Genesis impressiona com ritmo e fiabilidade na estreia em Le Mans

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A estreia da Genesis Magma Racing nas 24 Horas de Le Mans ficou marcada por um desempenho surpreendente e momentos de verdadeira emoção, com a jovem equipa sul-coreana a rodar em quarto lugar durante a primeira metade da prova e a cumprir o objectivo principal: ver a bandeira de xadrez na mais dura maratona do Mundial de Resistência.

Na sua primeira participação no FIA World Endurance Championship, a Genesis apresentou-se em La Sarthe com o novo Hypercar GMR-001, ainda sem o benefício dos 10 intensos horas do arranque da época no Qatar, perdidas devido a atrasos no programa de desenvolvimento. O receio quanto à fiabilidade era evidente, mas o ritmo do carro surpreendeu toda a grelha: o número 17 garantiu presença no Hyperpole 2, enquanto o número 19 andou solto entre os dez primeiros durante grande parte da primeira metade da corrida, antes de ser tramado por problemas electrónicos.

As expectativas foram superadas logo na qualificação, com a Genesis a mostrar sinais claros de competitividade. Cyril Abiteboul, director da equipa, confirmou o espanto: “A performance, a competitividade do pacote, foi uma ligeira surpresa. Tínhamos visto lampejos do potencial ao longo da semana, especialmente na qualificação — vimos algum ‘rosa’ nos ecrãs — portanto sabíamos que havia ritmo, mas nunca se sabe exactamente onde cada um está. Houve muita especulação sobre quem mostrava o quê, mas em corrida a verdade acaba por vir ao de cima. Foi bom mostrar isso.”

A corrida foi tudo menos linear para os estreantes. O momento mais frustrante aconteceu quando, depois de uma chamada estratégica certeira após um full course yellow, o número 19 sofreu um apagão electrónico precisamente quando estava prestes a capitalizar posições. “Foi muito difícil”, admitiu Abiteboul. “Estávamos prestes a ganhar lugares, tudo parecia a jogar a nosso favor e, de repente, blackout total do carro. Foi um momento duro.”

Apesar dos contratempos, o número 19 ainda terminou em 13.º lugar, nove voltas atrás dos vencedores, enquanto o número 17 foi obrigado a abandonar a cerca de dois terços da distância devido a problemas de suspensão. O responsável máximo da Genesis sublinhou que “a parte que não foi surpresa foi a fiabilidade. Somos muito jovens, isto ainda está a começar. Validar um carro em 24 horas num circuito como este, francamente, só se consegue mesmo a correr aqui. Sabíamos que estávamos a chegar ligeiramente despreparados, embora tenhamos feito tudo o que era possível para preparar-nos ao máximo.”

Mesmo com os desafios técnicos, o objectivo traçado foi cumprido. “Terminar a corrida era a maior meta, tendo em conta o nível deste evento, e tudo o resto é bónus”, declarou Abiteboul, visivelmente satisfeito após a estreia de sonho do construtor sul-coreano em Le Mans.

No rescaldo da prova, Gabriele Tarquini, director desportivo da Genesis, realçou o percurso absolutamente notável da equipa: “No ano passado, quando começámos este projecto, era impossível sequer imaginar que, à terceira corrida, íamos somar pontos em Spa e terminar as 24 Horas de Le Mans. É fantástico. Inacreditável. Nem nos nossos melhores sonhos imaginávamos este desfecho.”

A prestação da Genesis em Le Mans lança sinais positivos para o futuro, com a equipa a demonstrar potencial para se intrometer na luta pelos lugares cimeiros assim que a fiabilidade estiver consolidada. O próximo desafio será já em Interlagos, onde o Mundial de Resistência regressa em força. A Genesis, agora com experiência de Le Mans no currículo, parte para o Brasil com ambições renovadas e a clara intenção de transformar o ritmo já evidenciado em resultados consistentes e, quem sabe, lutar por um pódio. A concorrência observa atentamente, ciente de que há um novo protagonista com argumentos para surpreender no panorama da resistência internacional.

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