O Grande Prémio de Mónaco voltou a provar ser um palco único na Fórmula 1, onde até o líder do campeonato conquistar a pole position pode surpreender. A qualificação deste ano foi um verdadeiro espetáculo de emoções, com heróis inesperados e desilusões marcantes. Analisamos os vencedores e os perdedores desta sessão que vai deixar marcas no campeonato.
A grande surpresa da qualificação foi Kimi Antonelli, da Mercedes, que conquistou a pole position com uma volta quase perfeita, batendo Max Verstappen por apenas 0,043 segundos. Antonelli, que entrou para o fim de semana numa posição menos favorável, conseguiu superar a pressão e a velocidade das Ferraris, que tinham dominado as primeiras sessões de treinos livres. O jovem piloto mostrou um domínio notável, especialmente nas curvas apertadas e na chicane após o túnel, onde conseguiu manter o carro estável e acelerar ao máximo, garantindo uma vantagem crucial. Este resultado coloca o Grande Prémio de Mónaco nas mãos de Antonelli, que terá agora a difícil missão de manter a liderança na corrida.
Por outro lado, a Ferrari viveu um dia para esquecer. Charles Leclerc, que tinha mostrado grande promessa nos treinos livres, ficou-se pela quarta posição, longe do esperado após um erro na curva Massenet que comprometeu a sua última tentativa na qualificação. O desempenho da equipa foi descrito como “confuso” e “perdido” no momento decisivo, com Lewis Hamilton também longe do ritmo, ainda a tentar ajustar o ângulo da asa dianteira durante a sessão. Claramente, a Ferrari não conseguiu transformar o potencial demonstrado nos treinos em resultados concretos para a grelha.
Max Verstappen, apesar de não ter conseguido a pole, ofereceu mais uma exibição ao seu nível habitual, especialmente na zona de Casino Square, onde brilhou com uma precisão quase cirúrgica. O piloto da Red Bull mostrou todo o seu talento e experiência em Mónaco, mantendo a pressão sobre Antonelli até ao último segundo. Verstappen demonstrou que, mesmo numa pista onde as diferenças são mínimas, a sua capacidade técnica e confiança no carro continuam a ser decisivas.
George Russell, outro piloto da Mercedes, ficou surpreendido e desiludido com o seu sexto lugar. O britânico descreveu a sua falta de ritmo como “confusa” e admitiu que o monolugar desta geração não se adequa ao seu estilo de condução. O resultado deixa-o numa posição desconfortável no campeonato, podendo ver-se já com uma desvantagem de mais de 60 pontos face a Antonelli.
Audi, que tinha expectativas de atingir o Q3, ficou aquém com os seus pilotos Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoleto a terminarem em 13.º e 16.º, respetivamente. Bortoleto foi prejudicado por um toque na parede na Nouvelle Chicane, o que o impediu de melhorar os tempos, enquanto Hulkenberg referiu dificuldades em encontrar ritmo e grip suficientes para atacar no momento certo.
Pierre Gasly, da Alpine, foi uma das boas surpresas ao garantir o 9.º lugar, confirmando o seu estatuto como referência do meio do pelotão. Apesar de a equipa ainda não conseguir colocar ambos os carros ao mesmo nível, Gasly aproveitou ao máximo a oportunidade, especialmente num circuito onde a Alpine tem tido dificuldades.
McLaren voltou a sofrer em Mónaco, com Lando Norris e o seu colega a ficarem em 6.º e 8.º. Norris descreveu a sua experiência como um “despertar para a realidade”, confessando que o carro é “muito difícil de conduzir” e não oferece a confiança necessária para brilhar nas ruas técnicas do principado. A equipa terá de trabalhar para melhorar a carga aerodinâmica e a aderência se quiserem voltar a lutar com as equipas de topo.
Liam Lawson, da Racing Bulls, foi outro destaque positivo ao conseguir chegar ao Q3 e garantir o 10.º lugar, superando largamente as expectativas da equipa, que nos treinos livres não tinha passado do 14.º lugar. Apesar de ter usado pneus usados na última tentativa, Lawson mostrou uma execução impressionante e uma grande capacidade de recuperação após um FP3 complicado.
Finalmente, a Haas foi claramente uma das maiores vítimas desta qualificação, com Esteban Ocon e Ollie Bearman a falharem a passagem ao Q2. Ambos foram prejudicados por uma bandeira vermelha provocada por Bortoleto, que anulou voltas importantes. Ocon lamentou a falta de sorte e destacou a dificuldade em aquecer os pneus com apenas uma volta de preparação, um problema que poderá condicionar a sua corrida no domingo.
Em suma, a qualificação em Mónaco revelou-se uma verdadeira montanha-russa, onde a precisão, o talento e até a sorte foram determinantes. Antonelli e Verstappen prometem uma batalha épica na corrida, enquanto as restantes equipas terão de lidar com as frustrações e procurar melhorar para o desafio que se avizinha. O Grande Prémio de Mónaco 2026 está lançado!
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