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Nissan alerta: construtores chineses podem chegar ao México dentro de três anos. Seguem-se os EUA

Publicado a 30 de Setembro de 2026, 16h00  ·  Atualizado a 30 de Setembro de 2026, 17h34  ·  3 min de leitura

O essencial

  • Nissan acredita que fabricantes chineses podem produzir veículos no México em dois a três anos.
  • Nissan planeia exportar inicialmente 100.000 veículos produzidos na China, com ambição de atingir 300.000 unidades anuais.
  • EUA mantêm fortes barreiras comerciais aos veículos fabricados na China, o que torna o México porta de entrada estratégica.

A ameaça dos fabricantes chineses

A Nissan acredita que os fabricantes automóveis chineses poderão começar a produzir veículos no México dentro de dois a três anos. Para a marca japonesa, esta mudança poderá tornar a concorrência no mercado norte-americano ainda mais difícil.

Os construtores chineses ainda têm uma presença limitada na América do Norte, mas a Nissan já está a preparar-se para uma possível mudança de cenário. Christian Meunier, presidente da Nissan Americas, considera que algumas marcas chinesas poderão começar a produzir automóveis no México dentro de apenas dois a três anos.

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A estimativa foi avançada durante um discurso na sede da Nissan, em Yokohama, no Japão, e surge num momento em que os fabricantes chineses continuam a expandir a sua presença internacional.

A questão é simples: produzir no México permitiria aproximar significativamente os custos de produção dos principais mercados norte-americanos e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência das exportações directamente a partir da China.

A Nissan quer baixar custos

Para a Nissan, este cenário representa sobretudo um desafio em termos de preço. Meunier considera que a competitividade de custos será determinante nos próximos anos, numa altura em que marcas como a BYD estão a ganhar escala e a pressionar os fabricantes tradicionais. A resposta da Nissan passa, em parte, pela própria China.

A marca está a aumentar a utilização das suas operações chinesas como plataforma de desenvolvimento e produção para outros mercados. Modelos como a Frontier Pro, uma pick-up híbrida plug-in, e o N7, um novo modelo eléctrico, foram desenvolvidos através da parceria da Nissan com a Dongfeng e estão a ser preparados para chegar a vários mercados da América Latina.

A empresa chegou mesmo a estabelecer como objectivo exportar inicialmente cerca de 100.000 veículos produzidos na China, com a ambição de atingir posteriormente 300.000 unidades anuais.

O México pode ser a porta de entrada

O México como porta de entrada

O México assume aqui um papel particularmente importante. O país possui uma indústria automóvel consolidada, uma extensa cadeia de fornecedores e uma localização privilegiada junto dos Estados Unidos.

Para os fabricantes chineses, estabelecer produção local permitiria ainda reduzir alguns dos custos associados à exportação de veículos completos para a América do Norte.

Isso não significa, contudo, que os automóveis chineses estejam prestes a chegar em força aos concessionários norte-americanos. Os Estados Unidos mantêm fortes barreiras comerciais aos veículos fabricados na China e o acesso directo ao mercado continua a ser bastante limitado.

É precisamente por isso que uma eventual produção no México poderá alterar o cenário.

Uma estratégia que já mudou

Nissan adapta estratégia com China

A Nissan está, entretanto, a adaptar-se. Em vez de depender exclusivamente de modelos desenvolvidos no Japão e posteriormente adaptados a diferentes mercados, a marca está a recorrer cada vez mais à China para desenvolver veículos destinados à exportação.

É uma mudança significativa na estratégia da indústria automóvel japonesa e mostra até que ponto o peso dos fabricantes chineses está a obrigar os grandes construtores mundiais a repensar a forma como desenvolvem, produzem e comercializam os seus automóveis.

Para a Nissan, o verdadeiro desafio poderá não ser o aparecimento imediato de automóveis chineses nos Estados Unidos, mas aquilo que acontecerá quando esses fabricantes conseguirem produzir a poucos quilómetros do mercado americano.

E é esse cenário que a marca japonesa já está a tentar antecipar.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  516 artigos

Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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