numa fase decisiva, a próxima paragem será precisamente o Grande Prémio da Áustria, no Red Bull Ring, onde a casa espera ver resultados tangíveis das mais recentes apostas técnicas. Se a Red Bull conseguir reduzir ainda mais a desvantagem para Ferrari, Mercedes e McLaren, poderá relançar a luta pelo título e aumentar a pressão sobre os rivais. Caso contrário, arrisca-se a consolidar a posição de melhor do “segundo pelotão”, algo claramente aquém das ambições do projeto. A expectativa está ao rubro para ver até que ponto estas evoluções serão suficientes para recolocar Verstappen e companhia na rota das vitórias.

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