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Jim Farley sobre a Europa e as marcas chinesas, “é tarde demais”

Publicado a 30 de Setembro de 2026, 14h45  ·  Atualizado a 30 de Setembro de 2026, 16h11  ·  5 min de leitura

Na imagem, Jim Farley, presidente executivo da Ford, a discursar na fábrica de Kentucky em 2025, numa fotografia oficial da Ford; não é a intervenção de Detroit de que fala a notícia

Jim Farley, presidente executivo da Ford, disse esta terça-feira em Detroit que é tarde demais para a Europa travar os construtores chineses, que em agosto chegaram aos 12% do mercado, segundo a Dataforce. A Ford responde com parcerias com empresas chinesas, como a Geely, e com concorrência direta.

O essencial

  • Jim Farley disse a 29 de setembro, no Automotive News Congress em Detroit, que para a Europa “é tarde demais” travar os construtores chineses.
  • Segundo a Dataforce, a quota das marcas chinesas na Europa passou de quase nada em 2020 para 12% em agosto de 2026.
  • Os primeiros modelos novos da Ford e da Geely saem de Valência em 2028, numa empresa conjunta em que a Ford vai ter 66%.

O que Jim Farley disse em Detroit

Jim Farley falou a 29 de setembro no Automotive News Congress, em Detroit, numa intervenção relatada pela CNBC e pela agência Reuters. O tema eram os Estados Unidos, onde se discute se os construtores chineses devem poder vender. Sobre os países europeus, a resposta foi curta, “é tarde demais”.

Para Washington, o recado foi outro. De acordo com a Reuters, o presidente executivo da Ford disse que o país tem de “ter extremo cuidado com a forma como os construtores chineses chegam” ao mercado americano. A CNBC acrescenta que Farley quer que os Estados Unidos levem o tempo necessário para ponderar a decisão, o que, nas palavras dele, não aconteceu na Europa.

De quase nada a 12% em seis anos

Jim Farley na viagem de 2026 pela Austrália, um dos mercados onde a Ford já enfrenta as marcas chinesas
Jim Farley na viagem de 2026 pela Austrália, um dos mercados onde a Ford já enfrenta as marcas chinesas

O número por trás do aviso é da consultora alemã Dataforce, citada pela CNBC. A quota dos construtores chineses na Europa era praticamente nula em 2020 e chegou aos 12% em agosto deste ano. O valor vem de uma consultora privada, não de uma estatística oficial da União Europeia.

A Reuters junta outro número. A China deve exportar este ano cerca de 12 milhões de automóveis, quando em 2022 foram perto de 3 milhões. Nos Estados Unidos, os modelos chineses esbarram na proibição de software chinês e em taxas alfandegárias acima de 100%. Na Europa a pressão já se vê nas vendas, e o AutoGear já tinha contado que a BYD está a um passo de ultrapassar a Ford nas vendas na Europa.

Parceiros onde a Ford não tem tecnologia

Farley explicou que a Ford vai trabalhar com empresas chinesas quando isso poupa capital e nas áreas em que a marca não tem conhecimento próprio. “Vamos fazer parcerias com os chineses onde não temos propriedade intelectual”, disse, segundo a CNBC, a propósito da Europa e do Sudeste Asiático. Na versão da Reuters, acrescentou que a Ford também vai “competir diretamente” com eles, e que “uma coisa não exclui a outra”.

Nos Estados Unidos, a Ford trabalha com a CATL para fazer baterias mais baratas numa fábrica no Michigan. Na Europa, o parceiro chinês é a Geely. As duas marcas anunciaram a 23 de julho uma empresa conjunta na fábrica de Valência, em Espanha, com 66% para a Ford e 34% para a Geely, segundo o comunicado da Ford.

O que sai de Valência a partir de 2028

Os primeiros modelos novos da empresa conjunta saem da linha em 2028, segundo a Ford. A fábrica vai fazer um novo Bronco compacto, um crossover familiar com várias motorizações e dois SUV elétricos da marca Geely, e continua a produzir o Kuga. Não é a única ligação da Ford à tecnologia da Geely, como o AutoGear explicou quando a Geely confirmou que a Ford vai usar a plataforma GEA da Geely num novo SUV para a Europa.

Volkswagen e Renault também entram

O arranque da produção do Explorer eléctrico em Colónia, em 2024, sobre a plataforma MEB da Volkswagen
O arranque da produção do Explorer eléctrico em Colónia, em 2024, sobre a plataforma MEB da Volkswagen

A Geely não é o único parceiro da Ford na Europa. Os elétricos Explorer e Capri, feitos em Colónia, usam a plataforma MEB da Volkswagen, segundo a Electrive. A 9 de dezembro de 2025, a Ford e o Renault Group anunciaram dois elétricos da marca americana sobre a plataforma Ampere, fabricados pelo grupo francês no norte de França. O primeiro chega no início de 2028, e as duas marcas assinaram ainda uma carta de intenções para trabalharem em conjunto em comerciais ligeiros na Europa.

A pressão de Washington

A proximidade da Ford à China não agrada à administração americana. Segundo a Reuters, o secretário dos Transportes, Sean Duffy, escreveu em setembro a Farley a manifestar preocupação com os acordos da marca com empresas chinesas, que a deixam a “entrelaçar o seu futuro com empresas apoiadas pelo Estado chinês”. No Congresso há propostas para limitar ou proibir de vez as marcas chinesas nos Estados Unidos, segundo a CNBC.

Na Europa, o passo seguinte é a aprovação da empresa conjunta de Valência, que a Ford e a Geely contam pôr a funcionar no primeiro semestre de 2027.

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Perguntas e respostas

Porque diz Jim Farley que já é tarde para a Europa travar as marcas chinesas?

No Automotive News Congress, em Detroit, Jim Farley defendeu que os Estados Unidos devem levar o tempo necessário para ponderar a entrada dos construtores chineses, o que não aconteceu na Europa, e disse que para os países europeus “é tarde demais”. Segundo a Dataforce, citada pela CNBC, a quota chinesa na Europa passou de quase nada em 2020 para 12% em agosto de 2026.

O que vai fazer a Ford para responder às marcas chinesas na Europa?

Segundo Farley, a Ford vai fazer parcerias onde não tem tecnologia própria e competir diretamente com as marcas chinesas. Na Europa trabalha com a Geely em Valência, com a Renault em dois elétricos sobre a plataforma Ampere, e usa a plataforma MEB da Volkswagen no Explorer e no Capri.

Quando começa a produção da Ford e da Geely em Valência?

Segundo a Ford, a empresa conjunta deve começar a funcionar no primeiro semestre de 2027, se for aprovada. Os primeiros modelos novos, incluindo um Bronco compacto e dois SUV elétricos da Geely, saem da linha em 2028.

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Redação

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A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.

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