Pilotos receiam que Silverstone exponha limitações dos carros de 2026

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Silverstone pode transformar-se num verdadeiro pesadelo para a nova geração de monolugares de Fórmula 1 em 2026, com pilotos a preverem que as zonas mais rápidas do traçado britânico exponham as maiores fragilidades dos carros. Fernando Alonso, da Aston Martin, não escondeu o desânimo: “Olhando para as voltas no simulador e tudo mais, vai ser bastante triste, tanto para os pilotos como para os espectadores”, afirmou antes do início da acção em pista, deixando antever um fim de semana desafiante para todos os envolvidos.

Na antecâmara do Grande Prémio da Grã-Bretanha, os pilotos de topo alertaram para as dificuldades técnicas trazidas pelos novos regulamentos, que tornam os carros “famintos” de energia em zonas críticas do circuito de Silverstone, como Copse e o complexo de Becketts. Os tempos por volta prometem disparar, com as simulações a indicarem uma quebra drástica de velocidade logo antes da recta de Hangar — consequência directa de as baterias se esgotarem rapidamente e do modo “corner” dos monolugares, que maximiza o arrasto e reduz ainda mais a aceleração. Com as zonas de activação de modo recta a terminarem antes de Copse, a gestão de energia será decisiva e poderá alterar radicalmente o espectáculo a que o público está habituado.

Os resultados das sessões de simulação deixaram pouca margem para optimismo. Franco Colapinto, piloto da Alpine, partilhou a sua apreensão: “Espero que seja melhor do que no simulador. Foi duro. Normalmente, Silverstone é um circuito onde gostamos de levar os carros ao limite, mas este ano será diferente.” O jovem argentino sublinhou ainda que, além de Silverstone, pistas como Austrália e Suzuka também deverão ser especialmente exigentes em termos de recuperação de energia, devido às longas rectas e poucas zonas de travagem. “Ficas com o acelerador a fundo durante quase 2km. Vai ser complicado. Acho que algumas curvas vão perder o seu desafio característico”, acrescentou, antecipando uma experiência menos empolgante.

No seio da Haas, o consenso é idêntico. Ollie Bearman lamentou a perda de recompensa ao volante nos traçados de alto ritmo: “As pistas que tinham mais carácter, como Maggotts e Becketts, agora parecem apenas mais uma curva. Antes eram das secções mais arrojadas do ano, agora perdes tanta velocidade que já nem parece uma curva digna desse nome.” O seu colega de equipa, Esteban Ocon, reforçou o tom: “Silverstone está bastante carente de energia nestes carros. Talvez a curva Abbey seja a única onde ainda se mantém o desafio a alta velocidade.” O francês acredita que o início da volta continua exigente, mas o resto do traçado deixa de ser tão recompensador como nos anos anteriores.

Max Verstappen, campeão mundial da Red Bull, relatou uma experiência insólita ao experimentar o novo carro no simulador: “Adoro Silverstone, mas quando dei umas voltas no simulador, só me apeteceu rir. Parecia um circuito diferente.” Já Sergio Pérez, da Cadillac, destacou que Silverstone representa o maior teste à gestão de energia desde Miami, sublinhando que as recentes alterações às regras pouco fizeram para colmatar as debilidades dos monolugares em circuitos de alta velocidade.

A questão central prende-se com o fenómeno de “de-rating” nas curvas, agravado pelo aumento do arrasto aerodinâmico e pela resistência dos pneus. Fernando Alonso explicou: “O problema quando ficas sem energia nas curvas é que o nível de arrasto é maior e a resistência dos pneus também aumenta. Perdes velocidade não só pelo próprio arrasto do carro, mas também porque estás a virar, o que duplica o efeito.”

Curiosamente, a necessidade de gerir energia pode obrigar os pilotos a adoptar estratégias contra-intuitivas, como levantar o pé em certas curvas rápidas para recuperar energia e poder atacar na recta seguinte. Sergio Pérez admitiu: “Vai ser fundamental perceber o que é mais eficiente para o motor e para a energia. Por vezes, ir mais devagar numa curva pode ser mais rápido no global da volta, atrasando a aplicação do acelerador para maximizar a recuperação de energia.”

Shintaro Orihara, director de pista da Honda, antecipou desafios acrescidos: “O ponto mais difícil deste circuito é prever como os pilotos vão aplicar o acelerador nas curvas de alta velocidade como Copse e Becketts. Fizemos várias sessões no simulador da Aston Martin, mas até vermos os pilotos em pista, é difícil prever a gestão de energia.”

Franco Colapinto acrescentou que, com as alterações regulamentares, a estratégia de “lifting” para recuperar energia poderá dar lugar ao chamado “super-clipping”, onde os carros permanecem a fundo mas chegam às curvas decisivas com muito menos velocidade, tornando-as mais fáceis, mas menos emocionantes para quem conduz e para o público.

Com a próxima ronda a disputar-se em Spa-Francorchamps, outro traçado de elevado ritmo e grandes exigências na gestão energética, as equipas e pilotos terão de adaptar rapidamente as suas estratégias. A classificação do campeonato poderá sofrer alterações significativas, especialmente entre os candidatos ao título que melhor dominarem esta nova arte de pilotar “a pensar na bateria”. Silverstone assume-se, assim, como um teste de fogo à evolução tecnológica da Fórmula 1, onde a emoção poderá estar menos nas ultrapassagens e mais nos detalhes de gestão e inteligência em pista.

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