Honda aposta em nova unidade de potência para relançar Aston Martin

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A Honda prepara-se para revolucionar a luta no meio do pelotão da Fórmula 1 ao anunciar uma aguardada atualização da sua unidade de potência já para o Grande Prémio dos Países Baixos, agendado para o fim de agosto em Zandvoort. Este desenvolvimento surge num momento crucial para a Aston Martin, que procura inverter a recente tendência de resultados menos expressivos e reposicionar-se como uma das principais forças do campeonato.

O novo pacote técnico da Honda incide em alterações profundas ao nível da câmara de combustão, pré-câmara e sistema de lubrificação, tudo com o objectivo de reduzir a fricção e aumentar a eficiência global do motor. Segundo Shintaro Orihara, diretor geral de pista da Honda, as melhorias foram desenhadas para proporcionar um salto significativo, não apenas um pequeno incremento de performance: “Estamos a visar um passo em frente razoavelmente grande em vez de uma pequena melhoria. Mas diria que não há magia na Fórmula 1. Não creio que apanhemos a Mercedes ou a RBPT com apenas um passo”, esclareceu Orihara, numa conferência de imprensa prévia ao Grande Prémio.

Esta atualização chega numa fase em que a Aston Martin ocupa posições intermédias, tendo terminado as últimas provas fora dos lugares do pódio. A equipa de Silverstone, que utiliza unidades de potência fornecidas pela Honda, vê nesta evolução uma oportunidade para atacar mais de perto rivais directos como a Mercedes e a McLaren, que têm mantido um ritmo superior nas mais recentes corridas. A diferença entre as equipas tem-se situado consistentemente entre os três e os cinco décimos por volta, pelo que qualquer ganho adicional de cavalagem ou eficiência poderá ser determinante, especialmente num circuito técnico e exigente como o de Zandvoort.

A escolha do Grande Prémio dos Países Baixos para a estreia não é isenta de riscos, sobretudo porque o fim de semana contará com o formato Sprint. Este sistema reduz drasticamente o tempo disponível para afinações e correções, obrigando pilotos e engenheiros a máxima precisão logo desde os primeiros treinos. Orihara não escondeu a pressão extra: “Sabemos que o formato Sprint complica o nosso trabalho, pois temos menos sessões para afinar o motor e reagir a eventuais contratempos. No entanto, acreditamos que a fiabilidade está assegurada graças ao intenso trabalho de simulação e testes no banco de ensaio”, explicou o responsável japonês, reforçando o compromisso da Honda com a Aston Martin.

A introdução desta evolução no motor ocorre de forma independente do grande pacote de atualizações ao nível do chassis que a Aston Martin reserva para o Grande Prémio da Hungria. Adrian Newey, diretor da equipa, confirmou recentemente que as alterações no monolugar serão implementadas apenas em Budapeste, permitindo à estrutura britânica avaliar distintamente os efeitos de cada componente técnico. “Queremos perceber até onde podemos ir com cada evolução. Esta distinção entre atualizações é vital para extrair o máximo potencial do nosso conjunto e preparar o ataque à segunda metade do campeonato”, afirmou Newey à margem do último Grande Prémio.

No contexto do campeonato do mundo de Fórmula 1, a Aston Martin tem vindo a perder terreno para os principais rivais, depois de um início de temporada promissor. A equipa encontra-se actualmente fora do top-3 do Mundial de Construtores, com Fernando Alonso e Lance Stroll a alternar entre os pontos e resultados mais modestos. A esperança reside agora nestas melhorias técnicas, com Alonso a admitir publicamente que “precisamos urgentemente de mais ritmo, especialmente em qualificação, se quisermos lutar de igual para igual com as equipas da frente”. O espanhol mostrou-se optimista: “A Honda tem trabalhado arduamente e estou confiante de que vamos dar um passo em frente. Zandvoort será um bom teste à nossa evolução”.

O próximo desafio será, portanto, já em Zandvoort, onde a pressão estará no máximo para a Aston Martin validar as promessas da Honda em pista e capitalizar os avanços no motor antes do importante pacote de chassis na Hungria. O sucesso imediato poderá permitir à equipa recuperar pontos valiosos e relançar as suas aspirações no campeonato, numa fase em que cada décimo conquistado poderá fazer a diferença entre ficar a meio da tabela ou regressar à luta pelos pódios. Para os adeptos portugueses e fãs de Fórmula 1, será um fim de semana para acompanhar ao detalhe, até porque a Aston Martin joga uma das suas últimas cartadas para regressar à ribalta em 2024.

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